Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro

Coelho e Mano tentam apagar história no Corinthians

Rivais no clássico têm passado incômodo em preto e branco

São Paulo

O passado alvinegro não é cômodo para nenhum dos treinadores que estarão no banco de reservas do Pacaembu a partir das 19h (de Brasília) deste sábado (9). Para Mano Menezes, 57, e Coelho, 36, a hora é de esquecer parte do que se passou na última década.

No caso de Mano, hoje técnico do Palmeiras, não convém recordar o sucesso em um momento importante da história do arquirrival Corinthians. Já Coelho, comandante interino preto e branco, prefere deixar para trás um fracasso que acabou marcando sua trajetória como lateral direito.

Em 2006, o paulistano marcou um gol contra decisivo para mais uma dolorosa eliminação do time do Parque São Jorge na Copa Libertadores. O River Plate venceu no Pacaembu por 3 a 1 diante de uma torcida ensandecida, que tentava invadir o campo para agredir os próprios jogadores.

O lateral Coelho lamenta o gol contra que acabaria marcando sua carreira - Caetano Barreira - 4.mai.06/Reuters

Dali em diante, mesmo sendo cria da casa e tendo no currículo participação relevante na conquista do Campeonato Brasileiro de 2005, Coelho não conseguiu mais ter paz no Corinthians. Jogou apenas mais sete partidas em 2006 e, emprestado ao Atlético-MG em 2007, escapou do vexame de fazer parte da campanha do rebaixamento no Brasileiro.

Aí, Mano Menezes chegou para ajudar na reconstrução da equipe e pediu o retorno de Coelho, mas a volta em 2008 durou pouco. Foram apenas quatro jogos, e o último deles teve uma ríspida discussão do atleta com o companheiro Chicão. A torcida no Morumbi gritou o nome do beque e xingou o lateral, substituído sob vaias naquele empate por 0 a 0 com o Mirassol.

“Nosso torcedor precisa ter o entendimento: não se pode levar coisa de uma temporada para outra”, disse ao fim do jogo o treinador, que logo percebeu a inviabilidade de seu pedido. Dias depois, ainda em fevereiro, o atleta foi novamente cedido ao Atlético-MG.

“Não podemos ficar com um jogador que não está à vontade para render. Sabemos que isso aconteceu após a repetição de alguns fatos. Conversamos com o Coelho e decidimos que era melhor para o clube e para o jogador”, explicou o técnico.

Mano ficou e teve sucesso em seu trabalho para reerguer o Corinthians, que passou com enorme facilidade pela Série do Brasileiro em 2008. Em 2009, já com Ronaldo no elenco, vieram os títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, que devolveram a autoestima aos torcedores alvinegros e colocaram o treinador na seleção brasileira em 2010.

Mano Menezes sofre alguma resistência no Palmeiras pelo passado alvinegro - Moacyr Lopes Junior - 25.jul.14/Folhapress

O gaúcho ainda passou novamente pelo Corinthians em 2014, experiência que voltou a atrelar sua imagem ao clube do Parque São Jorge –com vitória no primeiro Dérbi de Itaquera. Por isso, quando surgiu como nome para substituir Felipão no Palmeiras neste ano, muitos torcedores alviverdes torceram o nariz.

“Vejo isso com naturalidade”, afirmou o treinador, recordando que outros comandantes, como Oswaldo Brandão, tiveram conquistas nos dois arquirrivais. “É só olhar a história dos clubes. Quero seguir a história dos profissionais que fizeram essa vinda com sucesso.”

O aproveitamento de 80% exibido nas 15 partidas até aqui minou parte da resistência, mas a birra poderá aparecer em caso de fracasso diante do Corinthians, especialmente com o adversário em crise. Mano sabe disso e poupou boa parte de sua equipe titular na vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, na última quarta.

Estreando no comando interino alvinegro e tentando frear uma sequência de oito partidas sem vitória, Coelho não teve essa possibilidade. O triunfo por 3 a 2 sobre o Fortaleza lhe deu alguma força, ainda que tenha desgastado os atletas, e agora ele volta ao Pacaembu do gol contra para encarar o arquirrival.

“A minha história aqui dentro é de alegrias e de tristezas, mas tem uma coisa que fica sempre: tudo o que meus pais têm hoje, minhas filhas, foi o Corinthians que me deu. Só quero retribuir o que o Corinthians me proporcionou”, disse o ex-jogador, já sem a mágoa que chegou a demonstrar nos tempos de Atlético-MG: “O torcedor do Corinthians é fantástico”.

A fantástica Fiel não estará no Pacaembu no sábado, em mais um clássico de torcida única no estado de São Paulo. Os corintianos terão de torcer por Coelho contra Mano acompanhando pela transmissão do canal Premiere, no sistema pay-per-view, única opção de TV para o Dérbi.

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