Play-in alivia finanças da NBA e tem novo duelo LeBron x Curry

Mata-mata reúne oito equipes na briga pelas últimas quatro vagas na fase final da liga de basquete

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São Paulo

A NBA experimenta nesta semana um formato inédito de disputa para definição dos últimos classificados aos seus mata-matas. Antes dos tradicionais “playoffs”, haverá um torneio chamado de “play-in”, no qual oito times disputarão as quatro vagas restantes na fase final da liga norte-americana de basquete.

Na Conferência Oeste e na Conferência Leste, o sétimo colocado receberá o oitavo em jogo único. Quem vencer avançará. O derrotado terá de enfrentar o ganhador do confronto entre o nono e o décimo colocado, em uma briga que fechará o chaveamento de cada conferência.

Stephen Curry e LeBron James, acostumados a se enfrentar nas finais, agora vão duelar em um mata-mata anterior aos "playoffs" - Roberto Hanashiro - 18.jan.21/USA Today Sports

Isso significa que haverá nova edição do duelo entre LeBron James e Stephen Curry, que já se encontraram na decisão quatro vezes. O Los Angeles Lakers, de LeBron, terminou a temporada regular em sétimo no Oeste, seguido pelo Golden State Warriors, de Curry. Eles se enfrentarão nesta quarta (19) pelo direito de encarar o Phoenix Suns no mata-mata.

O “play-in” tem outras atrações chamativas, como Russell Westbrook, que vive temporada histórica no Washington Wizards, e Jayson Tatum, grande nome do Boston Celtics. Há ainda jovens talentosos, como Ja Morant, do Memphis Grizzlies, eleito novato do ano em 2019/20, e LaMelo Ball, do Charlotte Hornets, favorito a ficar com o prêmio em 2020/21.

Essa exposição de talento em embates competitivos será rentável para a NBA, que já vivia dificuldades financeiras antes mesmo da pandemia de Covid-19, fruto de problemas comerciais com a China. O coronavírus não ajudou, os ginásios continuam com a capacidade de público bem reduzida e os dirigentes têm se apegado às oportunidades que aparecem para diminuir prejuízos.

Formato do "play-in", mata-mata instituído pela NBA na temporada 2020/21
Torneio "play-in" da NBA teve o nome vendido à seguradora State Farm como parte do esforço da liga norte-americana para buscar novas receitas e minimizar prejuízos - Divulgação

O dinheiro proveniente das transmissões de TV e as cotas de patrocínio para esse torneio anterior ao mata-mata ajudam nesse sentido. O principal dirigente da liga, o comissário Adam Silver, certamente não está lamentando que a tábua de classificação tenha oferecido um LeBron x Curry para fazer a audiência explodir.

“Estamos em um período de transformação. Precisamos conquistar espectadores”, afirmou Silver, em reunião recente com alguns de seus executivos.

O “play-in” provavelmente é um aliado nessa busca, mas tem um preço. Vários jogadores, treinadores e dirigentes de equipes se manifestaram contra o formato, entre eles aquele que é a grande estrela da disputa nesta semana.

“Quem inventou essa m... precisa ser demitido”, afirmou LeBron James, irritado pelo fato de o sétimo colocado precisar ratificar a classificação após 72 jogos na primeira fase. “Não entendo a ideia. Você joga mais de 70 vezes, aí pode perder duas e ficar fora”, concordou Luka Doncic, do Dallas Mavericks.

O armador Luka Doncic, do Dallas Mavericks, que precisou se esforçar muito para evitar o "play-in", não está entre os entusiastas do formato - Kevin Jairaj - 14.mai.21/USA Today Sports

O questionamento ao minitorneio não é apenas relacionado ao mérito esportivo. Paralisada por quatro meses pela pandemia na temporada 2019/20, a NBA ainda não conseguiu colocar o calendário em dia e teve de espremer a tabela de 2020/21, com dez rodadas a menos do que ocorre normalmente e menor tempo de descanso –entre as partidas e entre o campeonato anterior e o atual.

O que se viu, então, foram múltiplas lesões em atletas de todos os níveis. O novo formato tornou importante, por exemplo, brigar pelo sexto e pelo décimo lugar de cada conferência. Assim, ficou mais difícil administrar o desgaste dos jogadores, que tiveram de batalhar até o fim da primeira fase, geralmente mais leve para os já classificados e os já eliminados.

“Foi um enorme erro”, afirmou o dono dos Mavericks, Mark Cuban, cujo time ficou em quinto no Oeste. O Dallas evitou o “play-in” apenas no desempate, já que teve campanha igual à dos Lakers, mas foi uma das várias equipes que sofreram com problemas físicos.

“A pior parte do modelo adotado foi dobrar o estresse do calendário apertado. Em vez de jogar por uma vaga nos playoffs e descansar jogadores quando a classificação ficasse clara, os times tiveram que tratar cada jogo como um jogo decisivo para ficar entre os seis. Então, os atletas jogaram mais jogos e tiveram mais minutos em quadra em menos dias”, afirmou Cuban.

O argumento, porém, é o mesmo usado por aqueles que veem o formato com bons olhos. Ao dar até o décimo colocado de cada conferência a chance de brigar pela classificação, a NBA minimizou um problema recorrente na parte derradeira da primeira fase: os times adotando formações reservas com o intuito de perder.

No sistema norte-americano, quanto pior a campanha da equipe, maiores as chances de ela ficar bem posicionada no “draft”, o processo de seleção de calouros. Neste ano, no entanto, a reta final foi bem mais competitiva do que costuma ser e a audiência das partidas de abril na televisão subiu 25% em relação a março.

Jayson Tatum vai enfrentar Russell Westbrook e o Washington Wizards na tentativa de colocar o Boston Celtics nos "playoffs" - Winslow Townson - 28.fev.21/USA Today Sports

“Acreditamos que o formato ofereça mais benefícios do que desvantagens”, disse o criador do “play-in”, Evan Wasch. “Aumentamos significativamente o incentivo à competição. A ideia era dar a mais times e a mais torcedores a sensação de que eles estavam lutando por alguma coisa. Nesse sentido, foi um absoluto sucesso”, acrescentou o vice-presidente de estratégias da NBA.

O sucesso poderá ser ampliado nos próximos dias, com duelos como LeBron x Curry. A disputa terá início nesta terça (18), com Indiana Pacers (9º do Leste) x Charlotte Hornets (10º do Leste), às 19h30 de Brasília, e Boston Celtics (7º do Leste) x Washington Wizards (8º do Leste), às 22h de Brasília. No Brasil, essas partidas serão exibidas pelo SporTV e pelo perfil da NBA no YouTube.

Como funciona o “play-in”

O 7º colocado de cada conferência enfrenta, em casa, o 8º. O 9º recebe o 10º. O vencedor do confronto 7º x 8º avança aos “playoffs”. O vencedor do embate 9º x 10º visita o derrotado da disputa 7º x 8º pela última vaga.

Os duelos do “play-in”

Conferência Leste

18/5, terça-feira
Indiana Pacers (9º) x Charlotte Hornets (10º), 19h30 (SporTV 2 e YouTube.com/NBABrasil)
Boston Celtics (7º) x Washington Wizards (8º), 22h (SporTV 2 e YouTube.com/NBABrasil)*

20/5, quinta-feira
Perdedor 7º vs. 8º x Vencedor 9º vs. 10º, 21h (SporTV 2 e YouTube.com/NBABrasil)*

*Jogo vale vaga nos “playoffs”

Conferência Oeste

19/5, quarta-feira
Memphis Grizzlies (9º) x San Antonio Spurs (10º), 20h30 (ESPN)
Los Angeles Lakers (7º) x Golden State Warriors (8º), 23h (ESPN)*

21/5, sexta-feira
Perdedor 7º vs. 8º x Vencedor 9º vs. 10º, horário indefinido (ESPN)*

*Jogo vale vaga nos “playoffs”

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