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Cinema

Após década de crise, Hollywood volta a boas cifras de bilheteria

O tenebroso 2017 registrou o pior verão nos últimos 11 anos, mas a temporada atual chegou a US$ 11,5 bilhões

Sandro Macedo
São Paulo

Hollywood tem bilhões de motivos para celebrar o ano de 2018. Depois de um 2017 tenebroso, que registrou o pior verão nos últimos 11 anos, a temporada que está terminando chegou aos US$ 11,5 bilhões (cerca de R$ 45,3 milhões) no dia de Natal, maior valor já registrado de acordo com o site Box Office Mojo, especializado nas cifras cinematográficas americanas.

O montante é mais de US$ 800 milhões superior ao de 2017, que tinha US$ 10,67 bilhões no mesmo período. Os melhores números da atual temporada vieram justamente no começo do ano, com o melhor desempenho da história de lançamentos no inverno (no início do ano no hemisfério Norte) e na primavera.

E os principais responsáveis nas duas estações respondem pelo mesmo nome: Marvel. Claro, todos já esperavam pela goleada de “Vingadores: Guerra Infinita”, que estreou no fim de abril e arrecadou US$ 678,8 milhões nos Estados Unidos.

Mas o que quase nenhum analista imaginava era a performance avassaladora de “Pantera Negra”, com US$ 700,1 milhões de faturamento desde a estreia em fevereiro. Sim, é herói de HQ. Sim, é da Marvel. Sim, já tinha aparecido na franquia. Mas arrecadar mais do que qualquer “Homem de Ferro”, “Thor” ou “Capitão América” não estava no prognóstico nem do maior fã de Stan Lee.

Dizem que o desempenho fez até com que o personagem ganhasse mais espaço no trailer e no próprio filme “Guerra Infinita” —algo parecido com o que ocorreu com Mulher-Maravilha em “Liga da Justiça” (2017).

Com o inverno (“Pantera Negra”) e a primavera (“Guerra Infinita”) garantidos, era só recuperar o verão. E a tarefa não era assim tão simples, apesar de se tratar da estação do ano que normalmente concentra as principais apostas de cada estúdio.

Em 2017 não foram poucos os flops: “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, de Luc Besson, “Rei Arthur - A Lenda da Espada”, “Alien Covenant”, de Ridley Scott, “A Múmia”, com Tom Cruise e Russell Crowe no elenco… Nenhum deles atingiu sequer a mísera safra dos US$ 100 milhões (para os padrões de um blockbuster), coroando o verão do ano passado como o pior desde 2007.

Neste ano, se não teve recorde, teve um desempenho bem razoável, com “Os Incríveis 2” puxando a fila com US$ 608,6 milhões arrecadados. Depois dele, fizeram bonito também “Jurassic World 2” e “Deadpool 2”. Até o fracasso da estação foi amenizado, caso de “Han Solo: Uma História Star Wars”, pior resultado nos cofres de um filme da franquia, mas, ainda assim, com honestos US$ 213,8 milhões.

O ano de 2018 termina com três filmes entre as dez maiores bilheterias da história do cinema, desconsiderando a inflação —os supracitados “Pantera Negra” (terceira), “Vingadores: Guerra Infinita” (quarta) e “Os Incríveis” (nona). Além disso, outros sucessos menos óbvios ajudaram a fortalecer a temporada, como a animação “O Grinch”, o terror “Um Lugar Silencioso” ou a comédia romântica “Podres de Ricos”.

Para manter o padrão, 2019 já está bem escalado. “Capitã Marvel”, o último (será?) episódio da franquia “Vingadores”, o live action de “Aladdin”, “Toy Story 4” e “Joker” são só alguns dos títulos que vêm por aí.

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