Mostra de Lygia Pape em Milão revê métodos da artista, da pintura à instalação

Exposição com 56 obras da brasileira está em cartaz na Fondazione Carriero até julho

Michele Oliveira
Milão

A obra da brasileira Lygia Pape (1927-2004) percorre, desde 2011, museus e galerias internacionais, em endereços nobres como Reina Sofía (Madri), Serpentine Gallery (Londres) e Met Breuer (Nova York). Agora é a vez da Fondazione Carriero, em Milão, receber, pela primeira vez na Itália, uma exposição individual em sua homenagem.

Aberta ao público no dia 28 de março, a mostra tem 56 obras dispostas pelos três andares da fundação, produzidas entre 1952 e 2000. Estão representados ali os principais formatos com que Pape experimentou —vídeo, pintura, desenho, escultura, performance e instalação.

A organização é do italiano Francesco Stocchi, um dos nomes da equipe que realizará a próxima Bienal de São Paulo, em 2020. “As últimas mostras sobre a Lygia foram retrospectivas, não tinham um projeto curatorial como essa daqui. Essa exposição, para mim, é surpreendente. O curador foi extremamente sensível e inteligente e conseguiu fazer certas montagens de que a Lygia gostaria”, disse Paula Pape, filha da artista e responsável por preservar e difundir o legado da mãe.

Um dos exemplos, segundo ela, está na sala número quatro, uma das maiores, que reúne as esculturas  “Livro do Tempo”, de 1965, com as peças de parede do “Livro Noite e Dia”, realizadas entre 1963 e 1976. “Eles nunca haviam sido expostos dessa forma”, conta Pape. 

No último piso, no fim do percurso, está a instalação “Ttéia 1C”, de 2000. Os fios dourados, esticados e iluminados de forma sublime, ocupam sozinhos uma sala escura da fundação. O ambiente tem, originalmente, paredes e teto decorados com afrescos feitos no começo do século 20 com motivos do século 17. Enquanto o visitante caminha em torno da instalação de Pape, os fios chegam a sumir na escuridão, mas reaparecem refletidos no grande espelho de moldura dourada que pertence à sala.

Stocchi —que, além de curador da mostra, é o responsável pelo programa artístico da Fondazione Carriero— conta que desde a abertura do espaço, em 2015, a intenção tem sido oferecer ao público diferentes leituras de nomes históricos da arte. “Vejo essa mostra da Lygia como uma continuação, um capítulo dois do caminho que começamos com a exposição de Sol LeWitt em 2017”, conta, lembrando o americano morto em 2007.

“A ideia foi tirar o trabalho do LeWitt desse paradigma do uso racional do grid e da geometria para colocá-lo em um campo mais sensível, em um aspecto mais emocional.”

Lygia Pape
Ter. a sab., das 11hr às 18hr, na Fondazione Carriero, via Cino del Duca, 4, Milão. Grátis. Até 21/7 

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