Anderson França, o Dinho, estreia coluna na Folha

O autor de 'Rio em Shamas', também empreendedor social e evangélico, vai escrever às terças, na edição digital do jornal

São Paulo

Cronista do subúrbio carioca, Anderson França, o Dinho, é o novo colunista da Folha. O autor de “Rio em Shamas” (ed. Objetiva), também empreendedor social e evangélico, vai escrever às terças, na edição digital do jornal. 

“Quero falar, mesmo com o olhar de periferia e carioca, de coisas que me dão curiosidade e prazer”, diz Anderson,  45, que pretende escrever nesse novo espaço “crônicas do cotidiano e análises sobre temas da diversidade racial, religiosa, cultural e de gênero”.

Com mais de 130 mil seguidores nas redes sociais, onde publica textos em que convivem humor e crítica social, o  escritor passou a maior parte da vida na zona norte do Rio. “Foram muitos bairros, porque meu pai tinha um certo problema com emprego, e isso impactava no aluguel, ou seja, éramos despejados com alguma frequência. O bairro onde morei por mais tempo na infância foi Cavalcante, no pé do Morro do Juramento.”

O escritor Anderson França, o Dinho. Evangélico e do subúrbio carioca, o autor de 'Rio em Shamas' foi morar em Lisboa depois de sofrer ameaças de morte - Alfredo Brant/Folhapress

Enquanto o pai guiava o périplo pelo subúrbio, a avó, missionária batista, apresentava o menino à religião. “Eu ia com ela pra igreja, lá fui mais bem alfabetizado que na escola pública”, diz ele, para quem os textos bíblicos foram “a primeira experiência literária”. 

“Crentes do subúrbio da década de 1970 não liam nem ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’, éramos uns ‘amishes’ suburbanos”, brinca. “Passei minha vida na igreja até os 36 anos. Nessa idade, eu já estava imerso em meus trabalhos na periferia, e isso envolvia conceitos amplos de diversidade. A igreja não deu conta de mim. Sou de uma geração de crentes críticos à própria igreja.”

Alvo de ameaças de morte por ter denunciado o discurso de ódio de fóruns virtuais e o abuso de milicianos em bairros onde viveu, França se mudou para Portugal com a mulher em 2018. “Fui aconselhado por amigos a vir, foi algo do qual precisei ser convencido.”

Ele relata três ameaças de morte e uma invasão à sua casa. “A ameaça mais conhecida foi a da Flip, quando ofereceram R$ 40 mil para que eu fosse executado lá. No caso dessa ameaça, era o mesmo grupo que já perseguia a [professora] Lola Aronovich, e [o ex-deputado] Jean Wyllys.” 

Escalado para um debate na programação paralela à Festa Literária Internacional de Paraty de 2017, o escritor participou por videoconferência. 

Sobre a saída do país, diz se sentir “violentado”. “Eu não queria estar em Lisboa, não tenho sonho europeu nenhum. Mas preciso viver.”

Criador da UniCorre, ou Universidade da Correria, escola de negócios populares no Complexo da Maré por onde passaram 4.300 alunos, Anderson planeja mais um livro. “Neste ano, tive que me adaptar a um novo país. Acho que em 2020 já terei a segunda obra, de crônicas também.”

História não falta. “Minha tia Doroteia me deu o nome e o apelido [Dinho]. E me livrou do nome que minha mãe queria: Marlôver”, conta. “Agora, de onde minha tia tirou esse nome? Na época, o dono da Claybom se chamava Anderson Clayton. Ou seja, fui salvo pela minha tia e por um pote de margarina.”

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