Novos colunistas da Ilustrada querem abordar diversidade, inclusão e sustentabilidade

Chef vegana Luisa Mafei vai escrever semanalmente, e a coluna do escritor Veny Santos será quinzenal

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São Paulo

Novos colunistas da Ilustrada, a chef vegana Luisa Mafei e o escritor Veny Santos pretendem tratar de inclusão e diversidade na Folha.

Com formação em ciências sociais e arte dramática, Luisa Mafei, 33, vive em Lisboa e escreverá semanalmente. O escritor, jornalista e sociólogo Veny Santos, 33, nasceu e mora em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo, e terá coluna quinzenal. Os textos estarão na versão digital.

Luisa Mafei diz que sua coluna vai tratar de temas relacionados ao veganismo e à sustentabilidade, mas não é destinada apenas aos veganos.

A chef vegana Luisa Mafei - Arquivo pessoal

“Quero falar com quem quer incluir mais vegetais e repensar os impactos da alimentação na nossa vida”, afirma.

A chef diz perceber que muitos querem ser veganos ou pelo menos aderir a uma proposta intermediária, como a de não comer carne às segundas-feiras, mas acabam desistindo por não terem aprendido a cozinhar com vegetais. “Há pratos deliciosos”, afirma. Por isso, em cada coluna, haverá uma receita 100% vegetal.

Mafei diz ainda que na sua infância consumia muito ultraprocessados. “Comia muita lasanha e pizza congelada. Era só jogar no micro-ondas.”

Ela afirma que a sua relação com a comida já foi conflituosa e sofreu uma guinada quando tinha 26 anos. “Sofri de transtornos alimentares, tive anorexia e bulimia.”

A chef resolveu então transformar a cozinha num lugar central de sua rotina com uma alimentação mais saudável. “Meu corpo recebia bem. Vi que era a hora de trocar a lógica restrita das calorias pela lógica inclusiva da saúde.”

Nessa época, era atriz —integrava o grupo Teatro do Osso— e ainda não era vegana. “Eu olhava isso como algo totalmente de outro mundo. Não era algo que me comovia. Via como exclusão, como algo que devia gerar muito sofrimento e não gerava empatia.”

Ela se tornou vegana há três anos. Totalmente sem experiência na gastronomia, se inscreveu para um estágio no Maní, restaurante paulistano que tem uma estrela Michelin.

“Não sei como me aceitaram. Percebi que gostava mais daquilo do que estar no palco. Comia de tudo, mas a questão de empatia animal começou a mexer comigo”, diz ela, que causava estranheza
pois chorava com os animais mortos na cozinha. Após essa primeira experiência, procurou restaurantes veganos.

Com um colega, ela promovia jantares na casa de interessados. “Eram cinco etapas e não falávamos que seria um jantar vegano, só no final, e as pessoas ficavam surpresas.”

A mudança para Portugal aconteceu pouco antes da pandemia. O objetivo inicial era estudar dieta macrobiótica, mas soube de um curso pioneiro de cozinha 100% vegetal na badalada Le Cordon Bleu, de Londres. “Isso me interessou muito. A cozinha francesa é cheia de manteiga.”

Mafei diz sentir falta de ver o veganismo nas mídias tradicionais, ainda um pouco à margem da sociedade, mas não quer rótulo. “Comida boa não precisa de legenda.”

O escritor, jornalista e sociólogo Veny Santos - Arquivo pessoal


Já o escritor Veny Santos diz que pretende fazer pontes da realidade da periferia com a zona central das cidades.

“Na infância, eu não conhecia nada além do quarteirão. Minha avó costumava chamar o centro de cidade”, afirma. “Quero fazer menções a cantos que ainda não tenham sido devidamente observados.”

Essa perspectiva a partir da periferia é perceptível em “Batida do Caos”, de 2017, coleção de contos, que o autor costumava publicar em um blog “escondido”. “Só alguns amigos tinham acesso”, ele conta.

O filho de uma diarista e de um metalúrgico aposentado afirma que escrever se tornou um hábito para extravasar. “Sempre fui muito mais de escrever do que de conversar.”

Nesta Folha, a autora Marilene Felinto o comparou a J. D. Salinger, de “O Apanhador no Campo de Centeio”, mas com ponto de vista da periferia.

O novo colunista disse que não conhece o clássico. “Fiquei curioso para ler. Sei que é uma figura muito importante na literatura mundial”, disse ele. “Mas gostei do que estava escrito. Ela captou questões centrais da minha escrita.”

O escritor diz ter duas grandes influências, a rua e “Sobrevivendo no Inferno”, álbum dos Racionais MCs. “Era algo que estava tocando nas festas ou quando alguém estava lavando um carro. Percebi pelas letras que também conseguia me explicar, que eu também vejo o mundo desse lugar.

Ele diz já ter um tema para sua estreia. “Quero falar sobre a diversidade como estratégia de sobrevivência, não só como celebração da pluralidade.”

Santos conta que sua infância foi num ambiente muito diversificado. “E a sobrevivência implicava superar essas diferenças. Houve muita ajuda, muito empréstimos.”

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