PIB reage e cresce 0,8% no terceiro trimestre

Houve melhora no ritmo de recuperação, mas muito ligada à fraca base de comparação do 2º tri

Flavia Lima Lucas Vettorazzo
Rio de Janeiro

A economia brasileira cresceu 0,8% no terceiro trimestre, em relação aos três meses anteriores, informou nesta sexta-feira (30) o IBGE. Em valores correntes o PIB alcançou no período R$ 1,716 trilhão.

É a maior taxa nessa comparação desde o primeiro trimestre de 2017, quando o PIB cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior. Considerando apenas os terceiros trimestres é o melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2012.

Houve melhora no ritmo de recuperação da atividade, mas muito ligada à fraca base de comparação do segundo trimestre.

O resultado veio igual ao esperado pela maior parte dos analistas do mercado financeiro consultados pela agência Bloomberg. A percepção, segundo o Instituto Fiscal Independente, do Senado, é que a recuperação segue em ritmo moderado.

O PIB completou período de sete altas consecutivas no terceiro trimestre deste ano. Apesar disso, destacou a coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis, os dados da economia ainda estão distantes de recuperar perdas dos últimos dois anos.

"Nós observamos o crescimento contínuo do PIB, mas com taxas que não consideramos expressivas", disse ela.  

A agropecuária teve crescimento de 0,7%, e a indústria, 0,4%. Os serviços cresceram 0,5% e, segundo o IBGE, puxaram o PIB.

“Apesar de a agropecuária ter apresentado o maior crescimento, foram os serviços que mais influenciaram a taxa, já que são o setor de maior peso no PIB”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O destaque ficou com transporte, armazenagem e correio, que cresceram 2,6%. “Esse crescimento tem a ver com a greve dos caminhoneiros, um efeito de compensação após a paralisação ocorrida no segundo tri”, disse a pesquisadora.

Ela destacou o crescimento do comércio, alinhado ao aumento do consumo das famílias. "O crescimento do PIB deve-se, portanto, ao crescimento da demanda interna".

Na agropecuária, o destaque foi de café e algodão, que tiveram ganho de produtividade. Por outro lado, cana-de-açúcar, mandioca, laranja e milho tiveram desempenho fraco.

Na indústria o destaque foi para indústrias de transformação, com alta de 0,8%. As indústrias extrativas e a construção subiram 0,7%.

COMPARAÇÃO ANUAL

Em relação ao terceiro trimestre de 2017, quando o país deixava a recessão para trás, a alta do PIB foi de 1,3%. Esse resultado, porém, ficou abaixo do esperado por analistas que, segundo a Bloomberg, previam alta de 1,6% nessa base de comparação.

Sobre o mesmo período do ano passado, a agropecuária subiu 2,5%, puxada pelo crescimento e ganho de produtividade do café (26,6%) e algodão herbáceo (28,4%). A indústria teve alta de 0,8%, com destaque para a indústria de transformação (1,6%), cujo desempenho foi favorecido  pelo aumento da fabricação de veículos, entre outros.

Ainda nessa base de comparação, os serviços cresceram 1,2%.

NO ANO

No acumulado em 2018, a economia cresceu 1,1%, segundo o IBGE. Indústria (0,9%) e serviços (1,4%) cresceram, enquanto a agropecuária caiu 0,3%.

No acumulado dos quatro trimestres encerrados em setembro, a alta do PIB é de 1,4%

A previsão do governo é que a economia brasileira termine o ano com uma expansão de 1,4%, em linha com o que esperam economistas do mercado.

No início do ano, antes da paralisação dos caminhoneiros, ocorrida em maio, os economistas previam que o crescimento poderia encostar nos 3%.​

O IBGE revisou para baixo o resultado do PIB no segundo trimestre em relação a igual trimestre do ano anterior. Em vez de uma alta de 1%, em relação ao primeiro trimestre, o PIB cresceu 0,9%. No primeiro trimestre, nada mudou (alta de 1,2%). 

Com relação ao trimestre imediatamente anterior, o segundo trimestre trimestre não mudou (alta de 0,2%) e o primeiro trimestre saiu de uma alta de 0,1% para alta de 0,2%.  

As revisões ocorrem porque mais dados chegam ao IBGE, que vai calibrando as informações.

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