Descrição de chapéu Previdência Governo Bolsonaro

Se tiver reação grande, tira da proposta, diz Bolsonaro sobre capitalização na Previdência

Presidente recebeu jornalistas para café da manhã no Planalto

Sérgio Dávila
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro reconheceu nesta sexta-feira (5) que o regime de capitalização, previsto na reforma previdenciária enviada à Câmara, pode ser retirado durante a tramitação da proposta.

Em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, ele ressaltou que se a medida tiver uma reação negativa no Poder Legislativo, ela pode ser retirada. A Folha foi convidada para o encontro.

"Se tiver reação grande, tira da proposta. Alguma coisa vai tirar, tenho consciência disso", afirmou.

Participaram do encontro com o presidente: Sérgio Dávila (Folha de S.Paulo), João Caminoto (O Estado de S. Paulo), Alan Gripp e Paulo Celso Pereira (O Globo), Vera Brandimarte (Valor Econômico), Aruana Brianezi (A Crítica), Linda Bezerra (Correio da Bahia), Carlos Marcelo Carvalho (Estado de Minas), Leusa Santos (Folha de Pernambuco), Leonardo Mendes Júnior (Gazeta do Povo), Gerson Camarotti e Natuza Nery (Globonews), Luciana Gimenez (Rede TV), Eduardo Ribeiro (TV Record) e Carlos Etchichury (Zero Hora).

Presidente da República Jair Bolsonaro, durante transmissão de live para as redes sociais
Presidente da República Jair Bolsonaro, durante transmissão de live para as redes sociais - Marcos Corrêa - 4.abr.2019/PR/Divulgação

A adoção do regime tem sido criticada inclusive por partidos simpáticos ao presidente. Para eles, a iniciativa não é factível.

Em depoimento na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), na última quarta-feira (3), o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a capitalização e disse que ela segue "princípios saudáveis".

No café da manhã, Bolsonaro disse ainda que não entende de economia e ressaltou que foram os economistas quem "afundaram o Brasil".

"Minha sugestão é evitar mais dispositivos na PEC. Teto e tempo de serviço são mais importantes, o resto é depois", disse.

À tarde, Bolsonaro voltou a falar sobre Previdência. Disse que "pode deixar para outra oportunidade" a capitalização e que mantém a expectativa de votar a PEC (proposta de emenda à Constituição) até julho.

"Nós queremos aprovar o que está aí. Se a capitalização, os parlamentares entenderem que está complicado, difícil de explicar agora, eles podem decidir deixar para outra oportunidade. A gente gostaria que a proposta que chegou lá fosse aprovada na íntegra, mas, com toda certeza, vai ser aperfeiçoada por parte do Parlamento", disse Bolsonaro após participar da inauguração da ouvidoria da Presidência da República.

Ao comentar a confusão na CCJ no dia do depoimento de Guedes, ele atacou a oposição.

"Não, eu sei que funciona desta maneira a oposição. Aquilo não é oposição, né? Aquilo lá é um pelotão de fuzilamento. Este pessoal não quer o bem do Brasil, quer o pior. Eles têm tudo agora para apresentar uma proposta alternativa se a nossa não for boa", afirmou.

Colaborou Gustavo Uribe

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