Descrição de chapéu Governo Bolsonaro Previdência

Governadores terão dificuldade para reverter decisão de punir aliados que votarem pela Previdência

Partidos de oposição dizem que estratégia de Maia para angariar votos não deve prosperar

Angela Boldrini Thiago Resende
Brasília

Apesar do discurso do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de seus aliados de que governadores da oposição devem ajudar a aprovar a reforma da Previdência, estes devem ter dificuldades para influenciar seus partidos.

Chefes do Executivo estadual de siglas como PSB e PT têm mantido diálogo com o presidente da Casa. Suas legendas, porém, dizem que não devem ser influenciadas e manterão fechamento de questão contra a mudança nas regras de aposentadoria.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, afirmou à Folha que seu partido deve se posicionar contra a reforma e pode punir deputados que votem a favor do texto. "Como nós fizemos com a trabalhista, expulsamos parlamentares", disse.

A sigla fechou questão por enquanto contra o texto que foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), e voltará a se reunir para debater a proposta que sair da comissão especial, segunda fase da tramitação.

É neste ponto que Maia espera que o governador Paulo Câmara (PE) atue para que o partido não impeça deputados ligados a ele de votarem pelo texto.

Siqueira, porém, rechaça essa possibilidade e diz que a influência do presidente da Câmara não terá lugar no posicionamento do partido.

"Tanto que na eleição nós ficamos contra ele", afirmou. No pleito para a Mesa Diretora, Maia tentou trazer o partido oposicionista para seu bloco, mas o grupo do presidente do partido, que era contrário à aliança, prevaleceu.

O PT, que possui quatro governos estaduais no Nordeste, deve seguir o mesmo caminho. Apesar das conversas entre os governadores com Maia, a sigla deve manter a punição estatutária àqueles que votarem contra seu posicionamento.

A sigla já fechou questão e não deve rever sua posição, diz a presidente Gleisi Hoffmann (PR).

"Não reverteremos. E antes de fechar, tivemos uma conversa com nossos governadores, foi um documento consensual", diz a deputada, que é membro da comissão especial que analisa o mérito da proposta e pode retirar dela a extensão para estados e municípios.

Apesar disso, governadores como Wellington Dias (PI) e Camilo Santana (CE) já demonstraram simpatia pela reforma da Previdência.

Hoje são nove os governadores ligados a partidos de oposição ao governo de Jair Bolsonaro. A maior parte deles concentrada no Nordeste do país.

Existe um debate sobre se governadores (que têm sido usados como articuladores) são mesmo capazes de influenciar o voto de bancadas, que tendem a ser mais fiéis aos seus partidos.

O fechamento de questão aumenta a dificuldade para que os chefes do Executivo estadual revertam votos. Isso porque como a deliberação é aberta, é possível medir o nível de fidelidade dos parlamentares — e as siglas podem revidar com advertências e até expulsão. 
 

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