A empresários europeus, Fiesp tenta desfazer imagem ruim sobre queimadas

Estavam presentes representantes da Louis Vuitton, Mercedes, PNB Paribas e Nestlé

Arthur Cagliari
São Paulo

Em reunião realizada com representantes de aproximadamente 40 companhias europeias no Brasil, como Louis Vuitton, Mercedes, PNB Paribas e Nestlé, a Fiesp (Federação Nacional das Indústrias do Estado de São Paulo) tentou desconstruir a imagem ruim do Brasil sobre as queimadas que ocorrem na região amazônica
 
Durante a reunião, o gerente de agronegócio da entidade, Antônio Carlos Costa, apresentou um estudo baseado em informações coletadas pelo IBGE, Embrapa e INPE sobre a floresta amazônica e sua vegetação.
 
Em sua fala, Costa disse que o Brasil reporta os dados de queimadas da Amazônia Legal, cuja área, segundo os dados apresentados, abrange não só a floresta tropical (e úmida), mas também ambientes de transição e parte do Cerrado —estas últimas com vegetações mais propensas a queimadas naturais.
 
“A Floresta Amazônica não é homogênea. Há incrustamento de cerrado dentro dela. É fundamental compreender essa informação”, afirmou Costa.

Na apresentação, Costa também mostrou que 84% do bioma Amazônia estão recobertos com por vegetação nativa. Além disso, ele disse que nos acordos internacionais sobre o clima, o Brasil está avançado nas principais metas.
 
No acordo de Copenhague, por exemplo, o país teria que reduzir as emissões de CO2 em 1,24 gigatoneladas até 2020. Segundo sua apresentação, com a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, o país já mitigou as emissões em 2,28 gigatoneladas.
 
Já para o Acordo de Paris, a meta do Brasil em ter 28% em energia renovável (exceto hidrelétricas) já teria sido alcançada, uma vez que 32,7% de sua matriz hoje é composta por esse tipo de energia.
 
Ao apresentar dados que mostravam um quadro mais agravante neste ano (como o caso das queimadas no acumulado de janeiro a agosto, cujos focos de 2019 ultrapassam a média dos últimos 20 anos), Costa explicou que a média anual pode ser ainda ajustada pelo regime de chuvas que virá nos próximos meses.
 
Segundo o presidente da entidade, Paulo Skaf, a proposta do encontro foi mostrar aos executivos que o que está acontecendo está dentro da normalidade, e que há uma seriedade no país no cuidado do meio ambiente.
 
“Um verdadeiro incêndio não é aquele das queimadas, porque estas sempre ocorreram historicamente. Em alguns anos menos, em outros, mais. O incêndio foi a imagem do Brasil lá fora, porque foi injustamente, já que cumprimos todos os acordos internacionais.”
 
Na avaliação do presidente do Grupo francês LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy) para a América Latina, Davide Marcovitch, afirmou que a reunião foi importante para esclarecer a situação do país.
 
“Fico abismado quando vejo muitas pessoas que nunca pisaram na Amazônia dando seu palpite. Conheço a realidade, e não é nada disso do que estão falando. As queimadas sempre tiveram, é uma coisa sadia”, disse.

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