Facebook dobra capacidade de servidores do WhatsApp com crise de coronavírus

Empresa pode desembolsar US$ 45.000 para distribuir a funcionários que fiquem em casa

São Paulo

Em um conjunto de medidas que adotou nos últimos dias para gerenciar potenciais crises com o avanço do novo coronavírus, o Facebook anunciou nesta quarta-feira (18) que dobrou a capacidade de servidores do WhatsApp para que o aplicativo continue “funcionando de forma sólida”.

O Brasil é um dos principais mercados para o aplicativo de mensagens instantâneas, que tem 2 bilhões de usuários no mundo. O WhatsApp não tem servidor no país.

Em uma teleconferência que durou mais de uma hora com jornalistas de diversos países, Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, falou brevemente sobre os planos para o WhatsApp no contexto da pandemia.

Mark Zuckerberg, presidente do Facebook; ele anunciou medidas da companhia na crise do coronavírus
Mark Zuckerberg, presidente do Facebook - AFP

Para evitar notícias falsas, ele destacou medidas implementadas anteriormente no aplicativo, como a limitação do encaminhamento de mensagens para contatos do WhatsApp. Esse recurso foi adotado para conter fake news em países como Índia e Brasil, após episódios danosos durante as eleições.

O executivo reiterou que há uma série ações preventivas "que não envolvem a quebra da criptografia de ponta a ponta". Esse recurso de segurança foi objeto de uma queda de braço recente entre a empresa e alguns reguladores, que defendem acesso ao conteúdo privado do WhatsApp em investigações.

“Nossos times estão trabalhando para que os servidores sigam operando da mesma forma”, disse, ao citar o aumento do tráfego na comunicação pessoal via aplicativo durante essa crise.

Em locais como a Itália, um dos países mais afetados pelo vírus, as chamadas de vídeo e áudio no WhatsApp e no Messenger mais que dobraram na comparação com a mesma época de 2019.

No país europeu, as visualizações de transmissões ao vivo no Facebook e Instagram dobraram na última semana, de acordo com a empresa.

Ainda sobre o WhatsApp, o Facebook disse que doou US$ 1 milhão para a International Fact-Checking Network, uma organização de combate a notícias falsas, “para que expandam a presença de agências de checagem de fatos locais no WhatsApp”.

Zuckerberg também mencionou o trabalho de revisores terceirizados, profissionais responsáveis por moderar, em tempo real, conteúdos que infrinjam políticas de uso Facebook. Esses times analisam as publicações sensíveis (como um potencial suicídio) que os sistemas de inteligência artificial não derrubaram sozinhos da rede social.

As informações sobre o coronavírus, agora, entram no rol de conteúdos a serem analisados com reforço. Assim como o resto dos profissionais que trabalham em casa, os checadores —que dispõem de suporte psicológico nos centros de moderação—, também entraram em regime de home office.

“Também estou trabalhando de casa”, disse Zuckerberg.

O Facebook não fala oficialmente sobre o assunto, mas vai dar US$ 1.000 a cada funcionário que colaborar com o esforço de trabalhar remotamente. A empresa emprega cerca de 45.000 pessoas. Convertendo para a moeda local, é como se cada funcionário recebesse R$ 5.210.

Em um comunicado nesta quarta, a companhia disse que vai bloquear ou restringir "hashtags usadas para espalhar informações erradas no Instagram" e que realizará "varreduras proativas para encontrar e remover o máximo possível desse tipo de conteúdo”.

Na terça (17), Sharel Sandberg, diretora de operações da companhia, anunciou US$ 100 milhões a 30 mil pequenos negócios em 30 países, num esforço de tentar auxiliar contra baque econômico que está por vir.

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