Bolsonaro volta a criticar pesquisa de emprego do IBGE

Para o presidente, metodologia atendia a outros governos e pode mudar

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São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar nesta quinta-feira (8) a Pnad Continua (indicador de desemprego), em uma repetição do que já havia feito há dois anos.

"Estamos criando empregos formais mês a mês. Mas tem aumentado o desemprego por causa dessa metodologia do IBGE que atendia ao governo da época", disse em entrevista à CNN. "No meu entender, é o tipo (de metodologia) errado. Pode mudar. É só ver o número de carteiras assinadas mês a mês. Saber se está aumentando e quantos estão na informalidade".

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro foi de 14,2%, a pior para o período desde o início da pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2012. Ao todo, 14,3 milhões de brasileiros estavam em busca de uma vaga no período.

Esse é, segundo o IBGE, o maior número de desempregados desde o início da série histórica da pesquisa. São cerca de 200 mil pessoas a mais do que no trimestre anterior, encerrado em outubro, e 2,4 milhões de pessoas a mais do que no mesmo trimestre de 2020, antes do início da pandemia.

Para Bolsonaro, o aumento está relacionado aos trabalhadores informais que perderam o "ganha-pão" por causa da pandemia, passaram a procurar emprego formal e agora são considerados desempregados, de acordo com a metodologia do IBGE.

"Vendiam churrasquinho de gato, água mineral no sinal, um biscoito na praia, um sorvete na arquibancada de futebol...", ele disse. "Não tem mais como catar latinha por aí, procuraram emprego".

Segundo o presidente, são criados empregos formais mês a mês e o desemprego aumenta por causa da metodologia do IBGE.

O presidente Jair Bolsonaro durante anúncio do novo auxílio emergencial, no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira/Folhapress

Em abril de 2019, em entrevista à TV Record, Bolsonaro disse que a taxa de desempregados leva em consideração apenas quem está procurando emprego e, no caso de quem não está nesta condição, seja porque recebe Bolsa Família ou auxílio reclusão, não é classificado como desempregado.

O presidente disse ainda que, quando há uma melhora no emprego no país, essas pessoas que recebem os benefícios passam a procurar emprego e, assim, entram no contingente de desempregado, aumentando o percentual.

"É uma coisa que não mede a realidade, parece que são índices que são feitos para enganar a população", afirmou.

Na época, o IBGE explicou, em nota, que a metodologia segue das recomendações da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

"A utilização de conceitos, classificações e métodos internacionais pelos órgãos de estatística de cada país promove a coerência e a eficiência dos sistemas de estatística em todos os níveis oficiais, conforme preconizam os Princípios Fundamentais das Estatísticas Oficiais", informou o IBGE há dois anos.

Na nota, o IBGE afirmou que a situação dos membros das famílias que recebem o Bolsa Família também é computada na pesquisa do Pnad.

Em 2019, especialistas ouvidos pela Folha avaliaram que a fala do presidente pode gerar preocupações entre investidores, pesquisadores e analistas quanto à interferência política no órgão.

METODOLOGIA

A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), apurada pelo IBGE, divulga o número de pessoas desocupadas no país. São classificadas nessa categoria as que não têm emprego mas estão em busca de uma ocupação. Aquelas que não possuem emprego, mas deixaram de buscar por uma vaga por falta de perspectiva, fenômeno chamado de desalento por economistas, não são contabilizadas.

A metodologia segue as recomendações dos organismos internacionais. A prática garante, entre outras coisas, que analistas e pesquisadores comparem o comportamento do mercado de trabalho no Brasil com o de outros países e que o país tenha suas estatísticas descritas em relatórios internacionais.

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