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Corretoras nos EUA atendem brasileiros; veja como investir no exterior

Juros baixos, instabilidade política e risco fiscal impulsionam fluxo para fora do Brasil

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São Paulo

Investir em ativos no exterior é uma das alternativas para quem deseja diversificar suas carteiras em um cenário de juros baixos, instabilidade política e risco fiscal do Brasil.

“São movimentos que acontecem especialmente quando pessoas desconfiam da moeda e veem as opções aqui limitadas. O pessimismo no Brasil hoje é muito grande”, diz Ruy Alves, gestor da Kinea.

“O mercado americano começou a ficar muito atrativo para as pessoas e aumentou o fluxo de brasileiros com pequenos aportes”, diz Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.

Para ele, as vantagens do mercado de renda variável americano são maior número de produtos e maior maturidade.

Cédula de dois dólares
Cédula de dois dólares; nos EUA, investidor tem acesso a uma gama maior de investimentos - Gabriel Cabral/Folhapress

Veja abaixo opções para investir fora do Brasil.

Quais são as opções de investimentos indiretos no exterior?

Uma opção simples para quem está começando são investimentos indiretos, como BDR (recibo depositário de ações, na sigla em inglês), negociado na Bolsa de Valores brasileira da mesma forma que ações. Ele permite investir em ações listadas em outros países por meio de um recibo emitido por um banco. Além da variação diária do papel correspondente no exterior, o BDR reflete a flutuação do câmbio.

Nessa operação, ficam com os bancos cerca de 3% a 5% do dividendo que vem do exterior. Além disso, 30% do dividendo é retido na fonte pelo governo americano.

BDRs estão sujeitos à mesma tributação de ações, de 15% do lucro —ou 20% no caso do day trade (compra e venda no mesmo dia), e pode ser usado com outos ativos do investidor na compensação com perdas e ganhos na Bolsa mensalmente.

Para pagamento de dividendos, há uma alíquota progressiva de 7,5% a 27,5% para valores acima de R$ 1.903,98 ao mês.

Nos EUA, após calcular a conversão de dólares para reais de acordo com a taxa de câmbio nos dias da venda dos ativos —neste caso, o dólar de compra divulgado pelo Banco Central—, estão isentas as vendas mensais até R$ 35 mil.

Outra diferença é que dividendos recolhidos diretamente nos EUA não podem ser usados na para compensação de perdas com ganhos. Ou seja, paga-se imposto no eventual ganho com uma ação mesmo se houver perda de outra ação vendida no mês. O ganho está sujeito a tabela progressiva do IR, podendo chegar a 22,5%. Até R$ 5 milhões, a incidência é de 15%. No caso do BDR, o imposto é fixo em 15%.

Além disso, o BDR é menos negociado que as ações estangeiras originais tendo uma menor liquidez, o que pode acarretar distorções nos preços de negociação. Por exemplo, quem quer comprar um BDR talvez aceite pagar menos que o valor desejado pelo vendedor, que pode aceitar a oferta menor ou ficar sem fazer o negócio, já que não há muita procura.

Como o BDR é um recibo emitido por um banco lastreado em uma ação, o papel original da empresa estrangeira não vai para o nome do comprador do BDR no Brasil, pois ele estará já no nome do banco que emitiu o BDR.

Já o ETF dá a possibilidade de investir indiretamente em um índice acionário estrangeiro, como o americano S&P 500. Há ETFs no Brasil que replicam o mercado de outras regiões, como China e Europa.

Para investir diretamente, é preciso abrir uma conta em corretora estrangeira?

Sim. Para abrir uma conta em uma corretora estrangeira pela internet, são exigidos passaporte ou documento de identidade e comprovante de residência. Algumas instituições pedem cópia do Imposto de Renda. Para clientes de alta renda do segmento private de grandes bancos brasileiros, a conta pode ser aberta no braço estrangeiro da instituição.

Com a conta aberta, é preciso enviar os recursos para fora do país, geralmente em dólares, com incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 0,38% por remessa.

As aplicações devem ser reportadas à Receita Federal trimestralmente e, quando há ganho, os valores são tributados aqui no Brasil, segundo a mesma tabela do Imposto de Renta para investimentos no Brasil.​

Se a soma dos ativos fora do Brasil no último dia do ano ultrapassar US$ 1 milhão, os investimentos também devem ser informados ao Banco Central, de acordo com o calendário de declarações de capitais no exterior.

O investidor também precisa ter atenção ao imposto sobre herança que, em investimentos em ações americanas que some mais de US$ 60 mil, chega a 40% em alguns estados americanos, enquanto no Brasil, vai até, no máximo, 8%, dependendo do estado.

Quais são os custos e taxas?

Cada corretora no exterior também tem um custo fixo por transação e pode haver custo para manutenção da conta. Nem todas, porém, aceitam como clientes não residentes nos EUA, caso da popular Robinhood.

Entre as que aceitam brasileiros, estão a tradicional Charles Schwab, a DriveWealth, a Passfolio, a Interactive Brokers, a Just2Trade, a Ameritrade e a Avenue —esta, voltada a brasileiros, exige menos documentos e auxilia o cliente a declarar os ativos no exterior no Imposto de Renda.

Para Roberto Agi, planejador financeiro CFP pela Planejar, é preciso olhar além dos custos para escolher uma corretora. “Se você tiver um problema, com quem vai falar? Qual o atendimento? O que está incluso?”, afirma.

Charles Schwab

  • Para estrangeiro abrir conta é preciso depositar, no mínimo, US$ 25 mil;
  • Não há cobrança de comissão e nem taxa de corretagem na negociação de ações, a menos que o investidor necessite de ajuda de um operador. Neste caso, há cobrança de US$ 25 por operação;
  • Não tem versão em português.

DriveWealth

  • Taxa adicional única de US$ 5 para estrangeiros;
  • Taxa de US$ 0,0125 por ação, com um mínimo de US$ 2,99 por transação;
  • Para ações fracionadas (negociadas em partes menores), a corretora cobra US$ 0,99 por transação;
  • Tem uma versão em português do seu site.

Passfolio

  • Taxa de US$ 0,02 para negociar ações, ETFs, FIIs (fundos de investimento imobiliários) e ADRs (recibos depositários de ações estramgeiras negociados nos EUA) por ativo, se ele for cotado abaixo de US$ 5. Se for mais caro, a taxa é zero;
  • Tem uma versão em português do seu site.

Interactive Brokers

  • Taxa de US$ 0,005 por ação, com um mínimo de US$ 1 por operação e máximo de 1% do valor da operação;
  • Caso o investidor opte por usar o serviço mais simplificado da corretora, o IBKR Lite, a compra e venda de ações e ETFs listados nos EUA é livre de comissão;
  • Não tem opção em português.

Just2Trade

  • A versão mais simples, tem taxa de comissão zero;
  • A taxa de corretagem varia de acordo com o ativo e o país em que ele é negociado. Para ações americanas, o custo é US$ 0,006 por papel, com um mínimo de US$ 1,5;
  • Não tem opção em português.

Ameritrade

  • Para a compra e venda de ações americanas, ETFs e opções, não cobra comissão.
  • Para opções, há uma taxa de US$ 0,65 por contrato;
  • Não tem opção em português.

Avenue

  • Corretora nos EUA voltada a brasileiros. O site é em português e são pedidos menos documentos.
  • São oferecidos dois planos: o premium e o zero.
  • O zero é gratuito em até dez operações por mês. Depois, seguem o mesmo preço do premium, que varia de acordo com o valor da transação;
  • O premium tem corretagens fixas: até US$ 100,00, se paga US$ 1,00; entre US$ 101,01 e US$ 1.000,00, US$ 1,50; entre US$ 1.000,01 e US$ 2.000,00, US$ 4,30 e para operações acima de US$ 2.000,00, US$ 8,60;
  • Auxilia o cliente na hora de declarar os ativos no exteior no Imposto de Renda.

Para ver outras opções de corretoras com autorização da SEC (a CVM dos EUA), acesse: https://www.sec.gov/help/foiadocsbdfoiahtm.html

Quais são as opções de investimento direto no exterior?

Com a conta aberta, é hora de escolher o ativo. Para isso, é preciso entender sua natureza, riscos e setor. Caso o investidor não tenha conhecimento e capacidade de acompanhar o mercado de perto, especialistas recomendam o investimento em fundos.

Segundo Agi, da Planejar, os custos operacionais de investir no Brasil e nos EUA são parecidos, por isso a decisão não deve ser tomada pensando apenas nesse critério. Comprar ações nos EUA é estar mais sujeito ao desempenho da economia americana. Além disso, há a exposição ao dólar, outro ativo de risco.

“Não especule mandando dinheiro para fora, mande apenas para diversificar com foco no longo prazo”, afirma

Alves, da Kinea, considera como o principal atrativo de ativos estrangeiros a possibilidade de investir em setores que não estão representados na Bolsa brasileira, como big techs. “Para a pessoa física levar e trazer dinheiro de fora há custos. Não é trivial, precisa de planejamento.”

São inúmeras as possibilidades de invetsimento no exterior. As principais e mais atrativas são: ações, ADRs, ETFs, fundos de investimento (em ações, imobiliário, multimercado), bonds (títulos de dívida como debêntures) e Treasuries (títulos do Tesouro americano).

Nos fundos, gestores especializados fazem a escolha dos papéis para o investidor, acompanhando o mercado diariamente e substituindo posições para aumentar o lucro, com o custo de uma taxa de admonistração.

Vale a pena abrir uma offshore?

​Para o público de alta renda, a criação de uma offshore pode ser uma alternativa na redução de custos com impostos e com a taxa de câmbio.

Segundo especialistas, com uma quantia no exterior acima de US$ 300 mil (R$ 1,6 milhão) já é vantajoso abrir uma offshore (empresa aberta no exterior), que tem custos anuais de, em média, US$ 2 mil em taxas locais e US$ 3 mil em contabilidade.

A preferência, geralmente, é por países com menos tributações, como Panamá, Bahamas, Ilhas Cayman e Ilhas Virgens Britânicas.

Com uma offshore, não se paga Imposto de Renda sobre os dividendos recebidos dos investimentos ou o lucro na venda de ações, por exemplo, no momento da realização desse ganho. Também não é necessário arcar com taxas de câmbio a cada transação, já que a conta da offshore pode ser em diversas moedas, como dólar e euro.

Só há incidência de imposto quando o sócio da empresa transfere ou retira o dinheiro da offshore para sua conta corrente de pessoa física, seja no Brasil ou em qualquer outro país. É cobrada a alíquota de IR de 15% a 22,5% de ganho de capital sobre a variação cambial positiva. Caso a retirada seja feita como distribuição de lucro, há incidência de IR alíquota de 27,5% (carne-leão).

Para abrir a empresa, é preciso procurar um escritório de advocacia ou empresas especializadas nesse serviço.

Abrir uma offshore não é ilegal, desde que feito de acordo com as leis do Brasil e do país em que a empresa está sediada.

Também é preciso prestar contas à Receita Federal e pagar os impostos devidos.

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