Lockdowns devem ter impacto econômico menor do que no início da pandemia, diz FMI

Além de isolamento restrito, mais setores estão preparados para trabalho remoto

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São Paulo

O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que lockdowns e outras medidas de restrição de circulação para conter o avanço do novo coronavírus terão menos impacto na atividade econômica este ano do que tiveram no início da pandemia de Covid-19.

Em relatório, a instituição avalia que os lockdowns terão peso reduzido, por serem de menor escala e mais concentrados do que foram em 2020. Além disso, um número maior de setores da economia está mais adaptado ao trabalho remoto e ao distanciamento agora do que quando a Covid-19 eclodiu e pouco se sabia sobre a doença.

Nas economias desenvolvidas, ainda são esperadas restrições ocasionais à circulação de pessoas, para tentar conter a propagação de novas cepas do vírus. Conforme a população mais vulnerável for vacinada, porém, espera-se que as atividades sejam retomadas e ocorra uma aceleração do consumo, impulsionada inclusive pela demanda reprimida nos últimos meses.

Centro de Araraquara (SP) com ruas vazias durante lockdown
Araraquara (SP), durante lockdown para evitar colapso dos hospitais - Rubens Cavallari - 11.mar.2021/Folhapress

Para os mercados emergentes, o ritmo lento de compra de vacinas sugere que a proteção contra o vírus permanecerá distante para a maioria da população. Assim, mais lockdowns e medidas de distanciamento ainda podem ser necessários até o ano que vem, aumentando a distância no ritmo de recuperação entre esses países e as economias desenvolvidas.

Na visão do fundo, o acesso desigual dos países às vacinas vai ditar o ritmo de recuperação: enquanto nos países ricos e em alguns emergentes é esperada uma oferta ampla de imunizantes ao longo deste ano, boa parte do mundo terá mesmo de esperar pela vacina até a segunda metade de 2022.

"Os caminhos divergentes de recuperação provavelmente criarão lacunas significativamente maiores nos padrões de vida entre os países em desenvolvimento e os outros", escreveu a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, no documento. Ela também avaliou que a perda de PIB per capita (uma das formas de medir o padrão de vida) deve ser maior entre os emergentes.

A indústria está tentando produzir três vezes o nível normal de vacinas, mas enfrenta gargalos, como o fornecimento de insumos. "Os países, portanto, precisam trabalhar juntos para garantir uma ampla quantidade de vacinas em todo o mundo", disse a economista do FMI.

No começo do mês, a instituição reforçou que o Brasil deveria dar prioridade ao programa de vacinação para que a recuperação não perdesse força. O FMI reconhece que as medidas de apoio à população, como o auxílio emergencial, evitaram que o país tivesse uma queda maior no ano passado, mas adverte que muito ainda precisa ser feito em 2021.

Na quarta-feira (21), no entanto, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, revisou o calendário de vacinação contra a Covid-19 no Brasil e adiou o fim da imunização do grupo prioritário em quatro meses, de maio para setembro.

Nesse cenário, após uma queda acentuada em 2020, uma recuperação tímida é esperada para a América Latina e o Caribe em 2021. O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil deve crescer 3,7% e a previsão de crescimento para a região (4,6%) fica abaixo da média mundial, de 6%.

Já para o PIB global, considerando o avanço da vacinação em parte do mundo, as projeções mais recentes do FMI para 2021 e 2022 são, respectivamente, 0,8 e 0,2 ponto percentual maiores do que no ano passado.

Esse otimismo considera os pacotes fiscais de recuperação econômica lançados por alguns países, como os Estados Unidos, que aprovou um estímulo de US$ 1,9 trilhão em março. A ajuda deverá impulsionar ainda mais o PIB americano, tanto em 2021 quanto no ano seguinte, com impactos significativos para os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos.

Com isso, a projeção é de uma recuperação global mais robusta no segundo semestre, estimulada pelo avanço na produção de vacinas. O FMI estima que os Estados Unidos retornem aos níveis de atividade de antes da pandemia já no primeiro semestre deste ano. Na zona do euro e no Reino Unido, a recuperação tende a ser mais lenta: ela deverá permanecer abaixo dos níveis pré-Covid até 2022.

O FMI lembra que, com exceções (como Chile e México), a maioria dos países latinos não garantiu vacinas suficientes para imunizar suas populações.

Outra exceção é a China, onde medidas eficazes de contenção da doença e investimentos públicos facilitaram a forte recuperação do país, que foi um dos poucos a ter PIB positivo em 2020 e deve crescer 8,4% este ano, segundo o FMI. A expectativa é que a economia chinesa continue influenciando as projeções de crescimento global no médio prazo.

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