Descrição de chapéu Financial Times

Tesouro dos EUA defende alta de impostos para conter déficit

Secretária Janet Yellen defende obrigações mais altas a empresas e americanos mais ricos para financiar gastos em infraestrutura

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James Politi
Washington | Financial Times

Janet Yellen, secretária do Tesouro dos Estados Unidos, pediu que o Congresso aprove o plano da Casa Branca de pagar por seus programas de investimentos de US$ 4,1 trilhões (R$ 22,1 trilhões) com aumentos de impostos, afirmando que o país precisa conter os deficits federais em longo prazo.

Falando no sábado (1º), Yellen defendeu a tentativa do presidente Joe Biden de impor obrigações mais altas a empresas e aos americanos mais ricos para financiar os gastos em infraestrutura de US$ 2,3 trilhões (R$ 12,51 trilhões) e US$ 1,8 trilhão (R$ 9,79 trilhões) em programas sociais durante a próxima década, depois de críticas de Wall Street, do setor corporativo e de legisladores republicanos.

Janet Yellen, secretária do Tesouro, em Wilmington, Delaware
Janet Yellen, secretária do Tesouro, em Wilmington, Delaware - Leah Millis/Reuters

Mas Yellen foi um passo além, dizendo que é importante compensar o custo dos planos de gastos do governo Biden para impedir que a posição fiscal dos EUA se agrave. Com os republicanos ardentemente contrários a qualquer aumento de impostos, e alguns democratas hesitantes sobre a escala e os detalhes dos aumentos, alguns legisladores poderão ser tentados a adotar um meio termo que inclua aumentos muito limitados de receitas.

"Acho que estamos em uma posição fiscal muito boa. As taxas de juros estão historicamente baixas. Elas estão assim há muito tempo, e provavelmente ficarão assim no futuro. Mas nós precisamos de espaço fiscal para abordar as emergências, como a que enfrentamos com relação à pandemia", disse Yellen à NBC no domingo (2).

"Não queremos gastar todo esse espaço fiscal, e em longo prazo os deficits precisam ser contidos para manter nossas finanças federais em base sustentável. Por isso, acredito que devemos pagar por esses investimentos históricos", acrescentou.

Os comentários de Yellen ocorrem num momento em que o governo Biden se prepara para lançar negociações com o Congresso para tentar um acordo sobre sua abrangente agenda econômica, que se acrescenta ao plano de estímulos de US$ 1,9 trilhão aprovado em março.

Biden deverá viajar à Louisiana e à Virgínia nesta semana para promover sua tese dos planos econômicos junto à população americana, depois de seu discurso conjunto ao Congresso na semana passada que se concentrou fortemente neles.

Sobre o plano de infraestrutura, que a Casa Branca revelou há mais de um mês, os republicanos fizeram uma contraproposta no valor de US$ 568 bilhões (R$ 3 trilhões) em gastos, e os legisladores do partido sugeriram um aumento nas taxas a usuários para pagar pelo menos uma parte do plano, embora muitos democratas estejam céticos.

"Há maneiras de chegar lá", disse o senador republicano Rob Portman, de Ohio, à NBC. "Temos alguns telefonemas marcados para esta semana. Me reuni com a Casa Branca na semana passada. Há um caminho pela frente se a Casa Branca quiser trabalhar conosco."

Ron Klain, chefe de gabinete da Casa Branca, disse que está confiante que se chegará a um acordo, dizendo que as duas "linhas vermelhas" de Biden nas negociações eram que os impostos não aumentariam para ninguém que ganhe menos de US$ 400 mil por ano (R$ 2,17 milhões) e que a "inação" não é uma opção.

"Temos tempo de falar com membros dos dois partidos, encontrar um terreno comum, descobrir em que as pessoas concordam como interesses mutuamente compartilhados. Estou otimista de que poderemos fazer progresso sobre isso nas próximas semanas", disse ele à CBS.

A pressão de Biden ocorre enquanto a economia dos Estados Unidos se acelera rapidamente após a queda no inverno, graças à rápida campanha de vacinação e ao impacto da lei de estímulos. Alguns economistas e legisladores republicanos manifestaram preocupação de que os novos planos fiscais de Biden aqueçam demais a economia, mas Yellen afastou esses temores.

Ela disse que os novos gastos ocorrerão depois que os fundos do estímulo forem usados, e que o "reforço à demanda é moderado" porque se estenderia por oito a dez anos.

Yellen também disse que o Federal Reserve tem capacidade para abordar qualquer alta repentina da inflação. "Vamos monitorar isso muito cuidadosamente", disse . "Estamos propondo que os gastos sejam pagos. E não acredito que a inflação será um problema, mas se for temos ferramentas para enfrentá-lo. São investimentos históricos que precisamos fazer para tornar nossa economia produtiva e justa."


Traduzido originalmente do inglês por Luiz Roberto M. Gonçalves

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