Descrição de chapéu Governo Trump

Procuradores investigam gastos de comitê de posse de Trump

Há suspeitas de que US$ 107 milhões em doações tenham sido gastos de forma irregular

O presidente Donald Trump e a primeira-dama Melania durante baile que celebrou sua posse, em 2017 - Chip Somodevilla - 20.jan.2017/Getty Images/AFP
Danielle Brant
Nova York

Procuradores federais em Manhattan investigam se o comitê responsável pelos eventos da posse do presidente Donald Trump em 2017 gastou indevidamente parte dos US$ 107 milhões que arrecadou em doações, de acordo com fontes ouvidas pelo Wall Street Journal.

A investigação criminal, a cargo da Procuradoria dos EUA em Manhattan, está em fase inicial. O objetivo é apurar ainda se alguns dos maiores doadores do comitê deram dinheiro em troca de acesso ao futuro governo, a concessões políticas ou para influenciar indicações a posições oficiais.

Dar dinheiro em troca de favores políticos é prática que pode infringir leis de corrupção federais. Além disso, lembra o jornal, desviar recursos do comitê, registrado como organização não lucrativa, também violaria regras federais.

O caso se baseia, em parte, em documentos obtidos durante a investigação federal que tem como alvo os negócios de Michael Cohen, o ex-advogado do republicano, de acordo com fontes familiarizadas com o caso.

Em abril, durante uma busca na casa, no escritório e no quarto de hotel de Cohen, agentes do FBI (polícia federal americana) obtiveram a gravação de uma conversa entre ele e Stephanie Winston Wolkoff, ex-assessora da primeira-dama Melania Trump.

Wolkoff trabalhou em uma empresa que organizou a posse. Na conversa, ela manifesta preocupação sobre como o comitê estava gastando o dinheiro.

A gravação está nas mãos dos procuradores federais. O Wall Street Journal diz que não conseguiu determinar quando a conversa teria ocorrido ou por que foi gravada.

O comitê de posse discriminou US$ 61 milhões pagos a fornecedores, dos US$ 103 milhões gastos, e não forneceu detalhes dessas despesas, de acordo com formulários de impostos. Como organização não lucrativa, o fundo só precisa divulgar seus cinco maiores fornecedores.

O comitê era encabeçado por Thomas Barrack Jr., empreendedor imobiliário e amigo de longa data do presidente. Não há nada que indique que ele seja alvo da investigação, e ele não foi abordado por agentes desde que foi entrevistado pelo procurador especial Robert Mueller, no ano passado, segundo fontes do jornal.

Mueller apura uma suposta interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. Quando ambos se encontraram, o procurador fez perguntas sobre o comitê de posse, afirmou a pessoa familiarizada com o caso ouvida pelo Wall Street Journal.

O comitê de Trump levantou mais que o dobro da organização responsável pela posse do ex-presidente Barack Obama, em 2009. Os recursos para o republicano vieram principalmente de doadores ricos e empresas, que deram US$ 1 milhão ou mais --incluindo o bilionário do ramo de cassino Sheldon Adelson, e empresas como AT&T e Boeing.

A publicação afirma que não há sinais de que os três estejam sob investigação.

Os procuradores federais questionaram Richard Gates, ex-assessor de campanha que foi vice-presidente do comitê de posse, sobre os gastos e sobre os doadores. Ele se encontrou com procuradores do escritório de Manhattan e da Procuradoria Especial.

Em fevereiro, ele se declarou culpado de conspiração contra os EUA envolvendo trabalho de consultoria política externa não relacionado com a campanha, em caso tocado pelo escritório de Mueller.

Gates concordou em cooperar com o Departamento de Justiça nas investigações em curso. Mueller também está tentando saber se o comitê de posse recebeu recursos estrangeiros, o que é proibido.

Em agosto, um consultor admitiu ao escritório da Procuradoria em Washington que usou um cidadão americano como comprador para que um oligarca ucraniano importante pudesse comparecer à posse de Trump. Os nomes não foram revelados.

Recentemente, os procuradores federais também pediram a Franklin L. Haney, um desenvolvedor do Tennessee, documentos relacionados à doação de US$ 1 milhão que ele fez ao comitê de posse de Trump.

Em abril deste ano, Haney contratou Cohen e pediu ajuda para obter US$ 5 bilhões em empréstimo do Departamento de Energia para um projeto nuclear —o processo ainda está pendente.

O advogado de Haney não respondeu a pedidos de comentários do jornal, assim como a Casa Branca e advogados de Cohen.

O principal fornecedor para o comitê foi a empresa de eventos WIS Media Partners, comandada pela ex-assessora de Melania. A empresa, criada 45 antes da posse, recebeu US$ 25,8 milhões, o maior valor pago a um fornecedor.

Wolkoff e sócios receberam US$ 1,6 milhão desse total. O resto foi destinado a terceirizados.

O comitê diz ter gasto US$ 77 milhões em conferências, convenções e encontros, US$ 4 milhões em ingressos, US$ 9 milhões em viagens, US$ 4,5 milhões em salários, entre outros gastos.

Os eventos da posse incluíram um concerto no Lincoln Memorial, recepções, bailes de inauguração e outros encontros privados.

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