Descrição de chapéu Venezuela

EUA estão mobilizando e transportando ajuda à Venezuela, diz assessor de Trump

Líder opositor Juan Guaidó havia dito no sábado que auxílio chegaria via Brasil, Colômbia e Caribe

Foto postada por Mark Green, da Usaid, mostra suplementos alimentares que serão enviados à Venezuela
Foto postada por Mark Green, da Usaid, mostra suplementos alimentares que serão enviados à Venezuela - Reprodução
Caracas | AFP

O conselheiro de Segurança Nacional americana, John Bolton, anunciou em rede social neste sábado (2) que os Estados Unidos estão mobilizando e transportando ajuda humanitária à Venezuela, por meio da Usaid (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional), a pedido do líder opositor Juan Guaidó.

Mais cedo no sábado, Guaidó havia dito que ajuda humanitária chegaria para o país nas fronteiras da Venezuela com o Brasil e com a Colômbia e em uma ilha não identificada no Caribe, sem dar detalhes.

"Hoje anunciamos uma coalizão mundial pela ajuda humanitária e a liberdade na Venezuela. Já temos três pontos de apoio para a ajuda humanitária: Cúcuta (Colômbia) e farão outros dois, um ficará no Brasil e outro em uma ilha do Caribe", afirmou o opositor durante manifestação contra o regime do ditador Nicolás Maduro em Caracas.

Guaidó é presidente da Assembleia Nacional e fez juramento em janeiro como presidente encarregado do país, baseando-se no argumento de que as eleições que deram novo mandato a Maduro foram fraudulentas.

O opositor disse que anunciaria detalhes sobre a chegada da ajuda humanitária neste domingo (3). O plano é um desafio ao presidente Nicolás Maduro, que afirma que esse tipo de iniciativa abre caminho para uma intervenção militar dos Estados Unidos.

Em entrevista à Folha na terça-feira (29), Guaidó havia dito que esperava ter apoio do governo de Jair Bolsonaro para a entrada de ajuda humanitária na Venezuela. 

"Esperamos que, nos próximos dias, nos ajudem a fazer entrar por nossa fronteira tudo o que possa vir como ajuda humanitária", disse Guaidó, se referindo a Bolsonaro e ao presidente da Colômbia, Iván Duque. 

Em novembro do ano passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) liberou pela primeira vez recursos para ajuda humanitária na Venezuela: US$ 6,5 milhões (R$ 25 milhões) que seriam usados em várias frentes.

O envio de recursos para o país latino-americano marcou uma inflexão na política de Maduro, que vinha até então negando auxílio internacional sob o argumento de que não havia anormalidade na situação venezuelana.

Mas, neste sábado, em evento em comemoração ao 20º aniversário da revolução chavista, Maduro chamou os opositores de "mendigos do imperialismo", depois da oferta pelos EUA de US$ 20 milhões em alimentos e remédios.

A Venezuela vive uma severa crise econômica, com a hiperinflação e escassez de alimentos e medicamentos, que levou ao êxodo cerca de 2,3 milhões de venezuelanos desde 2015, segundo a ONU. 

Para piorar, a petroleira PDVSA está em moratória e sua produção, em queda livre, se vê agora estrangulada por sanções dos Estados Unidos que embargarão a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.

Buscando frear a investida de Guaidó, Maduro disse no sábado que aceita adiantar de 2020 para este ano as eleições legislativas, apostando que a oposição perderá. Hoje a oposição controla a Assembleia Nacional, eleita pelo povo, mas que teve seus poderes esvaziados depois da criação da Assembleia Constituinte, composta de apoiadores do regime, por Maduro em 2017. 

Uma das principais fontes de apoio a Maduro, as Forças Armadas, começam a mostrar fissuras. No sábado, o general Francisco Yánez, da Aviação Militar, disse não reconhecer Maduro, tornando-se o militar na ativa de mais alto escalão a reconhecer a legitimidade de Guaidó. 

Bolton pediu aos militares que sigam "a liderança do general Yánez". Guaidó oferece anistia aos militares que apoiarem seu governo de transição.

Na semana passada, confrontos entre apoiadores de Maduro e manifestantes contrários ao regime deixaram 40 mortos e 850 detidos, segundo a ONU.

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