Favorito para assumir embaixada nos EUA interrompe férias para se encontrar com Bolsonaro em Seattle

Diplomata Nestor Forster conversou com presidente em parada técnica da comitiva após G20 no Japão

Patrícia Campos Mello Marina Dias
São Paulo e Washington

Favorito para assumir a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, o diplomata Nestor Forster interrompeu as férias para se encontrar pessoalmente com o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (28), em Seattle, durante parada técnica da comitiva brasileira após o encontro do G20 no Japão.

A conversa entre Forster e o presidente aconteceu 17 dias depois que o funcionário do Itamaraty foi promovido à primeira classe da carreira diplomática, movimento que foi visto entre os integrantes do governo como a última medida burocrática antes de sua indicação ao cargo em Washington.

Aliados de Bolsonaro afirmavam, porém, que ainda era preciso testar a boa interação pessoal entre Forster e o presidente, o que aconteceu em Seattle.

O diplomata Nestor Forster - Itamaraty/Divulgação

A Folha confirmou com integrantes da comitiva de Bolsonaro que o diplomata foi até o aeroporto para conversar com o presidente e que, segundo relatos, o encontro foi bastante descontraído.

 

De acordo com a embaixada do Brasil nos EUA, é praxe —mas não regra— que o chefe do posto receba o presidente em sua primeira parada no país. 

Neste caso, Fernando Pimentel estava como encarregado de negócios no sábado (29) e poderia ter cumprido a função.

A interrupção das férias por parte de Foster foi vista por diplomatas como simbólica para sua indicação efetiva para o cargo de embaixador.

O diplomata permanece em férias até a próxima semana, quando volta à embaixada para assumir o posto de encarregado de negócios —espécie de chefe interino da embaixada.

O embaixador Sérgio Amaral foi removido do posto recentemente e voltou ao Brasil em maio. Seu número dois, Pimentel, desempenha a função de encarregado de negócios até o fim das férias de Forster.

Amigo do escritor Olavo de Carvalho, guru ideológico do governo Bolsonaro, Forster tem apoio do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) para liderar a embaixada nos EUA.

Sua promoção foi publicada no Diário Oficial da União e, dessa forma, como ministro de primeira classe, ele pode ser escolhido por Bolsonaro para assumir a embaixada, mas seu nome precisaria ser aprovado pelo Senado antes de ser oficializado.

Sua indicação ganhou força —e a simpatia do presidente— durante viagem de Bolsonaro à capital americana, em março.

Nas últimas semanas, diplomatas e funcionários da embaixada davam como certa a indicação de Forster após sua promoção ser oficializada. Agora, com promoção e conversa direta com o presidente, dizem, falta apenas Bolsonaro fazer o convite.

Foi Forster quem apresentou Olavo de Carvalho para Araújo e, com aval do ministro, ajudou a elaborar a lista de convidados da "Santa Ceia da direita", jantar com a presença de pensadores e jornalistas conservadores na primeira noite do presidente na capital americana.

Desde abril, quando a remoção de Sérgio Amaral para São Paulo foi publicada no Diário Oficial, Forster teve participações em reuniões importantes do governo brasileiro nos EUA. 

Ele estava presente, por exemplo, no encontro de Araújo com integrantes da alta cúpula do governo Donald Trump, como o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e o secretário de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton.

Amaral também foi às reuniões, mas o mais natural seria que seu número dois, Fernando Pimentel —que assumira a embaixada como interino—, acompanhasse a comitiva. 

Pimentel chegou a ir ao Departamento de Estado, mas foi Forster quem entrou com Araújo e Amaral no encontro com Pompeo.

Forster ajudou ainda a costurar a reunião de Bolsonaro com Trump durante a cúpula do G20.

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