Número de mortos por superciclone sobe para 82 na Índia e em Bangladesh

Tempestade destruiu mais de 500 mil casas na região

Calcutá | Reuters e AFP

O superciclone Amphan provocou ao menos 82 mortes ao passar, na última quarta-feira (20), pelo leste da Índia e por Bangladesh. O número total de vítimas pode ser ainda maior, mas só será conhecido após a restauração das redes de comunicação da região, dizem autoridades locais.

Os ventos de 185 km/h trazidos pelo Amphan destruíram mais 500 mil casas, esmagaram veículos e derrubaram postes e árvores. A maré de 5 metros de altura causada pela tempestade também provocou inundações generalizadas nos dois países.

Em uma moto vermelha, um homem de camisa roxa e capacete esta com um criança no colo. Uma mulher com véu islâmico na cor laranja caminha atrás do homem. Na rua, há troncos de árvores caídos no chão.
Homem tentar dirigir por rua com árvores derrubas pela passagem do ciclone Amphan, no distrito de Satkhira, em Bangladesh - Km Asad - 21.mai.20/ Reuters

No populoso estado de Bengala Ocidental, o primeiro no caminho da tempestade, o ciclone fez ao menos 72 vítimas, segundo a ministra Mamata Banerjee.

Banerjee disse que a tempestade deixou um rastro de destruição de mais de 400 km no estado. Para a recuperação das estradas e dos sistemas de abastecimento de água e de saúde, a ministra anunciou um fundo de emergência de 10 bilhões de rúpias (R$ 736 milhões).

“Nessa hora desafiadora, toda a nação se solidariza com Bengala Ocidental”, disse o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, pelo Twitter.

Na vizinha Bangladesh, o ciclone matou ao menos dez pessoas, segundo o governo.

“Parecia o fim do mundo. Tudo o que eu pude fazer foi orar”, disse Azgar Ali, 49, morador do distrito de Satkhira, na zona costeira do país, em depoimento à agência de notícias Reuters.

Designado como superciclone, o Amphan perdeu força ao tocar a terra e atravessou Bangladesh como tempestade ciclônica.

Experientes no gerenciamento de ciclones e com sistemas de monitoramento climático, os dois países do sul da Ásia moveram mais de 3 milhões de pessoas para abrigos nos dias anteriores à tempestade.

Inicialmente, algumas pessoas relutaram em ser deslocadas, porque os dois países também enfrentam a epidemia do novo coronavírus.

Duas mulheres agarram o peitoril da janela de um estabelecimento. Seus pés estão submersos na água que alaga a rua
Mulheres andam por rua alagada no distrito de Khulna, em Bangladesh, para se abrigar antes da passagem do ciclone Amphan pela região - Munir uz Zaman - 20.mai.20/ AFP

Até o momento, a Índia registrou mais de 115 mil infecções pela Covid-19 e 3.502 mortes, enquanto Bangladesh tem mais de 28 mil casos e 408 mortes.

As estratégias de evacuação têm diminuído o número de mortes por ciclones na região nos últimos anos, apesar da potência e do poder destrutivo desses fenômenos ter aumentado.

Depois da passagem do Amphan, imagens divulgadas pela TV local mostravam pessoas caminhando pelas ruas com água até a altura do joelho e ônibus que foram esmagados uns contra os outros.

Na fronteira entre a Índia e Bangladesh, o ciclone submergiu parte da floresta de mangue de Sundarbans, segundo Belayet Hossain, membro do governo de Bangladesh. Ecologicamente frágil, a floresta é uma das maiores desse tipo de vegetação no mundo, além de ser habitat dos tigres-de-bengala.

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