Governador de Nova York é acusado de assédio por segunda ex-funcionária, diz New York Times

De acordo com depoimento, ela ouviu perguntas sobre sua vida sexual e foi questionada se já tinha feito sexo com homens mais velhos

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Nova York e São Paulo | Reuters

Uma segunda ex-funcionária de Andrew M. Cuomo, governador de Nova York, nos EUA, está acusando o político de assédio sexual, afirma o jornal The New York Times.

Segundo entrevista da funcionária ao veículo, ela ouviu perguntas sobre sua vida sexual, foi questionada se era monogâmica em seus relacionamentos e também se já tinha feito sexo com homens mais velhos.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, fala durante entrevista coletiva
O governador de Nova York, Andrew Cuomo, fala durante entrevista coletiva - 24.fev.2021- Seth Wenig/Reuters

A funcionária, Charlotte Bennett, 25, que era uma assistente-executiva e conselheira política na área de saúde até deixar o cargo em novembro, disse ao New York Times que o governador a havia assediado no final da primavera passada, durante o auge combate ao coronavírus.

Segundo Bennett, um dos episódios mais incômodos aconteceu no dia 5 de junho, enquanto ela estava sozinha com o governador em seu escritório. Ela afirma que o político fez várias perguntas sobre sua vida pessoal, incluindo se ela achava que idade fazia diferença em relacionamentos amorosos, e disse que estava aberto para se relacionar com mulheres em torno dos 20 anos de idade.

Na mesma ocasião, a ex-funcionária afirma também que o governador reclamou com ela sobre estar sozinho durante a pandemia, mencionando que ele "não consegue nem abraçar ninguém".

Em resposta ao New York Times, o político afirmou que ele estava se portando como um mentor e que nunca “fez nada em relação à sra. Bennett, nem teve a intenção de agir de forma inadequada”.

Cuomo também disse que solicitou uma investigação independente sobre o assunto e pediu aos cidadãos do estado que esperem a conclusão do processo antes de chegar a alguma conclusão.

“Eu entendi que o governador queria dormir comigo, e me senti horrivelmente desconfortável e com medo”, disse Bennett. “Eu estava pensando como poderia escapar dessa situação e presumi que era o fim do meu emprego.”

Ela foi transferida para outro cargo, mas afirma ter relatado a situação para o chefe de gabinete do governador, Jill DesRosiers, e para uma conselheira jurídica especial do governador, Judith Mogul. Nenhuma ação foi tomada.

A situação aconteceu na sequência de outra acusação feita por Lindsey Boylan, que atuava na área de desenvolvimento econômico do estado, e que afirma que o governador a assediou em diferentes ocasiões entre 2016 e 2018, incluindo um episódio em que recebeu um beijo forçado.

Boylan, que fez suas primeiras acusações no Twitter em dezembro, escreveu um documento detalhado que foi publicado na internet na plataforma Medium na quarta-feira (24).

O governador de Nova York negou as alegações nas duas ocasiões —na mais recente, ele foi procurado pela agência de notícias Reuters, mas não respondeu.

“O governador Andrew Cuomo criou uma cultura em sua administração em que o assédio sexual e o bullying são tão difundidos que não são apenas tolerados, mas também esperados”, disse Lindsey Boylan na quarta-feira, adicionando que outras duas mulheres que não queriam se identificar também afirmam que o governador agiu de forma inapropriada com elas.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que mantém conflitos frequentes com Cuomo, pediu na quinta-feira (25) uma investigação independente sobre as acusações contra o governador.

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