Descrição de chapéu oriente médio

Rei da Jordânia e ex-herdeiro aparecem juntos pela 1ª vez desde a crise na família real

Príncipe Hamza bin Hussein foi detido acusado de conspiração, mas dois dias depois jurou lealdade ao meio-irmão

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Amã | Reuters

O rei Abdullah da Jordânia e seu meio-irmão, o príncipe Hamza bin Hussein (ex-herdeiro do trono), fizeram neste domingo (11) sua primeira aparição juntos desde a crise na família real —eles participaram de uma cerimônia em comemoração dos cem anos de independência do país.

A mídia estatal mostrou o rei e outros membros da família real depositando coroas de flores em túmulos no palácio Raghdan, na capital Amã. O rei Abdullah já havia anunciado há quatro dias, na quarta-feira (7), que a suposta tentativa de golpe no país havia sido reprimida e que a situação era de estabilidade.

Destacou também que a ofensiva foi especialmente dolorosa porque veio de uma pessoa de dentro da família real —Hamza foi acusado de conspiração contra a “segurança e estabilidade” do país.

O rei Abdullah (centro), o príncipe herdeiro Hussein (dir.) e o príncipe Hamzah (segundo à esq.) fazem leitura de oração sobre túmulo do rei Hussein no Palácio Raghadan, em Amã
O rei Abdullah (centro), o príncipe herdeiro Hussein (dir.) e o príncipe Hamzah (segundo à esq.) fazem leitura de oração sobre túmulo do rei Hussein no Palácio Raghadan, em Amã - Palácio Real da Jordânia/Divulgação/via AFP

O pronunciamento do rei Abdullah veio dois dias depois de Hamza jurar lealdade a ele. Após mediação da família real, o ex-herdeiro assinou uma carta declarando fidelidade ao monarca, que afirmou ter decidido lidar com o caso "dentro da estrutura da família Hachemita". “Quanto aos demais aspectos, estão sob investigação, de acordo com a lei”, afirmou.

Em 3 de abril, as Forças Armadas do país prenderam 20 pessoas em uma operação e alertaram o governo sobre ações contra a “segurança e estabilidade” da Jordânia. Em vídeo, o príncipe Hamza, 41, negou a acusação e afirmou estar em prisão domiciliar. Ele disse que não participou de um complô e acusou as autoridades do seu país de corrupção e incompetência.

Segundo a agência de notícias estatal, Hamza já vinha sendo investigado e, entre as comunicações interceptadas, havia conversas entre agentes estrangeiros de inteligência e a esposa do príncipe para organizar o envio de um avião para tirar o casal do país.

Dezenas de pessoas foram presas em conexão com o suposto complô. Estão entre os detidos no último dia 3 Sharif Hassan Ben Zaid, membro da família real, e Bassem Awadallah, um confidente do rei que depois se tornou ministro das Finanças e conselheiro do príncipe saudita Mohammad bin Salman, o que levantou a hipótese de a Arábia Saudita ter algum tipo de envolvimento num suposto plano na Jordânia.

Hamza foi criado por sua mãe, a rainha Noor, para suceder o rei Hussein (1935-1999), que governou o país por quase cinco décadas. No entanto, outro filho, Abdullah, foi apontado como herdeiro e assumiu o trono em 1999. Em 2004, Abdullah tirou Hamza do posto de príncipe herdeiro e deu a posição a um filho dele, também chamado Hussein.

Desde então, Hamza tenta ganhar popularidade entre tribos proeminentes do país. Figuras da oposição têm se aproximado dele, algo visto com reservas pelo rei. Essas tribos de oposição, chamadas Herak, vêm convocando protestos contra a corrupção na Jordânia, onde a pandemia de Covid-19 causou desemprego recorde e aumentou a pobreza. Elas também tiveram participação importante nos protestos da Primavera Árabe no país.

O rei Abdullah conseguiu levar estabilidade política para o país e ganhou estatura como um proeminente líder árabe cuja mensagem encontrou eco especialmente em fóruns ocidentais. O país proibiu todos os meios de comunicação e usuários de mídia social de publicar qualquer conteúdo relacionado às investigações sobre Hamza.

A maioria dos políticos acha que o príncipe Hamza não representa uma ameaça, dado que as Forças Armadas e de segurança apoiam fortemente o rei Abdullah. "Acredito que o rei tenha reforçado sua autoridade e que o filho dele, Hussein, consolidou-se como herdeiro do trono”, disse Jawad al Anani, que foi o último chefe da corte do reinado do rei Hussein.

A corte real saudita expressou total apoio ao rei Abdullah, assim como Egito, Líbano, Bahrein e os Estados Unidos —um importante aliado do país. O presidente Joe Biden chegou a ligar para o monarca para dizer que Washington apoiava as ações da Jordânia "para preservar sua segurança e estabilidade".

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