Descrição de chapéu Governo Biden

EUA prometem enviar US$ 20 mi em medicamentos para intubação ao Brasil

Casa Branca diz que remédios sairão do estoque estratégico do governo americano, mas não define prazo

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São Paulo

Pressionados a ajudar outros países no combate da crise sanitária, os Estados Unidos disseram nesta terça-feira (4) que parte desse apoio pode vir para o Brasil —que ultrapassou os 411 mil mortos devido à Covid-19 e acaba de enfrentar os dois meses mais letais da pandemia.

A Casa Branca afirma estar trabalhando para enviar US$ 20 milhões (R$ 180 milhões) em medicamentos usados ​​para intubar pacientes com Covid-19. Segundo a porta-voz Jen Psaki, os itens sairão do estoque estratégico dos EUA e serão entregues em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde.

O presidente Joe Biden durante entrevista coletiva na Casa Branca, em Washington
O presidente Joe Biden durante entrevista coletiva na Casa Branca, em Washington - Jonathan Ernst - 4.mai.21/Reuters

Ela não informou detalhes de quando o envio deve acontecer e disse que o assunto não foi finalizado, mas que trata-se de um “esforço em andamento”. O apoio é para “compensar os surtos de abastecimento globais” e permitir que o Brasil receba medicamentos suficientes para as suas necessidades imediatas, disse ela. Procurado para comentar o anúncio, o Itamaraty não se manifestou até a conclusão deste texto.

O anúncio ocorre uma semana após o governo de Joe Biden confirmar o envio à Índia de insumos para a produção de vacinas, testes, medicamentos, respiradores e equipamentos de proteção individual.

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O país asiático tornou-se o terceiro no ranking mundial de óbitos —atrás apenas de Brasil e EUA— e vive colapso em seu sistema de saúde, com falta de leitos e oxigênio, além de filas para cremar os mortos. A Índia soma mais de 222 mil mortes, segundo dados oficiais, que muitos consideram subnotificados.

Com uma população de 1,3 bilhão, a segunda maior do mundo, só perdendo para a China, e o surgimento de uma nova variante, a B.1.617, hoje dominante entre os casos no país, o descontrole da pandemia causa preocupação. A nova linhagem está sendo investigada para descobrir se é mais perigosa do que a forma original do vírus, mas sua rápida disseminação pela Índia e por outros 16 países já preocupa.

Do ponto de vista político, a Índia faz parte do Quad —sigla para Diálogo de Segurança Quadrilateral— uma parceria com Japão, Austrália e Estados Unidos para combater a expansão da China, que também fechou pactos para ajudar outras nações com vacinas e insumos, parte da corrida geopolítica da pandemia.

Mais tarde nesta terça, o presidente americano indicou, durante uma entrevista coletiva, que o Brasil pode estar entre os países que receberão os imunizantes em excesso nos EUA —o país anunciou na semana passada que liberaria até 60 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. O imunizante, fabricado em parceria com a Universidade de Oxford, ainda não foi aprovado nos EUA. Até o momento, o país está vacinando sua população com fármacos de três fabricantes —Pfizer/BioNTech, Moderna e Janssen.

Quando fez o anúncio, a administração democrata não informou que países receberiam as doses, mas ao ser questionado pela GloboNews sobre o critério para a distribuição e se Brasil e Índia estariam nesta lista, o presidente abriu a possibilidade de entregar imunizantes ao governo brasileiro.

"Com relação à vacina da Astrazeneca que temos, enviamos a Canadá e México e estamos falando com outros países. Aliás, falei com um chefe de Estado hoje. Não estou pronto para anunciar para quem mais iremos enviar a vacina, mas vamos enviar 10% do que temos até 4 de julho para outras nações, incluindo algumas das que você mencionou", disse Biden.

O governo brasileiro tem sido criticado por não conseguir acelerar a vacinação, entre outros motivos devido ao atraso nas entregas de doses prontas e de insumos para fabricação no país. O Brasil chegou a fazer consultas no passado sobre a possibilidade de receber o excedente da AstraZeneca nos EUA, mas a resposta foi que o governo americano priorizaria a imunização da sua própria população.

O envio de cerca de 4 milhões de unidades do imunizante da AstraZeneca para o Canadá e para o México —1,5 milhão e 2,5 milhões de doses para cada, respectivamente— foi anunciado em março.

Em relação ao governo mexicano, o envio das vacinas foi visto como uma forma de afago para que o país endureça os controles na fronteira com os EUA, que vive uma grave crise migratória e o maior fluxo de imigrantes vindos do território mexicano em 20 anos.

O imunizante da AstraZeneca teve sua segurança questionada depois do registro de raros casos de coágulos na Europa. Países europeus chegaram a suspender ou restringir o uso. A agência reguladora da União Europeia (EMA), no entanto, concluiu que os benefícios da vacina superam seus riscos potenciais e recomendou que governos do bloco mantivessem as aplicações, adicionando um aviso à bula do produto.

Com Reuters

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