Chile oficializa quarta dose de vacina contra a Covid-19

Inicialmente, segundo reforço estará disponível para imunodeprimidos e maiores de 55 anos

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Santiago | Reuters e AFP

O Chile anunciou, nesta quinta-feira (6), que vai iniciar a aplicação da quarta dose da vacina contra a Covid-19 já nos próximos dias. Os imunizantes estarão disponíveis para imunodeprimidos a partir do próximo dia 10 e para maiores de 55 anos em 7 de fevereiro.

Em novembro, o subsecretário responsável pela compra de vacinas no governo chileno, Rodrigo Yáñez, já havia adiantado à Folha a intenção de disponibilizar a quarta dose ainda no primeiro semestre de 2022.

A oficialização foi anunciada pelo presidente Sebastián Piñera, que se despede em março do cargo. "Uma pessoa sem proteção completa tem seis vezes mais risco de se infectar e 20 vezes mais de ser internada na UTI do que uma pessoa com a dose de reforço", disse, acrescentando que a experiência mostra que a eficácia das vacinas e das doses de reforço diminui com o tempo.

Trabalhadora de saúde prepara  dose de vacina contra o coronavírus, em uma clínica móvel de vacinas, em Valparaíso, no Chile
Trabalhadora de saúde prepara dose de vacina contra o coronavírus, em uma clínica móvel de vacinas, em Valparaíso, no Chile - Rodrigo Garrido - 3.jan.22 / Reuters

Inicialmente, a aplicação na próxima segunda-feira, conforme explicou o governo, será para pessoas imunodeprimidas com 12 anos ou mais. Depois, o reforço será estendido aos maiores de 55 anos que tenham completado seis meses desde a última aplicação.

Atualmente, segundo a plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford, o Chile tem 86% da população com o primeiro ciclo vacinal completo, e 57% já receberam uma dose de reforço.

O país tem uma das taxas de vacinação mais altas do mundo —no Brasil, os mesmos índices são, respectivamente, de 67% e 13%. "Com a quarta dose, procuramos manter essa posição de liderança e proteger a saúde e a vida dos nossos compatriotas", disse Piñera.

De acordo com o ministro da Saúde do país, Enrique Paris, o novo reforço será dado por meio de um sistema de combinação entre os imunizantes Pfizer, Sinovac (no Brasil, Coronavac) e AstraZeneca, já aplicados no país. "O uso de diferentes vacinas entre a primeira e a quarta dose deve permitir uma melhora na resposta imunológica [das pessoas]'', explicou.

O Chile tinha, nos últimos meses, visto o quadro de contágios se estabilizar, mas o surgimento da variante ômicron fez o número de casos disparar —como tem acontecido na Europa, nos EUA e em outros países da América Latina, como México, Peru e Brasil. Nesta quinta, a Argentina registrou, pelo terceiro dia seguido, recorde no número de casos, totalizando quase 110 mil contaminações e 40 mortes em 24 horas.

No Chile, o anúncio da quarta dose vem em meio a recordes de infecções nos últimos seis meses. Nesta quinta-feira, o país contabilizou 3.134 novos infectados e 30 mortes decorrentes da Covid.

Em seu anúncio, porém, Piñera fez questão de ressaltar a tendência de queda no número de óbitos. O presidente chileno comparou os índices atuais com os do último 8 de julho, quando foi registrada uma cifra diária de contágios similar à de hoje, em torno de 3.000 casos confirmados.

À época, 2.167 pessoas precisavam de ventilação mecânica, enquanto hoje são 404. A cifra de mortes estava em 186, mais de seis vezes a atual. De acordo com a agência de notícias Reuters, o Chile é o primeiro país da América Latina a oficializar a quarta dose da vacina para pessoas sem comorbidades. No Brasil, o Ministério da Saúde autorizou, em dezembro, a segunda dose de reforço para imunossuprimidos.

Israel também aprovou, no final de 2021, a quarta dose para imunodeprimidos, pessoas com mais de 60 anos ou profissionais de saúde; a aplicação para mais grupos depende de aprovação do governo. No país, a orientação é para que os elegíveis recebam a quarta injeção ao menos quatro meses após a terceira.

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