Novo ataque em Israel deixa ao menos 6 mortos na região de Tel Aviv

Série de casos eleva preocupações com tensão para o mês de abril

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Belo Horizonte

Um atirador abriu fogo nos arredores de Tel Aviv, em Israel, e matou cinco pessoas nesta terça-feira (29) —ele foi morto logo após o ataque. É o quarto episódio do tipo nos últimos dez dias no país.

A imprensa local informou a princípio que o autor da ação seria um cidadão árabe-israelense, mas depois apontou se tratar de um homem de 27 anos da Cisjordânia e membro do Fatah, organização palestina. Segundo a mídia israelense, ele havia sido preso em 2015 por negociar armas ilegais e por ter relações com grupos terroristas e liberado seis meses depois.

Equipes de segurança e médicos israelenses cerca o local de um ataque no qual pessoas foram mortas por um atirador, em Bnei Brak, perto de Tel Aviv
Equipes de segurança e médicos israelenses cercam o local de um ataque no qual pessoas foram mortas por um atirador, em Bnei Brak, perto de Tel Aviv - Nir Elias - 29.mar.22/Reuters

Horas após o atentado, o grupo islâmico palestino Hamas divulgou um comunicado em que diz que "abençoa a heroica operação contra os soldados da ocupação sionista na chamada área Tel Aviv". A organização também declarou que o ataque "vem no contexto da resposta natural e legítima ao terrorismo da ocupação e seus crimes crescentes contra nossa terra, nosso povo e nossas santidades".

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, por sua vez, condenou o ataque.

Testemunhas disseram que o homem atirou contra varandas de um prédio residencial de Bnei Brak, subúrbio majoritariamente judeu ultraortodoxo da cidade, e depois disparou contra pessoas que estavam na rua.

Um vídeo amador exibido por emissoras de televisão israelenses mostrou o homem vestido de preto carregando um fuzil. Ele foi morto por um policial que patrulhava, de moto, a região. Segundo a imprensa local, outras duas pessoas foram presas mais tarde, sob suspeita de terem auxiliado o atirador.

Um dos mortos foi encontrado em um carro e outras três vítimas, em calçadas próximas. A quinta vítima era um policial de 32 anos, que chegou a receber tratamento médico antes de morrer. Inicialmente, a imprensa local havia informado que todas as vítimas eram israelenses, mas as autoridades do país comunicaram depois que, entre os mortos, estão dois ucranianos que trabalhavam em Israel.

Em sua conta no Twitter, o primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, declarou que o país "está enfrentando uma onda de terror árabe". A polícia do país foi posta em estado máximo de alerta, o que não ocorria desde maio do ano passado, quando estouraram conflitos na Faixa de Gaza.

A mais recente ação do tipo havia ocorrido no domingo (27), quando dois terroristas de origem árabe mataram dois policiais israelenses em Hadera –a 50 quilômetros de Tel Aviv. Eles foram mortos na sequência e ao menos três pessoas ficaram feridas. O grupo Estado Islâmico depois reivindicou a autoria do ataque. Em diferentes declarações, o Hamas e a Jihad Islâmica, outro movimento palestino, aplaudiram o que chamaram de "operação heroica".

Cinco dias antes, um ataque também foi registrado em Beersheba, no sul do país. Um cidadão de origem beduína matou quatro pessoas —uma atropelada e três a facadas— antes de ser morto por um civil armado. O episódio, até então um dos mais mortais do gênero nos últimos anos em Israel, havia sido o terceiro contra cidadãos judeus em menos de uma semana.

Nesta terça, após o atentado, conforme relatou a reportagem do jornal The Jerusalem Post, era possível ouvir israelenses gritando repetidamente "morte aos árabes" e criticando o governo de Bennett, eleito em uma ampla coalizão com a participação de um partido árabe.

As autoridades de Israel estão em alerta para o aumento das tensões entre árabes e israelenses em abril, mês sagrado para os muçulmanos (por causa do Ramadã), judeus (por causa do feriado de Pessach) e cristãos (da Páscoa). Os conflitos do ano passado em Gaza, por exemplo, ocorreram nessa época.

O atentado desta terça acontece também na véspera do Dia da Terra, data em que os palestinos relembram a morte de seis árabes durante protestos contra Israel em 1976. Na época, os manifestantes repudiavam a decisão do governo israelense de expropriar áreas habitadas por árabes na região.

Ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid al-Zayani, e seus homólogos do Egito, Sameh Shoukry, de Israel Yair Lapid, dos EUA, Antony Blinken, do Marrocos, Nasser Bourita, e dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Abdullah bin Zayed al-Nahyan, posam para foto após reunião em Sde Boker, em Israel
O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid al-Zayani, e seus homólogos do Egito, Sameh Shoukry, de Israel Yair Lapid, dos EUA, Antony Blinken, do Marrocos, Nasser Bourita, e dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Abdullah bin Zayed al-Nahyan, posam para foto após reunião em Sde Boker, em Israel - Jacquelyn Martin - 28.mar.22/AFP

O aumento da frequência de ataques terroristas no Estado de Israel pode também estar ligado ao fortalecimento das relações institucionais entre Israel e países árabes, o que é malvisto por grupos como o Estado Islâmico e o Hamas, aponta o diretor do Instituto Brasil-Israel, Daniel Douek.

"A gente não pode encarar esses ataques como um sinal de que as relações oficiais entre Israel e Palestina estão enfraquecidas. É quase o contrário: quanto mais fortalece o relacionamento no nível institucional, mais grupos que são contrários a esse relacionamento reagem", afirma.

Na segunda (28), por exemplo, o chanceler israelense, Yair Lapid, recebeu no país seus homólogos dos Emirados Árabes, Bahrein, Egito e Marrocos. Participou ainda do encontro o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken. Na reunião, as autoridades conversaram sobre um acordo nuclear com o Irã –adversário geopolítico de todos os países presentes– e a necessidade de pacificar a relação entre Israel e Palestina.

"Esses países entenderam que a questão palestina se tornou secundária perante a uma ameaça do Irã. Paralelamente, a questão palestina não desaparece, então é muito sintomático que esses ataques aconteçam ao mesmo tempo desse desdobramento diplomático", diz Douek.

Com Reuters 

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