Viúva de policial morto após ataque ao Capitólio processa Trump e pede indenização milionária

Ação afirma que óbito de Brian Sicknick foi 'consequência direta e previsível' de atos ilegais do ex-presidente

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São Paulo

A viúva de um dos cinco policiais mortos após a invasão do Capitólio processou o ex-presidente Donald Trump e dois de seus apoiadores pela morte do companheiro. A ação, aberta em um tribunal do Distrito de Columbia nesta quinta-feira (5), véspera do segundo aniversário da insurreição, pede ao menos US$ 10 milhões em indenização de cada um dos acusados.

O agente Brian Sicknick morreu em 7 de janeiro de 2021, um dia após o ataque à sede do Congresso dos EUA. Laudos apontam que ele morreu por causas naturais, como consequência de uma série de derrames, de modo que promotores evitaram vincular a morte diretamente à invasão. Mas o legista que assina o documento afirmou que "tudo o que aconteceu desempenhou um papel em sua condição".

A Polícia do Capitólio também considera que Sicknick morreu durante o "cumprimento do dever".

Retrato de Brian Sicknick, policial morto após o 6 de Janeiro, em memorial no Capitólio, em Washington - Brendan Smialowski - 2.fev.21/AFP

"Os terríveis eventos de 6 de janeiro de 2021, incluindo a morte trágica e injusta do policial Sicknick, foram uma consequência direta e previsível das ações ilegais dos réus", diz o processo, acrescentando que "os réus são responsáveis pelos ferimentos e destruição que se seguiram".

O documento cita ainda as sugestões do comitê de parlamentares que investigou o ataque —o painel recomendou que Trump seja indiciado criminalmente por seu papel na invasão.

Os outros dois alvos da ação movida por Sandra Garza, que era a companheira do policial, são George Tanios e Julian Elie Khater. Eles são acusados de agressão a Sicknick porque teriam disparado sprays com produtos químicos contra o agente —ambos admitiram culpa no caso. Outros quatro agentes de segurança morreram após a invasão, por suicídio.

Trump enfrenta ações civis relacionadas ao que é considerado o maior ataque recente à democracia dos EUA. No mês passado, o comitê parlamentar responsável pela investigação entregou seu relatório final, descrevendo em detalhes como o ex-presidente tinha "um plano de várias partes para cancelar a eleição presidencial de 2020" e recomendando medidas para garantir que nada parecido aconteça novamente.

O relatório revelou novas evidências sobre a conduta de Trump e recomendou que o Congresso avalie se ele deve ser tornar inelegível. "A causa central do 6 de Janeiro foi um homem, Donald Trump, a quem muitos outros seguiram", disse o relatório. "Nenhum dos eventos de 6 de Janeiro teria acontecido sem ele."

Dois anos depois do episódio que entrou para a história dos EUA, o FBI prendeu mais de 950 pessoas —a investigação é considerada a maior da história do órgão. A amplitude da investigação indica que o governo americano, via Departamento de Justiça de Joe Biden, não pretende deixar o ataque ao Capitólio, descrito como uma tentativa de golpe de Estado, passar em branco.

Com The New York Times

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