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Em família

Movimentação financeira de ex-assessor de filho de Bolsonaro precisa ser esclarecida

Flávio Bolsonaro, deputado estadual e senador eleito, no Rio
Flávio Bolsonaro, deputado estadual e senador eleito, no Rio - Filipe Cordon/Folhapress

Entre os meses de janeiro de 2016 e de 2017, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz foi responsável por movimentações bancárias no valor de R$ 1,2 milhão, uma quantia aparentemente incompatível com sua realidade financeira. 

Naquele período, Queiroz trabalhava como assessor parlamentar do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) —que é filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e conquistou cadeira no Senado para a próxima legislatura.

Segundo um relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), relativo à Operação Furna da Onça (um desdobramento da Lava Jato no estado), entre as transações de Queiroz estaria um cheque de R$ 24 mil destinado a Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama do país.

Tais informações, originalmente divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, causam apreensão às vésperas de um novo ciclo presidencial cercado de promessas e expectativas de moralidade.

Se já provocava constrangimento o episódio de caixa 2 admitido pelo futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (ao qual se seguiram suspeitas de nova parcela supostamente paga pela empresa JBS), agora é o próprio núcleo familiar do presidente eleito que se vê diante da necessidade de prestar esclarecimentos à opinião pública.

Afinal, qual a origem do dinheiro à disposição do assessor parlamentar? Por que ele tinha valores a pagar à esposa do presidente eleito?

A propósito, chama a atenção, pelo ineditismo, a influência que vem sendo exercida pelos filhos do futuro mandatário na conformação do novo governo.

Impressiona a desenvoltura dos herdeiros de Bolsonaro quando se trata de operar nos bastidores, dar palpites sobre temas variados e até falar em nome do pai —não raro de modo a criar embaraços.

Agora, contudo, a situação mostra-se particularmente espinhosa. Não se trata de uma manifestação desastrada de um dos “garotos” (como o pai costuma referir-se aos filhos), mas de suspeita documentada acerca de movimentação financeira sem origem conhecida.

O caso torna-se mais nebuloso ao se saber que o assessor também fez depósitos em favor de sua filha —até recentemente empregada no gabinete de Jair Bolsonaro.

Para que não pairem dúvidas sobre a conduta do futuro chefe do Executivo e de seus familiares, é preciso que o caso seja esclarecido com presteza. As explicações dadas até agora para tantas operações permanecem insatisfatórias.

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