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Covas se move

Prefeito revirou o primeiro escalão motivado, ao que parece, por razões de ordem pragmática

Bruno Covas na sede da Prefeitura de São Paulo, na região central
Bruno Covas na sede da Prefeitura de São Paulo, na região central - Flávio Florido - 6.abr.18/Folhapress

Disputas dentro de um mesmo ninho partidário são usuais e, quando os ocupantes são tucanos de São Paulo, as intrigas podem se tornar até disfuncionais para a administração. Espera-se que não venha a ser esse o caso das recentes movimentações no secretariado do prefeito Bruno Covas.

O alcaide paulistano revirou o primeiro escalão movido, ao que parece, por duas razões de ordem pragmática: fortalecer a situação orçamentária do município e pavimentar a estrada pedregosa da própria reeleição em 2020.

No primeiro caso, as mudanças promovidas por Covas objetivam recompensar o apoio recebido para aprovar na Câmara Municipal sua reforma previdenciária. Com o aumento das contribuições dos servidores, principalmente, o prefeito espera economizar R$ 1,7 bilhão ao longo de seis anos.

A poupança permitiria retomar investimentos na capital e ter obras a exibir na futura campanha eleitoral. Nessa ofensiva política se encaixa a recomposição com o PRB, que ameaçara abandonar a base de sustentação à gestão tucana.

Apaziguada, a sigla recebeu como dote a Habitação, secretaria das mais cobiçadas. Já para contentar o ex-governador Márcio França (PSB), derrotado por João Doria (PSDB) na última eleição para o Bandeirantes, Covas nomeou para a Educação João Cury Neto, que ocupara a pasta correspondente no governo estadual, com França.

Doria, aliás, responsabiliza os dois pela falta de material escolar para milhões de estudantes paulistas neste início de ano.

Avalia-se que a troca seja uma reação à entrada do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) no secretariado estadual. Depois de disputar o Planalto, Meirelles tem projeção suficiente para despontar como eventual candidato de Doria à prefeitura.

Não seria a primeira vez que um governador tucano beneficia um candidato municipal de outra legenda, como fez José Serra com Gilberto Kassab (hoje no PSD).

Reviravoltas no primeiro escalão não raro trazem prejuízo para as políticas públicas. Na educação, em particular, a prefeitura vinha colhendo avanços, e seria deplorável que se perdessem para satisfazer conveniências eleitorais.

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