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Reino partido

Parlamento britânico impõe derrotas a Boris Johnson nas tratativas do brexit

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson - Danny Lawson/Reuters

A semana não foi auspiciosa para o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson. Após manobrar para encolher o tempo que o Parlamento terá para discutir a saída do país da União Europeia, o líder conservador recebeu o troco dos deputados, que lhe impuseram sucessivas derrotas nos últimos dias.

Depois de tomar na terça (3) o controle da agenda parlamentar, a Câmara dos Comuns aprovou, no dia seguinte, proposta que obriga o governo a pedir à UE prorrogação de três meses no prazo para o brexit, caso não se alcance um acordo sobre os termos da ruptura. 

O objetivo é evitar que o país deixe o bloco no dia 31 de outubro de forma caótica e desordenada, com potenciais prejuízos à economia. A posição não encontra respaldo no Parlamento, mas tem sido defendida de forma intransigente por Johnson, que alega a necessidade de ter essa carta na manga para sua estratégia de negociação.

O principal impasse se dá em torno da fronteira entre a Irlanda, integrante da União Europeia, e a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido. O temor é que a criação de barreiras possa reavivar o sangrento conflito entre nacionalistas norte-irlandeses (simpáticos à fusão com a Irlanda) e os partidários da autoridade britânica. 

Johnson rechaçou as negociações conduzidas por sua antecessora, Theresa May, mas não apresentou solução alternativa.

A rebelião parlamentar contou com o apoio de correligionários e abriu crise no Partido Conservador, levando à expulsão de 21 rebeldes. Até Jo Johnson, irmão do primeiro-ministro, renunciou a sua cadeira no Parlamento

Logo após ter sofrido sua primeira derrota, na quarta, Johnson submeteu aos deputados um pedido de novas eleições em 15 de outubro. Perdeu novamente. Há na oposição o temor de que um pleito agora poderia dar ao mandatário a chance de impor um brexit sem acordo ao fim da data-limite.

Ainda é pouco claro, contudo, como a questão vai se desenrolar nas próximas semanas. Não se pode descartar a hipótese de que o caso termine judicializado. 

De todo modo, parece inevitável que nova eleição venha a ocorrer no curto prazo —o governo, afinal, nem conta mais com maioria legislativa, após um deputado desertar para a oposição nesta semana.

Embora uma vitória clara de um dos lados deva colaborar para desenredar o debate, um Parlamento mais fragmentado pode deixar o Reino Unido numa paralisia ainda mais grave que a atual.

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