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André Lajst

Paz no Oriente Médio (e os que continuam andando na contramão)

Sem cessar-fogo, acordo entre Israel e Hamas é paliativo e frágil

André Lajst

Cientista político, doutorando em ciências políticas e sociais pela Universidade de Córdoba e diretor-executivo da ONG educacional StandWithUS Brasil

Nos últimos dias aconteceram dois eventos importantes envolvendo Israel e vizinhos na região. O primeiro deles foi o voo inaugural entre Tel Aviv e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), que levava a delegação israelense responsável pela preparação dos acordos bilaterais entre os dois países.

Representantes da área de segurança nacional, turismo e economia do governo de Israel cruzaram pela primeira vez o espaço aéreo saudita, acompanhados por uma delegação americana encabeçada por Jared Kushner, genro e conselheiro para o Oriente Médio do presidente americano Donald Trump.

Claramente, os dois países já preparam investimentos e avanços em acordos em medicina, segurança nacional e no setor turístico —isso devido ao alto número de israelenses interessados em visitar Dubai e aos milhares de árabes dos emirados que desejam conhecer Jerusalém e a mesquita de Al-Aqsa, a terceira mais importante do Islã.

Outro acordo, menos promissor, também foi firmado nesta semana. Israel e o grupo terrorista radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza à força desde 2007, chegaram a um acordo de fim das atuais hostilidades na fronteira. O Hamas, que sofre pressão por parte da população e de outros grupos radicais palestinos dentro do enclave devido à crise econômica e à atual pandemia, frequentemente atira foguetes e balões incendiários contra cidades e vilarejos israelenses que estão próximos à fronteira com a Faixa de Gaza.


Israel, por sua vez, responde a esses ataques, bombardeando alvos do Hamas. Por fim, o Hamas recebeu a visita de um enviado do Qatar, que trouxe uma mala com milhões de dólares em espécie. O grupo terrorista utiliza esse dinheiro para pagar salários, ajudar apoiadores e distribuir benefícios.

Ao mediar um acordo entre Israel e Hamas, o Qatar, assim como o Egito, conseguiu com que Israel reabra a fronteira terrestre com Gaza, fechada após balões incendiários terem atingido uma escola israelense. Israel também concordou em aumentar a zona de pesca permitida na costa do enclave palestino. Assim, o Hamas concordou em ordenar seus homens para cessarem, por enquanto, o lançamento de foguetes e balões contra o país vizinho.

Este acordo, porém, não é um acordo de paz; nem tampouco um cessar-fogo. É apenas um acordo paliativo, frágil, até o Hamas novamente quebrá-lo e lançar algum ataque contra civis israelenses. Enquanto o Oriente Médio vive um momento positivo, com acordos de paz entre os EAU e Israel, e conversas indiretas entre Israel e outros vizinhos para uma possível normalização futura, há grupos —liderados e financiados pelo regime iraniano— que pretendem usar o passado para queimar o futuro.

Enquanto Israel e o mundo árabe desejam e escrevem novos capítulos de paz, radicais presos a uma ideologia fundamentalista seguem caminhando na contramão.

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