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Caio Pompeia

As cinco faces ambientais do agronegócio

Além de estratégias das empresas, posições de associações são fundamentais

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Caio Pompeia

Autor de ‘Formação Política do Agronegócio’ (ed. Elefante) e ex-pesquisador visitante na Universidade Harvard, atua no Programa de Pós-Doutorado em Antropologia Social da USP

Reportagem publicada nesta Folha (“Fundo escandinavo exclui Cargill, Bunge e ADM por desmatamento no Brasil”; 5.fev.21) apontou que o Danske Bank havia excluído “​traders” (operadores financeiros) de dois dos seus fundos. A justificativa do banco era a de que, apesar de reconhecer parte dos compromissos ambientais das empresas, não enxergava uma “agenda política mais forte” no país a confrontar o desmatamento na Amazônia.

A consideração ressalta a importância de se identificarem, além das estratégias dos empresários e das firmas nas cadeias produtivas, as posições das associações que os representam. Distinguem-se abaixo cinco de suas agendas ambientais:

1 - As reivindicações “negacionistas” contestam compromissos climáticos do Brasil, dispositivos do Código Florestal e a existência do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Paralelamente, encorajam alterações legais e administrativas que promovem antes a expansão horizontal que a busca por vantagens competitivas. Tendo na União Democrática Ruralista sua manifestação mais visível, elas readquiriram ímpeto desde as últimas eleições presidenciais;

2 - As posições “conservadoras” convergem com as extremistas na defesa da atual política ambiental e nas críticas às demarcações de terras indígenas. Por outro lado, graduam algumas das propostas mais radicalizadas: não são contra o Acordo de Paris, porém requerem metas mais tímidas para o país, e preferem a continuidade do MMA, desde que sob comando adequado a seus posicionamentos. Tais agendas têm uma porta-voz na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, que presentemente aprofunda sua atuação com a Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso;

3 - Os pleitos “volúveis” não investem com ímpeto contra parte relevante das propostas antiambientais no Congresso, onde têm influência considerável. De outra parte, forçados por críticas, diferenciam-se das posições conservadoras em seus compromissos com as moratórias e a rastreabilidade. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais é um exemplo;

4 - Os posicionamentos “descarbonizadores” opõem-se claramente à política ambiental do governo Jair Bolsonaro. Têm defendido a transição para uma economia de baixo carbono, o combate ao desmatamento ilegal no país, o Código Florestal e as unidades de conservação. Tais posições encontram liderança na Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura;

5 - As posições “socioambientais” propõem o desmatamento zero na Amazônia, contestam investidas para o afrouxamento das regras de licenciamento ambiental e, com maior ênfase que os posicionamentos descarbonizadores, defendem os direitos territoriais tradicionais. São enunciadas por agremiações europeias lideradas por agentes vinculados a atividades terciárias, como a instituição financeira Storebrand e a rede varejista Tesco.

Para contra-arrestar as ameaças antiambientais —nocivas não somente às empresas, mas também ao país e ao mundo—, urge maior coerência entre as estratégias das firmas nas cadeias produtivas e as posições de suas associações. Cresce, simultaneamente, a necessidade de alianças entre as distintas representações que demonstram predisposição para a sustentabilidade.

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