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Ricardo Melo

Chega. Basta. Fora, Bolsonaro

Impeachment é difícil para os covardes; o caso é de interdição

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Ricardo Melo

Jornalista e apresentador do programa ‘Contraponto’ na rádio Trianon de São Paulo (AM 740), foi presidente da EBC (Empresa Brasil de Comunicação)

Foi assim, numa série de editoriais, que o extinto Correio da Manhã despedia-se de Jango Goulart e convocava as elites brasileiras a se livrar do presidente que o jornal considerava um “atentado comunista” ao Brasil em 1964. Depois foi o que se viu. Uma ditadura militar instalou-se no Brasil, o próprio Correio da Manhã soçobrou. Só décadas depois alguns dos que fizeram coro com o Correio no festejo do homicídio da democracia ensaiaram um “mea-culpa”.

Estamos diante de uma boa chance de medir a sinceridade deste “mea-culpa”. Perto de Jair Bolsonaro, Jango era um Gandhi. O capitão expulso do Exército pela sua obsessão pelas mortes, riqueza fácil e adesão ao obscurantismo mais rasteiro não passa de um Hitler tabajara.


Bolsonaro já fez mais do que o necessário para ser derrubado. Em todas as áreas. Ataca os direitos humanos, censura professores, distribui armas a rodo, incinera florestas, queima dinheiro público para subjugar o Congresso, desmoraliza o país mundo afora, humilha um Judiciário (já conivente) para salvar a própria família dos crimes cometidos a céu aberto. Espalha miséria e óbitos comemorando com almoços à base de leitão.

Já passam de 260 mil os mortos por conta deste governo. Para Bolsonaro, tudo isto é “mimimi”. Nada de máscaras, vacinas, isolamento. A pandemia continua sendo uma “gripezinha”. As vítimas, "maricas" que tentam viver em vez de morrer.

O Brasil nunca esteve num precipício como este. Basta sair às ruas. Tirando os fanáticos da extrema direita, a bordo de suas vans milionárias e resorts de luxo, o povo não sabe o que vai acontecer hoje, muito menos o amanhã.

O boicote do governo à vacinação em massa é um crime de lesa-humanidade. O incentivo às aglomerações, endossado por governadores como João Doria (PSDB-SP) ao liberar cultos em igrejas, é um achincalhe. Morram para que alguns vivam. De preferência, viva o “nosso pessoal”, os "bolsodorias" que votam.


Num país que disputa a liderança do descaso com a pandemia, o Ministério da Saúde está entregue a um bufão que confunde Amapá com Amazonas. Daqui a pouco vai trocar Pará com Paraná. Que mudou três vezes (quantas mais?) seu depoimento sobre o desastre que aconteceu em Manaus. Estados tidos como avançados, como Santa Catarina, estão enviando pacientes para o Espírito Santo atrás de oxigênio e UTIs.

Ah, mas o impeachment é difícil, dizem os covardes, “cheirosos” e delinquentes que podem se isolar em recantos de R$ 6 milhões comprados com dinheiro de rachadinhas e peculatos. Sim, um deles é Flávio Bolsonaro. Alguma dúvida?


Jair Bolsonaro não é objeto de impeachment, apenas. É caso de interdição. Não conheço os detalhes do processo. Os experts do “Supremo” certamente conhecem os caminhos. Mas fingem que não é com eles. Até que morra um parente ou familiar deles próprios.

A dita oposição, idem. Está preocupada com 2022. Até lá, quantos brasileiros terão descido à cova? Isto não importa? Ou só importa quando morrer um famoso, uma “celebrity”? E os milhares de brasileiros que morrem como moscas em filas por falta de leitos, UTIs, oxigênio?

Fora, Bolsonaro. Isto não é para 2022. É para já.​

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