Descrição de chapéu
Jorge Abrahão

Os desafios de Ricardo Nunes

Novo prefeito de São Paulo deve reforçar o combate às desigualdades

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Jorge Abrahão

Coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis, organização realizadora da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis

A cidade de São Paulo e o Brasil perderam no último dia 16 de maio um jovem político que respeitava as instituições e não hesitava em defender a democracia —o que não é trivial no atual contexto político brasileiro. Com isso, São Paulo tem agora a sua gestão municipal liderada por Ricardo Nunes (MDB), eleito vice-prefeito na chapa liderada por Bruno Covas (PSDB). Em diversas entrevistas concedidas após o falecimento do prefeito, Nunes reafirmou os compromissos do programa de governo da chapa Covas-Nunes, sinalizando continuidade na administração.

São Paulo tem um caminho claro, com o qual a gestão eleita em 2020 se comprometeu e vem promovendo esforços nesse sentido, ora de maneira mais contundente, ora com mais dificuldades. O Programa de Metas, por exemplo, é o elo entre o programa do candidato e as promessas de campanha com o planejamento governamental, e é nele que se concretizam as prioridades da gestão.

A experiência vivenciada na pandemia exige que se tenha a redução de desigualdades como objetivo central do poder público —cumprindo um dos princípios da República brasileira—, conforme expresso em nossa Constituição em seu artigo 3º.

Esse objetivo não está claro, entretanto, na primeira versão do documento divulgada em abril e que acaba de passar por um processo de consulta pública. A sociedade civil apresentou cerca de 800 propostas (número bastante inferior às 23 mil apresentadas na gestão João Doria, por exemplo), que oferecem uma pequena amostra dos desejos da população para a cidade. Alguns deles estão registrados nas 50 metas de referência para São Paulo, consolidadas no projeto “(Re)age SP - Virando o Jogo das Desigualdades na Cidade”, realizado pela Rede Nossa São Paulo e pela Fundação Tide Setubal: regionalização do Orçamento e prioridade de investimentos nas regiões com maiores vulnerabilidades, além da garantia da participação social na tomada de decisões sobre a capital paulista.

Os desafios de São Paulo não mudaram. Ao contrário, vêm se aprofundando no cenário de pandemia e baixo percentual de população vacinada: a garantia de renda, o acesso à saúde e à educação de qualidade e a melhoria das condições de habitação, infraestrutura e mobilidade —que dificultaram o isolamento na crise sanitária— são prioridades para a metrópole.

São Paulo é a cidade mais próspera do Brasil, mas ainda apresenta um indicador que a envergonha: a diferença de 23 anos na idade média ao morrer entre o rico Jardim Paulista (81 anos) e o pobre Jardim Ângela (58 anos) não deixa dúvida de que é a população mais vulnerável que paga pelas desigualdades.

Reduzir à metade essa diferença em sua gestão seria uma revolução, pois implicaria investimentos na melhoria da saúde, educação e habitação, entre outras áreas. São Paulo pode enfrentar a pobreza, o racismo e a violência contra as mulheres. A ambição de Ricardo Nunes deve estar à altura de São Paulo, tornando-a uma cidade mais resiliente a crises sanitárias, sociais e climática, o que é interesse de todos os segmentos da sociedade.

TENDÊNCIAS / DEBATES
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.