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O que a Folha pensa

Poupar energia

Convém debater desde já incentivos para a redução do consumo de eletricidade

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Represa do Pasasúna, na região metropolitana de Curitiba - Gilson Abreu/ANPr/Divulgação

Represas das usinas hidrelétricas estão a esvaziar-se, sobretudo no Sudeste e no Centro-Oeste, entrando no período de estiagem com níveis inseguros para garantir fornecimento de eletricidade no final do ano. Não se descarta a ocorrência de apagões por novembro, nos horários de pico.

Mais uma vez o país se vê forçado a improvisar, numa crise para a qual não se organizou. Sim, fenômenos climáticos como La Niña estão por trás da pior estiagem em décadas, mas não são desconhecidos; há muito já deveriam ter sido computados entre fatores contingentes contra os quais cabe precaver-se.

No sufoco, restam poucas opções de curto prazo para assegurar oferta de energia bem no momento em que a economia nacional ensaia alguma recuperação. O primeiro recurso, quase o único, está no acionamento constante das termelétricas para suprir a eletricidade que deixa de ser produzida nas turbinas hidráulicas.

O consumidor é o primeiro a pagar pela crise. Essas usinas de reserva têm operação cara, e o custo recairá sobre clientes. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) agora dá como certo que as tarifas avancem para a bandeira vermelha 2, com acréscimo de 20% nas contas de luz.

Mais limitadas são opções como importar energia extra da Argentina e do Uruguai. Ou, ainda, acelerar obras de linhas de transmissão —com os obstáculos orçamentários e burocráticos a que estão sujeitos os investimentos públicos.

A maior interligação dos subsistemas permitiria distribuir cargas entre regiões com regimes pluviométricos díspares, aumentando a robustez do todo. Não se estendem milhares de quilômetros de linhões da noite para o dia, contudo.

Outra providência seriam incentivos para diminuir a demanda de eletricidade em horários de pico. Descontos tarifários poderiam ser ofertados a empresas e domicílios capazes de deslocar o consumo para períodos do dia em que a atividade se reduz, como o noturno. Convém, de fato, que essa alternativa seja debatida desde já.

editoriais@grupofolha.com.br

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