'No mundo real, apenas blá-blá-blá digital será insuficiente', diz leitor

Jair Bolsonaro tomou posse como presidente da República neste terça-feira (1°)

Jair Bolsonaro

Senhor presidente, o seu governo virtual findou-se à meia-noite de 31 de dezembro de 2018. A partir de 1° de janeiro deste ano, com a posse, começa a governança de fato. Boa sorte e bem-vindo ao mundo real, onde apenas blá-blá-blá digital será insuficiente. Imperativo lembrar: a rede social que elege é a mesma que cassa, ou seja, pau que dá em Chico também dá em Francisco.

Fábio Siqueira (Uberaba, MG)

 

O que todo cidadão brasileiro tem de entender, aceitar e “já ir” se acostumando é que o capitão reformado Bolsonaro é o nosso presidente, e não só dos seus quase 58 milhões de eleitores. Portanto, que faça uma boa gestão (“Eleito assume com promessa de guinada à direita e dúvidas”).

Gildázio Garcia (Ipatinga, MG)

 

Um militar pode subir a rampa com a “mão no coldre”, especialmente se tiver a “mira” bem acurada. Para as questões da educação, meio ambiente, diplomacia e direitos humanos, entre outras, a precisão será fundamental para um tiro certeiro na solução dos problemas nacionais. Como repete exaustivamente a frase “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, vale a lembrança de que o mesmo “Deus” é contra a guerra. A não observância disso poderá fazer com que o tiro saia pela culatra (“Mão no coldre”, de Ranier Bragon).

Walter Roberto Correia, professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP (São Paulo, SP)

 

Um discurso de posse tão fugaz quanto foi a campanha eleitoral. No que tange aos aspectos concretos de um governo do qual o Brasil e os brasileiros precisam, ainda é uma incógnita. Contudo, uma certeza bem nítida, que já reside na fala do presidente, é o embate que terá com um Congresso arredio e cheio de mágoas por causa da formação de um governo à margem dos grandes caciques.

Edivaldo Vieira (Candeias do Jamari, RO)

 

Com brilho e perspicácia, Marcos Augusto Gonçalves ironizou o que vem por aí (“Primeira temporada”). À medida que nos distanciamos da ficção, a dramaticidade, ora chocante, ora cruel, dos que se encontram no entorno do poder vai se descortinando. O destaque fica a cargo dos garotões indisciplinados de Bolsonaro. Dos generais vêm a base e a segurança nacional, bem nos velhos e temerários moldes da ditadura militar.

Anete A. Guedes (Belo Horizonte, MG)

Onyx Lorenzoni

Embrulha o estômago quando se percebe a postura adotada por aqueles que compõem o novo governo, pois fazem algo errado e fogem da questão com sofismas ridículos, com o intuito de confundir, e partem para a agressividade contra quem quer fazer um trabalho idôneo e sério. Parabéns, Folha, por ainda colaborar com a sociedade, permitindo um melhor conhecimento e entendimento do que acontece (“Ajudei o país, diz Onyx sobre uso de verba pública”).

Carlos Alberto Perez Júnior (São Paulo, SP)


Política externa

Ficou no passado o tempo em que a política externa brasileira era guiada pela ideologia, com inevitável prejuízo aos interesses nacionais. A partir de agora, será guiada pelo delírio místico-religioso, para o prejuízo (intencional) dos interesses nacionais (“Providência divina elegeu Bolsonaro, escreve futuro chanceler”).

Leonardo dos Reis Gama (São Paulo, SP)


Prevenção do HIV

“Não podemos fazer disso (terapia antiviral) uma política." Como assim? Devemos fazer. A ciência nos dá essa condição, temos recursos e o contrário seria penalizar os potenciais infectados, que serão tratados pelo Estado. A fala evidencia que o raciocínio moralista é preponderante sobre o científico e até sobre o da farmacoeconomia (“Política de prevenção a HIV não pode ofender as famílias, diz novo ministro”). Que tempos são esses que se avizinham?

Evaldo Stanislau Affonso de Araújo, médico infectologista (Santos, SP)


Esquerda

Deveríamos parar de utilizar “direita” ou “esquerda” como sujeitos em frases e tentar abandonar sentimentos de pertencimento a um ou outro desses dois grupos. São tolices que não levam a nada. O diálogo de surdos que se vivencia atualmente no Brasil é lamentável. Mas há quem cultive e se aproveite diretamente dessas bobagens (“O ano em que a esquerda quebrou”, de Luiz Felipe Pondé).

Giovani Moises Pacheco (São José, SC)

 

A análise de Pondé é muito lúcida e até certo ponto divertida. É também um importante alerta aos que chegam ao poder para que não cometam os mesmos erros, porque a embriaguez causada pelo poder e a vaidade consequente cegam os incautos e os imprudentes.

Marcus Flavius Medeiros Magliano (São Paulo, SP)


Liberais

Não posso precisar em números, mas a grande maioria dos eleitores brasileiros não sabe o que significam as ideias liberais. Vão experimentar na pele e podem até ser algo melhor para eles. O tempo dirá (“Antes consideradas inviáveis, ideias liberais agora são aceitas no país”).

Silvio Lima (Camaragibe, PE)


Investimentos

Eduardo Guardia acerta ao apontar como fundamental o aumento de produtividade de nossas empresas e trabalhadores (“Oportunidades e desafios da economia brasileira”). Menciona a importância de educação de qualidade, mas se esquece do valor mais amplo do conhecimento em geral. Além de educação, é preciso investir em ciência, em pesquisa para gerar inovações.

Paulo A. Nussenzveig, professor do Instituto de Física da USP (São Paulo, SP)


Segurança pública

Na realidade, é o Exército que tem sido usado como força auxiliar das polícias militares nas Operações de Garantia da Lei e da Ordem, embora o comando fique com o Exército (“Segurança pública militarizada”, de Jorge Zaverucha. 

Paulo Marcos Gomes Lustoza, capitão de mar e guerra reformado (Rio de Janeiro, RJ)


Indulto

Artigo 5º da Constituição: todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Portanto, Michel Temer, constitucionalista que é, não poderia mesmo baixar um decreto presidencial que violasse esse princípio constitucional, sobretudo no Estado democrático de Direito em que se encontra a nação brasileira. Ou a prerrogativa do presidente da República prevalece para decretar o indulto natalino a todos os presos, sem exceção, ou não se decreta (“Temer recua mais uma vez e decide não dar o indulto de Natal a pessoas condenadas”).

Antônio Dias Macedo (São Paulo, SP)


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