'Doria deixará de lado o 'bolsodoria' em algum momento até 2022', diz leitor

Leitores comentam artigo do governador de São Paulo publicado na última sexta-feira (31)

PSDB

O que João Doria diz no artigo (“O novo PSDB e o Brasil”, Tendências / Debates, 31/5), que “o novo PSDB defenderá a economia de mercado, o combate às desigualdades, a criação de oportunidades e a ética pública, com gestão inovadora e desburocratizante” é do programa do PSDB como fundado por FHC, Covas etc. E esse programa é de centro-esquerda, pois é da esquerda se preocupar em diminuir as desigualdades e gerar oportunidades para os excluídos. O centro não se preocupa com isso. Procure outra marca, Doria. Por aí, não vai dar. Não insista.

Marly A. Cardone, professora aposentada da USP e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Social  Cesarino Júnior (São Paulo, SP)

O governador acerta ao dizer que o PSDB deve tomar um caminho mais liberal na economia sem se esquecer do social. Seu artigo é ponderado e demonstra um viés bastante democrático, entretanto não é isso o que João Doria passa quando faz seus vídeos e discursos inflamados; não o condeno por essa dualidade. Infelizmente, no Brasil, quem não é populista não tem vez na política.

Nathan Lorenzetti, membro da diretoria executiva do PSDB-Araraquara (Araraquara, SP)

A nova direção nacional do PSDB assumiu com o discurso de mudança e de maior proximidade com o liberalismo. Doria tentará se descolar de Bolsonaro, deixando de lado o “bolsodoria” em algum momento até 2022. Seu objetivo é claro: a Presidência da República, custe o que custar. Resta saber se o Partido da Social Democracia Brasileira defenderá o espírito social-democrata ou se abraçará de vez o liberalismo, convencendo brasileiros de que trair aliados e ser agressivo nas eleições é a melhor tática.

Willian Martins (Guararema, SP)

Governo Bolsonaro

 

O governo Bolsonaro tem sido uma lástima na gestão da educação, do meio ambiente e do turismo. Peca por idas e vindas e preocupa-se com coisas irrelevantes. Sofre de síndromes ideológicas desnecessárias e não apresenta planos e projetos factíveis e bem definidos. Cria conflitos com importantes segmentos da população —estudantes, por exemplo— e joga todos os seus dados na reforma da Previdência, que é importante, mas insuficiente para nortear o desenvolvimento nacional que a população deseja.

Ricardo Pedreira Desio, professor universitário aposentado (São Paulo, SP)

Graças à facada, inesperadamente, chegou ao poder um projeto irracional, que não é liberal nem conservador, que é ligado ao comércio da fé, que vê comunismo na democracia, que é anticiência e anticultura e que divide o povo como torcidas de futebol. Sim, estamos todos no mesmo barco e, tal como no Titanic, só poucos têm botes salva-vidas.

João Bosco Egas Carlucho (Garibaldi, RS)

Nós só alcançaremos a nossa maturidade quando deixarmos de votar na aparência do candidato, levando em conta se ele é simpático, bonito etc., e votarmos no seu projeto de governo, principalmente para saúde, cultura, habilitação, economia e sobretudo educação, para formarmos cidadãos.

Ricardo Bessa Gonçalves (São Paulo, SP)


Evangélico no STF

O presidente tem o poder de indicar ministros do STF, mas parece que ninguém explicou isso para Jair Bolsonaro, que resolveu dar mais um tiro no pé criando outra polêmica desnecessária e inoportuna. É evidente que o próximo ministro da mais alta corte do país virá da poderosa bancada evangélica, que manda em Bolsonaro. Ele já deixou isso claro muito antes da próxima troca de ministros. (“Bolsonaro questiona falta de ministro evangélico no STF”, Poder, 1º/6). 

Mário Barilá Filho (São Paulo, SP)


Ministério da Educação


Este governo tem que parar de delirar. Todos os governos anteriores não pregaram qualquer ideologia, seja ela de esquerda, de direita etc. Nunca vi e li qualquer incentivo socialista e comunista por parte de nenhum político. O que eu vi e li foram olhares para as questões sociais. Não entendo esse autoritarismo. O ministro da Educação está falando em tom de ameaça e punição para professores, que têm o direito de reclamar (“Estudantes e MEC medem forças em 2° dia de protestos”, Cotidiano, 31/5).

Carlos Alberto Martins (Jundiaí, SP)


Moro sem Coaf


Ao orientar a bancada de seu partido no Senado a manter a decisão da Câmara de passar o Coaf para o Ministério da Economia, Bolsonaro deu uma bofetada nos milhares de apoiadores de seu governo que foram às ruas no último dia 26, clamando, entre outras coisas, pela manutenção do órgão na pasta da Justiça. Resta esvaziar o boneco do “supermoro”, guardá-lo no fundo da garagem e aguardar as próximas eleições (“Após apelo de Bolsonaro, Senado aprova MP de reforma de ministérios”, Poder, 29/5).  

Mauricio Villela (Niterói, RJ)


Manifestações

Quatro diferenças fundamentais dizem muito sobre as recentes manifestações: 1) verde e amarelo X vermelho; 2) protesto em final de semana X protesto em dia útil; 3) participação apenas da sociedade civil X participação de sindicatos e partidos políticos de esquerda; 4) pacificidade X atos de vandalismo. Não parece difícil escolher entre um país e uma ideologia. Felizmente a maioria dos brasileiros vem se alinhando à primeira corrente.

Gabriel Henrique Santoro, advogado e professor (São Paulo, SP)

Maria Hermínia Tavares

A coluna da professora Maria Hermínia Tavares de Almeida, às quintas, com lucidez analítica e clareza argumentativa, tem se constituído numa valiosa trincheira em defesa de práticas e respeito aos valores democráticos no processo político brasileiro; seus textos, igualmente, têm sido um firme questionamento do obscurantismo cultural e do autoritarismo político, hoje promovidos e incentivados por um governo de extrema direita que pouco apreço tem pela civilidade e pluralismo democrático.

 

Caio Navarro de Toledo, professor aposentado da Unicamp (Campinas, SP)


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