Márcio França prioriza nomes de confiança em trocas no secretariado

Novo governador fez substituições em áreas como Planejamento, Comunicação e Emprego

Joelmir Tavares
São Paulo

O governador Márcio França (PSB) começou a fazer nesta terça-feira (10), em seu quinto dia à frente do Palácio dos Bandeirantes, mudanças no secretariado.  Nesta quarta (11), novas alterações foram publicadas.

Para a pasta de Planejamento e Gestão, ele nomeou o jornalista Mauricio Pinto Pereira Juvenal, seu ex-assessor e aliado antigo, que entrou no lugar de Marcos Monteiro. Juvenal também está respondendo interinamente pela Casa Civil.

Monteiro foi deslocado para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação —antes ocupada pelo próprio França, que acumulava a função com o cargo de vice-governador.

Outro jornalista que trabalha com França há anos, Clóvis Vasconcellos foi para a subsecretaria de Comunicação Social. Ele era assessor de imprensa do socialista no período dele como vice e fica com a cadeira do jornalista Carlos Graieb, já exonerado.

Na Agricultura e Abastecimento, assumiu provisoriamente Omar Cassin Neto, que era até então o chefe de gabinete. A secretaria era liderada por Arnaldo Jardim, que voltou a exercer o mandato de deputado federal e tentará a reeleição. Por causa da campanha, ele já teria que se desincompatibilizar.

Para Emprego e Relações do Trabalho, foi escolhido Cícero Firmino da Silva. Conhecido como Cícero Martinha, ele é filiado ao Solidariedade e próximo do deputado federal Paulinho da Força, dirigente nacional do partido, que apoiará a reeleição do atual governador. Martinha preside o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá.

As nomeações começaram a sair na terça, na primeira edição do "Diário Oficial" com decisões de Márcio França. Até então, as publicações eram assinadas por Geraldo Alckmin (PSDB), que renunciou ao governo na sexta-feira (6) para disputar a Presidência da República.

Outras secretarias estão indefinidas após a exoneração de titulares por causa das eleições. São os casos, por exemplo, de Casa Civil (de onde saiu o tucano Samuel Moreira), Desenvolvimento Social (até a semana passada chefiada pelo tucano Floriano Pesaro) e Cultura (que estava nas mãos de José Luiz Penna, do PV).

Para a Procuradoria-Geral do Estado, o novo governador escolheu Juan Francisco Carpenter, em substituição a José Renato Ferreira Pires. Desde 2015, Carpenter era subsecretário de Ações Estratégicas, lotado na Secretaria de Governo.

AOS POUCOS

Outras mudanças são esperadas para os próximos dias. O plano de França é fazer as nomeações aos poucos. Até a noite desta terça-feira, não havia previsão de evento para anunciar outros secretários.

O socialista quer tentar a reeleição e está costurando uma rede de apoios que já inclui dez legendas. Ele diz que as decisões sobre o secretariado não estarão atreladas aos acordos partidários. 

Desde antes de assumir a função, França já vinha deixando claro que trocaria os secretários que não o apoiassem, ou que fossem fazer campanha para seu principal adversário, o ex-prefeito tucano João Doria.

Mantido no governo, Marcos Monteiro é pessoa de confiança de Alckmin. Tesoureiro da campanha do ex-governador em 2014, ele foi citado por delatores da Odebrecht como intermediário de caixa dois para o comitê. Tanto Monteiro quanto Alckmin negam qualquer irregularidade.

Titular de uma das secretarias mais importantes, a de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa desconversou nesta terça ao ser questionado pela Folha sobre sua permanência. Disse que a decisão é unicamente do governador.

Saúde, Educação e Fazenda também são consideradas áreas sensíveis para a gestão. 

O governo paulista tem no total 25 secretarias. 

Coube também ao governador escolher o chefe do Ministério Público do Estado para os próximos dois anos. O mais votado na eleição interna do órgão foi Gianpaolo Smanio, que já exerce a função.

A lista tríplice com os mais votados foi levada a França e, nesta quarta, ele confirmou a recondução do atual procurador-geral de Justiça. Pelas regras, o chefe do Executivo não tem obrigação de nomear o candidato desejado pela maioria dos membros da instituição.

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