Descrição de chapéu física chile

Sistema de inteligência artificial será usado em eleições futuras, diz professor

Físico chileno aposta na tecnologia como alternativa para melhorar as instituições democráticas

Fernanda Ezabella
Vancouver (Canadá)

"Sou só eu, ou há outros aqui também decepcionados com a democracia?" A pergunta veio do físico estatístico chileno César Hidalgo na abertura de sua apresentação no TED, um evento de palestras que aconteceu na semana passada em Vancouver. 

O professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) acredita ter uma alternativa para melhorar o sistema democrático, ainda que ele mesmo a considere um tanto "provocativa" e "muito louca" para os dias de hoje, mas natural para os dias de amanhã: e se substituirmos nossos políticos por avatares de nós mesmos? 

O físico chileno Cesar Hidalgo, professor do MIT - Divulgação

Avatares são usuários numa plataforma online que aplicaria sistemas avançados de inteligência artificial para aprender nossos gostos políticos e então votar em nosso nome ou nos recomendar votos, desde cargos políticos até projetos de lei. 

"Imaginem um mundo no qual, em vez de pessoas que representam você e outras milhares de pessoas, você tivesse um representante só seu, com todas as suas nuances políticas, aquela combinação esquisita de libertário e liberal, conservador neste assunto, progressista em outro", disse Hidalgo, 38, diretor de um grupo de aprendizado coletivo do Media Lab do MIT. 

O professor mostrou dados globais sobre presença em processos eleitorais, como a média de 67% no mundo nos últimos 30 anos e 24% na eleição de prefeito de Nova York em 2017. "Não dá para culpar as pessoas porque estamos cansados dos políticos."

Para ele, a vulnerabilidade da democracia está na representatividade e, portanto, para agilizar o sistema seria necessário atacar o representante ou a forma como é escolhido. Com avatares, o Senado de um país poderia ter tantos senadores quanto cidadãos, por exemplo.

"Por muito tempo se pensou que precisávamos de mais comunicação para melhorar a democracia. Mas já vimos que não. O que precisamos é de outras tecnologias para nos ajudar com esta sobrecarga de informações. [...] Democracia tem uma interface muito ruim. Talvez se a melhorarmos, usaríamos mais." 

Ele afirmou que a "revolução" precisa começar devagar e humildemente, criando sistemas de votos não oficiais em escolas, bibliotecas e ONGs para levantar todas as questões e problemas possíveis antes de chegar numa solução confiável. 

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