Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro diz que não haverá privilégio em distribuição de verba publicitária

Em discurso, ele defendeu que veículos de imprensa sejam isentos, não parciais 'como alguns infelizmente o foram há pouco tempo'

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (7) que irá democratizar a verba publicitária e defendeu que os veículos de imprensa não sejam parciais.

O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto nesta segunda (7)
O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto nesta segunda (7) - Adriano Machado/Reuters

Em cerimônia de posse dos novos presidentes dos bancos públicos, ele afirmou que ninguém terá direito "a mais ou a menos" e ressaltou que não haverá o que chamou de privilégios a alguns órgãos de comunicação .

"Nós vamos democratizar as verbas publicitárias. Nenhum órgão de imprensa terá direito a mais ou a menos naquilo que nós, de maneira bastante racional, viremos a gastar com nossa imprensa", disse.

Ele disse que seu desejo é que os veículos de comunicação sejam cada vez mais forte e isentos, e não parciais, "como alguns infelizmente o foram há pouco tempo ainda".

"A imprensa livre é a garantia da nossa democracia. Vamos acreditar em vocês, mas essas verbas publicitárias não serão mais privilegiadas para a empresa A, B ou C", afirmou.

A fala ecoa pronunciamentos do PT quando estava no poder. Por diversas vezes os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e outras autoridades do partido defenderam políticas para "democratizar" a mídia. Essas ações em geral eram criticadas por serem vistas como formas de controlar o conteúdo do que é publicado.

Antes de tomar posse, Bolsonaro disse que iria rever os contratos de publicidade e, durante a campanha eleitoral, ameaçou cortar verba de anúncios da Secretaria de Comunicação Social.

Neste final de semana, inclusive, ele usou as redes sociais para criticar a imprensa. Ele republicou em seu perfil mensagem em que o presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump, acusava, em outubro, boa parte do jornalismo de fabricar fake news.

No discurso desta segunda, Bolsonaro disse ainda que os recursos que forem destinados em seu governo a ONGs passarão por um "rígido controle".

"O rígido controle para que possamos, então, fazer com que o recurso público seja bem utilizado", ressaltou.

As declarações foram dadas no Palácio do Planalto na cerimônia de posse de novos dirigentes dos bancos públicos: Rubem Novaes (Banco do Brasil), Joaquim Levy (BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Pedro Guimarães (Caixa Econômica Federal). 

O ministro da Secretaria de Governo, Santos Cruz, criou uma estrutura para monitorar as entidades. 

Na semana passada, o novo secretário especial de Regulação Fundiária do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, disse que entidades "escusas" não receberão verbas. 

O presidente também disse que pretende acabar com o BV (Bônus por Volume), comissão paga a agências de publicidade por direcionar anunciantes.

"Vamos buscar junto ao Parlamento brasileiro a questão do BV. Isso tem de deixar de existir. Eu aprendi há pouco o que é isso e fiquei surpreso e até mesmo assustado. Vamos eliminar essas questões para que a imprensa possa cada vez mais fazer um bom trabalho no Brasil", disse.

Gustavo Uribe, Talita Fernandes , Mariana Carneiro e Bernardo Caram
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