Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Ministro da articulação de Bolsonaro faz aceno a Maia e diz que 'ódio não constrói'

General Ramos afirmou que precisa dos presidentes da Câmara e do Senado para fazer seu trabalho

Joelmir Tavares
São Paulo

A uma plateia de executivos e investidores em São Paulo, o novo responsável pela articulação política do governo Jair Bolsonaro (PSL), general Luiz Eduardo Ramos, pediu colaboração com o governo e fez um discurso de conciliação. 

O ministro da Secretaria de Governo da Presidência se referiu aos empresários como heróis e elogiou os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), com os quais o governo mantém relação tensa.

“E eu queria aqui fazer uma homenagem, né, em público, ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, que, como um capitão num mar revolto, conseguiu conduzir esse barco da reforma [da Previdência] da melhor maneira”, disse Ramos nesta sexta-feira (19).

Ao lado dele, no salão de um hotel na zona sul da capital, estava o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que aplaudiu a fala. O evento foi promovido pelo Lide, grupo de líderes empresariais fundado pelo tucano, que compôs a mesa principal.

O general também exaltou Alcolumbre, ressaltando o papel que o presidente do Senado terá na tramitação da Previdência na Casa, na volta do recesso

“Já deixei claro para o líder Rodrigo Maia e para o líder Davi Alcolumbre que eu preciso deles. Não existe democracia com poder isolado”, afirmou. Ele disse contar com o Congresso para passar na sequência uma reforma tributária.

"Realmente, nessa fase inicial, a pessoa do nosso presidente Rodrigo Maia foi fundamental. Mas não é só a previdenciária. Nós temos que dar continuidade às outras reformas: trabalhista, política, tributária, saneamento básico, desonerar a cadeia produtiva."

O ministro criticou o chamado custo-Brasil e afagou a audiência ao transmitir, segundo ele, um recado do presidente: "Vocês, empresários, são os heróis deste país, pelo que os senhores enfrentam de carga tributária, de burocracia".

De acordo com o titular da Secretaria de Governo, Bolsonaro agora é adepto do liberalismo. "Ele [presidente] é muito transparente. Falou assim: 'Eu era estatizante. Mudei. Agora eu sou liberal e sou aluno do [Paulo] Guedes [ministro da Economia]'."

O tema oficial da fala de Ramos, divulgado pelos organizadores, era “a importância da coordenação político-institucional”. O ministro reiterou a ideia de que o governo rechaça o “toma lá, dá cá” na relação com os parlamentares.

Ramos disse que Bolsonaro inaugurou uma nova forma de governar, pondo fim ao esquema que ele chamou de "porteira fechada", no qual ministérios e cargos do governo seriam loteados e divididos entre partidos, em troca de apoio em votações.

"Nosso presidente Bolsonaro teve a coragem moral, teve um posicionamento muito duro. Foi muito atacado, porque o quadro político estava com outro modus operandi", afirmou.

"Meus senhores, a democracia é isso. É entrar para o Congresso pessoas que não concordam com você e você conversar com elas, e com argumentos. Sem nada pessoal."

"O ódio não constrói, só destrói. O amor, a tranquilidade, a serenidade ajudam a diminuir as tensões", discursou Ramos, com a observação de que as letras de seu sobrenome, de trás para a frente, formam a palavra "somar".

O auxiliar de Bolsonaro também ecoou em suas palavras a pregação feita por Doria no palco em defesa do centro e contra os extremos na política. "Como o governador bem colocou, eu sou um homem que procura o centro das coisas", relatou o militar

"O universo busca o centro. Se chover demais, é ruim para a plantação. Se fizer muito calor, é ruim. A natureza nos ensina que o centro é melhor", comparou.

O ministro encerrou sua participação com uma mensagem aos empresários: "Por favor, eu peço com o coração, acreditem no presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. Acreditem realmente. Não fiquem focados em pequenas coisas. A grandeza do que ele quer fazer pelo país é impressionante. Pena é que não é divulgado".

Antes, ele falou que respeita a imprensa, mas a mídia deixa de noticiar iniciativas do governo que ele considera positivas, já que "notícia ruim não vende".

Ramos tomou posse no cargo no dia 4 deste mês, após convite do presidente, que é seu amigo desde os tempos do Exército, na década de 1970. Ele exibiu no telão uma sequência de fotos ao lado de Bolsonaro em vários momentos, inclusive durante a internação dele após a facada na campanha.

O militar, que era chefe do Comando Militar do Sudeste, assumiu o lugar do também general Santos Cruz, demitido em junho após embates com a chamada ala ideológica do governo, influenciada pelos filhos de Bolsonaro e pelo escritor Olavo de Carvalho, guru da família do presidente.

No evento do Lide, Ramos equiparou a experiência no governo a embarcar em "um trem a 400 quilômetros por hora" e conclamou os presentes a "reconhecer a grandeza do nosso presidente Bolsonaro", sob o argumento de que "coisas muito boas estão ocorrendo no Brasil".

Ele respondeu a três perguntas de pessoas da plateia, mas deixou o local do encontro sem dar entrevista aos jornalistas, alegando ter outro compromisso.

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