Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Após cirurgia, Bolsonaro se alimenta de chá e gelatina e diz que logo voltará ao batente

Recomendação médica, contudo, é que presidente evite falar e limite visitas

Carolina Linhares
São Paulo

Na manhã seguinte à quarta cirurgia após a facada que sofreu no ano passado, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) apresenta boa recuperação e começa a ingerir líquidos, como chá, gelatina e caldo ralo. Ele gravou um vídeo e postou nas redes sociais, afirmando que voltará a trabalhar na próxima terça-feira (10). 

"Pessoal, só segunda-feira que eu estou de folga, hein. Amanhã eu volto no batente. Por enquanto, meu programa favorito aqui, o Chaves", disse Bolsonaro na cama do hospital, enquanto tomava café da manhã e assistia TV nesta segunda (9). 

Já à noite, por volta das 22h30, o médico que operou Bolsonaro, Antônio Macedo, esteve no Hospital Vila Nova Star, na região sul de São Paulo, e afirmou que o presidente se recupera bem. 

"A incisão está bem, não tem hematoma. Tudo indica que as coisas estão indo muito bem", disse.

Segundo o médico, o presidente andou pelo corredor várias vezes durante o dia e se recupera mais rápido que outros pacientes na mesma situação.

"Ele não refere dor nenhuma, ele é extremamente positivo. Você pede para levantar da cama, ele nem usa as pessoas que ajudariam normalmente. Ele tem uma disposição para trabalhar e para obedecer aos comandos muito grande."

O presidente Jair Bolsonaro com o filho Eduardo, que carrega uma arma na cintura, após cirurgia - Reprodução/Twitter

Não há pressa, segundo Macedo, para evoluir para a dieta pastosa, pois os médicos temem que isso possa distender o abdômen.

Macedo afirmou que Bolsonaro deve ficar internado pelo menos até o próximo fim de semana e não arriscou prever uma data para alta.

O presidente só poderá voltar a Brasília, se não houver complicações, de 7 a 10 dias após a cirurgia –na semana que vem, portanto.

O porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros, disse que o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) segue no exercício da Presidência até quinta (12), embora Bolsonaro tenha mostrado disposição em voltar logo para o trabalho. 

"É da natureza dele estar ativo o mais rápido possível. A evolução clínica tem sido muito positiva, e em razão dessa evolução, o presidente se mostra já disposto a iniciar os trabalhos de condução do Poder Executivo, ainda que, neste momento, nós tenhamos o vice-presidente da República chefiando o nosso governo", disse Barros. 

"É claro que o presidente participa das decisões por meio das suas interlocuções com seus vários ministros e inclusive com o próprio general Mourão", afirmou o porta-voz. 

O médico Macedo disse que a orientação é que Bolsonaro fale pouco e, portanto, receba poucas visitas. Ao falar e engolir ar, o abdômen pode se distender e o presidente pode sentir dor. Apesar disso, o presidente já recebeu visitas de Mourão e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

De acordo com Macedo, o presidente pode fazer trabalhos leves, mas não voltar ao batente plenamente na terça, como Bolsonaro disse que iria fazer no vídeo postado pela manhã.

"Ele só faz o que a gente autoriza. Não tem como negociar numa hora dessa, porque a gente sabe o que pode acontecer se começar a falar demais, distender a barriga e tudo. Nós amargamos da outra vez as custas de entrevista, com ministros e tudo, vários dias sem o intestino funcionar, ele chegou a vomitar, teve pneumonia", disse Macedo.

O médico afirmou que é preciso cautela, mesmo Bolsonaro estando com a saúde ótima, "muito melhor que das outras vezes".

Macedo disse ainda que o médico que operou Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) logo após a facada, Luiz Henrique Borsato, deve vir visitá-lo no hospital, em São Paulo, na quinta.

Há uma ala do hospital destinada à equipe do presidente e à sua família, onde ele pode trabalhar. 

Nesta segunda, às 13h25, Mourão chegou ao hospital para visitar Bolsonaro. Foi um encontro rápido. O vice, que exerce a Presidência interinamente, deixou o local por volta das 13h40 sem falar com a imprensa.  

Mais cedo, às 11h, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Bolsonaro, postou uma foto com ele no hospital. O presidente está sentado na cama, e Eduardo está ao seu lado, com uma arma na cintura. Antes de ser deputado, escrivão da Polícia Federal, Eduardo já apareceu exibindo arma em outros episódios, como em manifestações.

A cirurgia foi realizada no domingo (8) para corrigir uma hérnia que surgiu na região onde foram feitas três operações depois do ataque a faca durante a campanha eleitoral de 2018 na cidade de Juiz de Fora (MG).

Ainda no domingo, o presidente recebeu a visita de Salles. Também assistiu ao jogo do Botafogo, segundo o porta-voz. No momento, o acompanham no hospital a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o filho Carlos Bolsonaro (PSC), vereador no Rio.

Segundo o boletim médico divulgado na manhã de segunda, as visitas estão restritas.

"O paciente encontra-se estável, sem dor, afebril e com boa evolução clínico-cirúrgica. Hoje já iniciará fisioterapia motora, podendo sentar na poltrona e realizar caminhada no corredor", diz o boletim. 

Segundo o diretor-médico do Hospital Vila Nova Star, Antônio Antonietto, a orientação médica é de que o presidente fale pouco e caminhe, para que os movimentos do intestino voltem naturalmente. 

No fim da manhã e durante a tarde, Bolsonaro caminhou pelo corredor do hospital. A Presidência divulgou um vídeo da segunda caminhada, em que o presidente se movimenta sem dificuldade.

Segundo a Presidência, Bolsonaro estará restabelecido a tempo de discursar na Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro, em Nova York.

A cirurgia, considerada de média complexidade, tinha previsão de duração de duas horas, mas acabou levando cinco –sendo concluída às 12h40. Macedo, responsável pelo procedimento, disse que foram encontradas aderências no intestino que demandaram mais tempo da equipe. 

Logo após a cirurgia, Bolsonaro vestiu uma cinta elástica para pressionar o abdome operado e ajudar no processo de recuperação. 

Macedo não descarta a possibilidade de que surjam novas hérnias no futuro, mas as chances são pequenas, em torno de 6%, segundo ele.

O surgimento da chamada hérnia incisional já era esperado pelos médicos que atendem o presidente, em razão da série de intervenções feitas na região da barriga do paciente para tratar os danos provocados pelo ataque.

O então presidenciável foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira em 6 de setembro de 2018. O autor do crime está preso desde então.

A hérnia ocorreu porque, em virtude do enfraquecimento da parede muscular do abdômen, uma parte do intestino passou por uma cavidade desse tecido.

As múltiplas incisões (cortes) na barriga fragilizaram o músculo, o que fez com que a porção do órgão e uma camada de gordura rompessem a membrana.​

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