Relembre série de ataques de Bolsonaro à Folha desde a campanha eleitoral de 2018

Presidente cumpriu ameaça e excluiu jornal de licitação da Presidência para assinatura de jornais

São Paulo

Desde a campanha eleitoral do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro tem promovido uma série de ataques à Folha, o que inclui a recente promessa, agora concretizada, de cancelar as assinaturas do jornal pelo governo federal.

Nesta quinta-feira (28), a Presidência da República excluiu a Folha da relação de veículos nacionais e internacionais exigidos em um processo de licitação para fornecimento de acesso digital ao noticiário da imprensa —em outubro, Bolsonaro anunciou que havia determinado o cancelamento de todas as assinaturas da Folha no governo.

Já nesta sexta-feira, ao ser questionado sobre o tema, Bolsonaro ampliou a ameaça à Folha e disse que boicota produtos de anunciantes do jornal.

Essas falas e ações do presidente, ao mesmo tempo, têm sido acompanhadas de reações de organizações que representam a imprensa e a sociedade civil. Segundo eles, tais atitudes atentam contra a liberdade de expressão e os princípios que regem a administração pública. 

Da mesma forma, leitores têm se manifestado nas redes sociais, vendo a atitude do presidente como censura e um ataque à imprensa livre, independente e imparcial. 

Relembre alguns desses casos, desde a campanha eleitoral do ano passado.

O presidente Jair Bolsonaro, em evento no Palácio do Planalto
O presidente Jair Bolsonaro, em evento no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira/Folhapress,

MAIOR FAKE NEWS

Uma semana antes do segundo turno da eleição de 2018, no dia 21 de outubro, Bolsonaro pediu aos seus apoiadores, em vídeo ao vivo exibido em telões na avenida Paulista, que "participem das eleições ativamente" daqui a sete dias, de forma democrática e "sem mentiras, sem fake news, sem Folha de S.Paulo".

"A Folha de S.Paulo é a maior fake news do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo", afirmou ao público, sob gritos da plateia. "Imprensa vendida, meus pêsames."

Apesar dessa fala, ele afirma que apoia a imprensa livre, "mas com responsabilidade".

JORNAL SE ACABOU

Em outubro do ano passado, em entrevista ao Jornal Nacional, o então presidente eleito afirmou que “por si só, esse jornal se acabou”.

“Não quero que [a Folha] acabe. Mas, no que depender de mim, imprensa que se comportar dessa maneira indigna não terá recursos do governo federal”. O presidente eleito, depois, completou: “Por si só esse jornal se acabou”.

PROFUNDEZAS DO ESGOTO

Em outubro deste ano, o presidente afirmou que a Folha "avançou todos os limites" e desceu "às profundezas do esgoto" ao publicar reportagem sobre possível uso de caixa dois na campanha dele à Presidência e do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, ambos do PSL.

"A Folha de S.Paulo avançou a todos os limites, transformou-se num panfleto ordinário às causas dos canalhas", afirmou Bolsonaro em suas redes sociais. "Com mentiras, já habituais, conseguiram descer às profundezas do esgoto", disse. Na mensagem, o presidente reproduz parte da primeira página do jornal.

ASSINATURAS

Também em outubro passado, Bolsonaro disse que determinou o cancelamento de todas as assinaturas da Folha no governo federal. 

"Determinei que todo o governo federal rescinda e cancele a assinatura da Folha de S.Paulo. A ordem que eu dei [é que] nenhum órgão do meu governo vai receber o jornal Folha de S.Paulo aqui em Brasília. Está determinado. É o que eu posso fazer, mas nada além disso", disse, em entrevista à TV Bandeirantes.

"Espero que não me acusem de censura. Está certo? Quem quiser comprar a Folha de S.Paulo, ninguém vai ser punido, o assessor dele vai lá na banca e compra lá e se divirta. Eu não quero mais saber da Folha de S.Paulo, que envenena o meu governo a leitura da Folha de S.Paulo."

ANUNCIANTES

No mesmo dia em que anunciou o cancelamentos das assinaturas da Folha, em tom de ameaça, o presidente também disse que os anunciantes do jornal "devem prestar atenção". 

"Não vamos mais gastar dinheiro com esse tipo de jornal. E quem anuncia na Folha de S.Paulo presta atenção, está certo?", disse.

BOICOTE

Nesta sexta-feira (29), o presidente ampliou as ameaças à Folha e disse que boicota produtos de anunciantes do jornal. Ele ainda recomendou à população não comprá-lo. 

"Eu não quero ler a Folha mais. E ponto final. E nenhum ministro meu. Recomendo a todo Brasil aqui que não compre o jornal Folha de S.Paulo. Até eles aprenderem que tem uma passagem bíblica, a João 8:32. A imprensa tem a obrigação de publicar a verdade. Só isso. E os anunciantes que anunciam na Folha também." 

"Qualquer anúncio que faz na Folha de S.Paulo eu não compro aquele produto e ponto final. Eu quero imprensa livre, independente, mas, acima de tudo, que fale a verdade. Estou pedindo muito?", disse, em entrevista na porta do Palácio do Alvorada, diante de um grupo de apoiadores.

 

 

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