Carros elétricos se dão até melhor em caso de alagamento

Confira os mitos envolvendo a água e a eletricidade e respostas para as dúvidas mais comuns sobre esses veículos

São Paulo

Dá choque? Pode rodar na chuva? Quanto tempo demora para carregar? Essas são algumas das p erguntas que os ainda raros donos de carros 100% elétricos precisam responder diariamente.

As dúvidas e os mitos que envolvem esses veículos lembram o que ocorreu em 2003, quando os primeiros carros flex foram lançados no Brasil. Pesquisas da época mostravam que parte do público imaginava carros equipados com dois tanques, um para o etanol e outro para a gasolina.

Segundo o arquiteto e urbanista Rogério Markiewicz, presidente da Abravei (Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores), os donos sabem mais sobre os carros do que as redes concessionárias. Ele afirma que o comprador desse tipo de veículo é extremamente ligado em novas tecnologias e sustentabilidade.

Markiewicz acredita que as vendas de veículos 100% elétricos devem começar a crescer ao longo dos anos, como já ocorre com os híbridos.

Hoje, um Toyota Corolla Hybrid Flex (R$ 130,4 mil), que pode rodar com gasolina, etanol e eletricidade, representa 25% das vendas do modelo. A montadora japonesa teve que aumentar a produção dessa versão, que chegou a ter quatro meses de fila de espera em 2019.

Apesar das expectativas da Abravei, essa realidade ainda está distante dos automóveis que não queimam combustível. De acordo com os dados de emplacamento no país, apenas 67 veículos elétricos foram comercializados nos dois primeiros meses de 2020.

Além do desconhecimento da tecnologia e do medo de ficar sem energia no meio da viagem, o preço é o obstáculo para o aumento das vendas. O modelo mais barato dessa categoria é o chinês JAC iEV 20, um carro compacto que custa R$ 120 mil. É o triplo do valor pedido por um Renault Kwid Zen 1.0 flex (R$ 40,4 mil), que tem o mesmo porte.

Para o presidente da Abravei, o aumento da autonomia dos veículos deve estimular as vendas. Ele acaba de adquirir um Chevrolet Bolt, capaz de rodar 416 km com uma carga completa de suas baterias. O carro custou R$ 175 mil.

Markiewicz faz as recargas a cada dois dias na garagem de casa, em Brasília. Ele utiliza uma tomada comum (220V) e afirma rodar 1.000 quilômetros por mês.

O utilitário Audi e-Tron, que será lançado em abril por R$ 460 mil, também faz parte do clube dos 400 km. Rodrigo Carvalho, especialista de marketing de produto da montadora alemã, afirma que cada recarga completa custa aproximadamente R$ 70 com base na tarifa de energia vigente na cidade de São Paulo.

Porém, o aumento da autonomia ainda esbarra na falta de infraestrutura, o que gera outra pergunta feita aos donos de carros elétricos: é possível fazer viagens longas com um carro elétrico?

A resposta ainda é não. Embora haja rápida expansão dos pontos de recarga no país, faltam tomadas rápidas que permitam cortar o Brasil sem que seja necessário passar horas com o automóvel parado, muitas vezes contando com a boa vontade alheia.

Markiewicz diz que já perdeu a vergonha de perguntar em postos se havia uma tomada comum disponível para seu carro. Ele sonha em ir com o Bolt de Brasília a Buenos Aires e garante que já existem pontos de recarga mais rápida em boa parte do trajeto.

Carolina Daffara

Há risco de o motorista ser eletrocutado ao passar por um alagamento?

Não. Há dispositivos de segurança que desarmam o sistema elétrico nessas eventualidades. As baterias são lacradas e, assim como em um celular ou um relógio, mesmo que haja infiltração de água no aparelho, suas células tendem a ficar mais protegidas. O mesmo vale para casos de colisão.

Veículos puramente elétricos têm a vantagem de não possuir um cano de escapamento. Por isso, podem resistir um pouco mais em caso de inundação. Mas a recomendação é não enfrentar o ponto de alagamento seja qual for o tipo de veículo

Se a bateria descarregar, é possível rebocar o carro de forma convencional ou há algum procedimento diferente?

É possível rebocar de forma convencional utilizando um guincho ou um caminhão com plataforma, da mesma forma que seria feito com um veículo a combustão equipado com câmbio automático

Carolina Daffara

Carros elétricos atraem raios em dias de tempestade?

A estrutura do veículo é a mesma de um automóvel a combustão. Não há qualquer problema de uso nesses dias, carros elétricos não atraem raios

 

Qual é o custo de recarga de um carro elétrico de porte médio em uma tomada residencial comum, de 220V?

O custo da recarga completa varia de acordo com o tamanho da bateria e a tarifa de energia. As estimativas mostram que, em geral, o custo do quilômetro rodado com energia equivale a 1/3 desse gasto com gasolina. A recarga completa de um veículo elétrico com 400 km de autonomia sai por aproximadamente R$ 70 na cidade de São Paulo

Há risco de o carro ficar sem energia em um congestionamento na estrada, desses em que o motorista leva três horas para percorrer 30 quilômetros?

Existe um consumo mínimo da bateria para manter os equipamentos de conveniência e entretenimento em funcionamento (ar-condicionado, sistema de som, faróis etc.) O risco de ficar sem energia é equivalente ao de ficar sem combustível, mas ainda não é tão fácil achar um ponto de recarga

Carolina Daffara

É possível rebocar um trailer com um carro elétrico?

Sim. Assim como um veículo convencional, um carro elétrico pode rebocar um trailer desde que tenha capacidade para isso. Mas é importante considerar que, ao carregar mais peso, o esforço será maior e, consequentemente, a autonomia será menor

As baterias ficam “viciadas” da mesma forma que as de telefones celulares?

Baterias de íons de lítio passam por um processo natural de desgaste conforme a utilização, da mesma forma que as empregadas nos celulares. A recomendação é manter a carga sempre entre 20% e 80% da capacidade, pois assim se evitam condições extremas de utilização

Carolina Daffara

Ar-condicionado, sistema de som e faróis ligados reduzem a autonomia?

Sim. Existe um consumo mínimo porque a bateria de 12V é a fonte de energia para esses equipamentos, e ela é alimentada pela bateria principal, a mesma que faz o carro se mover. O impacto maior vem do ar-condicionado, da mesma forma como ocorre em veículos a combustão. Já o gasto gerado pelo uso dos faróis é bem pequeno devido à adoção de luzes de LED nos carros elétricos à venda no Brasil

De quanto em quanto tempo é preciso substituir as baterias?

As baterias e os sistemas de gerenciamento de energia são projetados para durarem toda a vida do veículo. É possível fazer a troca dos módulos de carga defeituosos sem que seja precisa substituir o conjunto completo. O prazo de garantia varia de uma montadora para outra. Audi, Chevrolet, Jaguar e Nissan oferecem oito anos ou 160 mil quilômetros de cobertura para as baterias

É preciso ter algum cuidado especial na hora de lavar um carro elétrico? 

Não. A carroceria pode ser lavada como a de qualquer outro automóvel. As baterias são blindadas, não há risco de entrada de água nesse componente. O jato não deve ser direcionado para o motor, mas essa recomendação também é a mesma válida para os veículos a gasolina, que possuem diversos sistemas eletrônicos sensíveis à umidade

Fontes: Abravei (Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores), Audi e Nissan

Carolina Daffara
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