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12/07/2010 - 07h00

Estudos mostram que estouros nos orçamentos são comuns para realizar Copa

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MARIANA BASTOS
DE SÃO PAULO

Afinal, abrigar uma Copa traz benefícios econômicos para o país-sede? Não há uma resposta definitiva para essa pergunta.

Os relatórios de impacto econômico, encomendados pela Fifa ou pelos governos das sedes, indicam invariavelmente que sim. Sediar um Mundial pode impulsionar a economia nacional.

Por outro lado, estudos independentes, realizados por universidades dos países-sede após a realização do evento, minimizam esse impacto.

"Se o governo me paga para escrever um relatório, então é claro que eu o escreverei dizendo o que o governo quer ouvir. O governo quer ouvir que a Copa será sucesso econômico", pondera o jornalista Simon Kuper, que é co-autor do livro "Soccernomics", junto ao economista Stefan Szymanski.

Assim como as sedes anteriores, o Brasil já tem o seu relatório de impacto econômico, encomendado pelo Ministério do Esporte à consultoria Value Partners Brasil.

Segundo o documento, o Brasil investirá R$ 33 bilhões em infraestrutura. E, por sediar a Copa, o país receberá R$ 9,4 bilhões devido ao incremento no turismo, arrecadará R$ 16,8 milhões em tributos e haverá a geração de 330 mil empregos permanentes e 380 mil temporários.

Além disso, o Mundial ainda aumentará o consumo nas famílias em R$ 5 bilhões.

"Os brasileiros deveriam ter em mente que, independentemente do que o governo diz, a Copa não os tornará mais ricos como um todo, embora o evento possa ser uma bela oportunidade para quem é dono de uma empresa construtora de estádios", afirma Kuper em seu livro.

"Nós prevemos com confiança que o contribuinte brasileiro gastará mais com a Copa do que dizem as estimativas iniciais", complementa.

Historicamente, o estouro dos gastos é uma característica comum entre os países que organizam grandes eventos esportivos.

No Pan do Rio, em 2007, o brasileiro pôde comprovar essa regra. Previa-se que o evento iria custar, inicialmente, R$ 414 milhões. Saiu por R$ 3,7 bilhões.

As arenas esportivas são um dos principais componentes da escalada dos orçamentos. A África do Sul projetava gastar o equivalente a R$ 1,9 bilhão em dez estádios. Pagou R$ 810 milhões a mais. No Brasil, levantamento da Folha demonstra que as arenas custarão R$ 5,1 bilhões (sem contar a arena paulista). O valor é 168% superior ao projetado pela CBF, segundo dado do relatório da Fifa de outubro de 2007.

TURISMO

Se as despesas tendem a crescer, o retorno financeiro obtido com mega-eventos esportivos é posto em xeque.

O turismo, um dos principais componentes do impacto econômico de uma Copa no país-sede, tende a trazer pouco dinheiro "novo" para a economia. Foi isso o que constatou um estudo do economista alemão Holger Preuss, da Universidade de Mainz, feito logo após seu país abrigar o Mundial.

Preuss chegou à conclusão de que, em julho de 2006, mais da metade dos turistas eram alemães. Entre os estrangeiros, só metade deles --cerca de 20% do total-- havia viajado para a Alemanha só por causa da Copa. Os demais estrangeiros --cerca de 25% do total-- já estavam no país por algum outro motivo ou decidiram antecipar ou postergar uma viagem para coincidir com o Mundial.

Esse subgrupo pouco acrescentou aos ganhos com turismo no país em virtude do evento esportivo, uma vez que esses visitantes já gastariam na Alemanha, independentemente da Copa.

Preuss calculou que a Copa rendeu um impacto de 3,9 bilhões euros na Alemanha, quantia pouco maior do que fora investido só em estádios.

Mesmo assim, ele defende que países em desenvolvimento devem abrigar a Copa.

"O ganho com o evento depende do país e de um plano de longo prazo. A Copa pode ter um bom impacto. No caso do Brasil, acho que será bom ser sede", afirma Preuss.

ELEFANTES BRANCOS

Cerca de 94% do total de gastos em arenas no Brasil para 2014 serão bancados por investimentos públicos. E os elefantes brancos já vêm sendo anunciados.

A consultoria Crowe Horwath fez uma análise da viabilidade econômica das arenas de 2014 e concluiu que pelo menos cinco dos nove estádios públicos --os de Brasília, Recife, Manaus, Natal e Cuiabá-- tendem a não ser sustentáveis após a Copa.

"Tenho certeza de que as pessoas de Cuiabá ficariam bem sem ter de ver Paraguai x Nova Zelândia ou Dinamarca x Japão. Então, eles poderiam poupar dinheiro e problemas com elefantes brancos no futuro", alerta Kuper.

 

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