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O não de Taiwan

Opositor de Pequim é eleito, mas urnas revelam mensagem ambígua na ilha autônoma

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Lai Ching-te, presidente eleito de Taiwan, durante discurso após vitória nas urnas - Yasuyoshi Chiba/AFP

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Os taiwaneses que foram às urnas no sábado (13) enviaram sinais ambíguos para a China, ditadura continental que considera a ilha autônoma parte de seu território.

O mais importante foi a eleição do atual vice-presidente, Lai Ching-te, para liderar o país nos próximos quatro anos. O político é um dos mais vocais opositores à pressão chinesa pela reintegração do país ao comando de Pequim.

O status político de Taiwan é complexo. A ilha foi governada por nacionalistas chineses, que perderam a disputa com os comunistas em 1949, e só transformou-se em uma democracia nos anos 1990.

Apenas 11 dos 193 membros da ONU a reconhecem como um país. De tempos em tempos, Pequim sinaliza que pode fazer valer sua vontade "manu militari".

Quando firmaram relações com os chineses, em 1979, os americanos reconheceram implicitamente a demanda de Pequim sobre Taiwan. Ao mesmo tempo, estabeleceram mecanismos pelos quais fornecem ajuda militar à ilha e sugerem proteção em caso de agressão.

Essa duplicidade estimula movimentos independentistas, embora Washington sempre reitere ser contra tal ruptura e defenda o diálogo com os chineses.

Nos últimos anos, visitas de altas autoridades americanas irritaram Pequim a ponto de ser constituído um regime permanente de pressão militar, com incursões aéreas e exercícios navais.

Em vez de tirar do poder o Partido Democrático Progressista (PDP), o ambiente conduziu Lai a um inédito terceiro mandato da sigla —um tapa na cara de Xi Jinping.

Entretanto o resultado não foi esmagador. O vitorioso teve 40,1% dos votos, ante 33,5% e 26,5% dos candidatos do Kuomintang chinês e do Partido do Povo de Taiwan (PPT), respectivamente.

Ambos os rivais, favoráveis a negociar a situação de Taiwan com a China, chegaram até a ensaiar uma candidatura conjunta contra Lai.

Além disso, o PDP conquistou 51 cadeiras do Parlamento, enquanto seus opositores somaram 62. Isso poderá dificultar a vida do governo.

Mais importante, sinaliza que o não a Pequim tem nuances. Ainda assim, prevalece a rejeição taiwanesa a uma adesão à China em termos análogos aos de Hong Kong.

Entregue por Londres em 1997, este território era orgulhosamente apresentado por Pequim como modelo de autonomia —até que, em 2020, os chineses rasgaram o tratado que a garantia até 2047.

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