Chef Ferrán Adrià vai reabrir o premiado El Bulli, mas não servirá comida

Novo projeto vai ser um centro de inovação em gastronomia e um museu com visitas agendadas

Blanca Rodríguez
Madri | Reuters

O premiado chef espanhol Ferrán Adrià vai reabrir o seu famoso El Bulli no ano que vem —mas não irá servir comida.

O ex-restaurante, que ficava às margens da Costa Brava, na Catalunha, chegou a ter três estrelas Michelin e foi considerado o melhor do mundo por quatro anos seguidos. Adrià vai abrigar agora um laboratório e um museu de inovação gastronômica, afirmou o chef nesta segunda-feira (28).

O chef Ferrán Adrià durante o evento Madrid Fusion, na capital espanhola
O chef Ferrán Adrià durante o evento Madrid Fusión, na capital espanhola - Sergio Perez/Reuters

"A missão do elBulli1846 é criar conhecimento de qualidade sobre a gastronomia e o universo que a rodeia", disse o catalão de 56 anos, antes de subir ao palco no congresso gastronômico Madrid Fusión.

O novo número no nome é uma homenagem a Auguste Escoffier, o francês apelidado de "rei dos chefs, chef de reis", que nasceu em 1846 e popularizou a "haute cuisine" —ou alta gastronomia.

Depois dele, Adrià atingiu um feito parecido com sua gastronomia molecular, misturando texturas e sabores na forma de espumas, papéis ou geleias, ajudando a Espanha a competir com a França na fama mundial da gastronomia.

O El Bulli original, batizado em homenagem ao buldogue francês do casal tcheco-germânico que construiu o espaço em 1961, fechou oito anos atrás, apesar de sua popularidade global.

Com um investimento de cerca de € 10 milhões (cerca de R$ 43 milhões) e 5.000 metros quadrados, o elBulli1846 está previsto para abrir em fevereiro de 2020 na mesma enseada da costa espanhola, assim como o restaurante original.

Profissionais vão trabalhar no local pensando em nova formas de inovação, seja em restaurantes de grande escala ou em negócios menores, disse Adrià. Já o museu oferecerá visitas guiadas com agendamento prévio.

"Haverá pessoas dizendo que isso não funcionará, mas elas costumavam dizer o mesmo em meados da década de 1990", disse o chef, cujas receitas às vezes são criticadas como excessivamente excêntricas.

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