Ponte Cidade Jardim e outras 5 em SP correm risco iminente de colapso, diz vistoria; prefeitura nega

Lista de estruturas cuja conservação é preocupante inclui Cidade Universitária e Eusébio Matoso

Trânsito intenso na Marginal do Rio Pinheiros na altura da ponte Cidade Jardim
Trânsito intenso na Marginal do Rio Pinheiros na altura da ponte Cidade Jardim - Bruno Rocha-23.nov.18/Fotoarena/Folhapress
Mariana Zylberkan
São Paulo

​Seis pontes e viadutos correm "risco iminente de colapso" e, por isso, devem passar por inspeção aprofundada imediata, segundo parecer de grupo técnico da Secretaria de Obras da Prefeitura de São Paulo para avaliar a situação das estruturas viárias na capital. 

Os técnicos criaram um sistema de classificação para avaliar 13 pontes e viadutos e apontaram as seguintes estruturas como em risco de queda: pontes Cidade Universitária, Eusébio Matoso e Cidade Jardim (zona oeste), viadutos Gazeta do Ipiranga e Grande São Paulo (zona sul) e viaduto General Olímpio da Silveira (centro).

Essas obras viárias foram classificadas com nota igual ou inferior a 2 pelo grupo técnico, o que, além do risco iminente, aponta necessidade de "contratações emergenciais de inspeções especiais", segundo ata de reunião do grupo de Gestão de Manutenção de Obras de Arte realizada na última terça-feira (29). 

Procurada, a Prefeitura de São Paulo afirmou que houve um "erro de redação", e que o risco de colapso das seis pontes e viadutos é desconhecido.

Na ponte Cidade Jardim, a vistoria detectou danos na estrutura causados pela colisão de caminhões na parte inferior do viaduto. Os pilares de sustentação apresentaram armadura de ferro exposta, o que comprometeu "significativamente a capacidade resistente de seus elementos", segundo laudo elaborado por engenheiros da Secretaria de Obras.

O documento cita que o problema de oxidação pode levar "a uma severa perda de capacidade portante da estrutura ou até ao seu colapso se não remediado em tempo hábil". Em outro trecho é citado o "risco potencial à estrutura dos usuários da OAE (Obra de Arte Especial, nome técnico de pontes e viadutos)". 

O impacto de caminhões também comprometeu a estrutura da ponte Cidade Universitária, segundo inspeção da Secretaria de Obras realizada no último dia 24. As colisões comprometeram as armaduras de ferro e perda de concreto. Os sistemas de drenagem estão "totalmente comprometidos" o que causa problemas de infiltração. Os técnicos concluíram que os problemas detectados "comprometem a vida útil da obra e sua segurança estrutural a curto prazo". 

A ponte Eusébio Matoso está com a "capacidade estrutural" comprometida e as juntas de dilatação deterioradas.

As 13 pontes e viadutos citados na ata de reunião integram o segundo lote de estruturas avaliadas, de acordo com cronograma de vistoria visual feita pela gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) desde o fim do ano passado.

A medida visa embasar a contratação emergencial de empresas para fazer a chamada vistoria estrutural, mais complexa e amparada em uso de equipamentos de diagnóstico. A empresa que irá realizar a inspeção estrutural na ponte Cidade Universitária foi contratada pela prefeitura na última sexta-feira (1º).

As ações foram anunciadas pelo prefeito em novembro do ano passado após viaduto na marginal Pinheiros próximo ao parque Villa-Lobos ter sido interditado devido a uma ruptura na estrutura que criou um degrau de cerca de dois metros. As obras de recuperação desse viaduto estão em andamento e devem ser finalizadas em maio, segundo a prefeitura. 

No último dia 23, dois dias antes do feriado do aniversário de São Paulo, a gestão Covas determinou a interdição imediata da ponte na marginal Tietê que dá acesso à rodovia Dutra, na altura do Tatuapé (zona leste). A medida foi tomada após vistoria de técnicos da administração municipal indicar que há risco de colapso da estrutura. 

Foi constatado dano grave em uma das vigas que sustentam a ponte. Não há nenhuma previsão de data para a liberação do tráfego no local.

A ponte que dá acesso à rodovia Presidente Dutra fez parte do primeiro grupo de 11 estruturas viárias que passaram pela vistoria visual realizada pelos técnicos da prefeitura. Dessas 11, 8 foram consideradas em mau estado de conservação e demandantes de inspeção mais detalhada para definir as obras de recuperação necessárias. 

As empresas contratadas para fazer as inspeções estruturais vão ter quatro meses para elaborar o laudo completo referente a cada estrutura. As contratações estão sendo feitas de forma emergencial conforme parecer favorável do TCM (Tribunal de Contas do Município) para as negociações sem licitação. 

Em comunicado ao TCM que embasou o pedido de contratação emergencial, a gestão Covas afirmou não saber a real condição de uso de 185 pontes e viadutos na cidade. 

Há mais de dez anos, o Ministério Público cobra da Prefeitura de São Paulo maior rigor na manutenção dessas construções.

Um TAC (termo de ajuste de conduta) firmado em 2007, na gestão Gilberto Kassab (PSD), obrigou o município a criar um programa de manutenção para pontes, viadutos, galerias e túneis.

Como o TAC não foi cumprido, a prefeitura tenta, agora, reverter na Justiça a aplicação de multa de R$ 34 milhões.

OUTRO LADO

A Prefeitura de São Paulo afirmou, no final da tarde desta segunda-feira (4), que a classificação das pontes em "risco iminente de colapso" decorre de um "erro de redação".

Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), a expressão teria sido retificada em uma reunião posterior e substituída por "desconhecimento quanto ao risco iminente de colapso".

De acordo com ata enviada pela administração, a mudança de classificação foi decidida três dias depois, em 1º de fevereiro. Diferente da ata que declarou o risco iminente, no entanto, essa segunda ata não foi anexada ao processo administrativo interno da prefeitura. 

Na retificação, não estão citadas as seis pontes que constam na ata anterior. Em vez disso, aparecem mais dois viadutos com nota de classificação abaixo de 2, indício de sérios danos na estrutura: viaduto Carlos Ferraci e viaduto Miguel Mofarrej. 

A prefeitura afirmou que a retificação é referente a duas atas de reuniões. A primeira tinha classificado como "risco iminente de colapso" os viadutos Carlos Ferraci e Miguel Mofarrej. A segunda concedeu a mesma classificação às outras estruturas citadas nesta reportagem.

Pontes e viadutos que correm 'risco iminente de colapso'

Viaduto Gazeta do Ipiranga
Ponte Cidade Universitária
Viaduto Grande São Paulo
Viaduto General Olímpio da Silveira
Ponte Cidade Jardim
Ponte Eusébio Matoso

Pontes e viadutos com comprometimento estrutural

Viaduto Pacheco Chaves
Viaduto Alcântara Machado
Viaduto Com. Elias Nagib Breim
Viaduto Engenheiro Alberto Badra
Viaduto Paraíso
Viaduto Pedro de Toledo
Viaduto General Euclides Figueiredo

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