Ponte Freguesia do Ó é interditada parcialmente após inspeção apontar risco, em SP

Laudo de engenharia constatou que estrutura recebe mais carga do que o previsto em projeto original

Mariana Zylberkan
São Paulo

A Prefeitura de São Paulo interditou parcialmente a ponte Freguesia do Ó, na zona norte da capital, no fim da tarde desta sexta-feira (22). Uma das faixas foi bloqueada para o trânsito de veículos. 

Segundo a Secretaria de Obras, a decisão foi tomada após empresa de engenharia realizar a chamada vistoria estrutural na ponte e constatar que a construção oferece riscos porque tem suportado mais peso do que o projeto original previu. Uma das faixas foi interditada para aliviar a carga sobre a estrutura. 

A administração não informou por quanto tempo a interdição parcial irá durar. 

Nesta sexta, a faixa direita da ponte da Casa Verde (zona norte), no sentido bairro-centro, foi interditada após um caminhão bater na estrutura. Segundo a prefeitura, a ponte vai passar por obra emergencial para recuperar a viga, atingida por duas colisões de caminhões em menos de 48 horas. A mesma faixa vai continuar interditada até a conclusão das obras. 

Relatórios elaborados por engenheiros da prefeitura no início do ano apontaram "risco iminente de colapso" em ao menos oito estruturas viárias. A prefeitura, entretanto, negou o risco de colapso, e impôs a assinatura de um termo de confidencialidade às empresas contratadas para fazer as vistorias. 

Procurada, a gestão Covas afirmou que "o termo de confidencialidade serve apenas para disciplinar e evitar que as empresas divulguem as informações antes da apresentação à prefeitura."

Nos últimos dez anos, a Prefeitura de São Paulo realizou obras de manutenção em 12 das 185 pontes e viadutos que existem na capital. Outras quatro intervenções foram feitas no mesmo período, mas em caráter emergencial, para reparar estragos causados por incêndio ou colisões violentas de veículos. 

Desde o início do ano, a prefeitura tem contratado empresas para realizar vistorias mais detalhadas em pontes e viadutos da capital, já que a manutenção feita ao longo das últimas décadas é apenas visual, sem detalhamento técnico. A maioria das estruturas viárias nunca recebeu obras de manutenção desde a inauguração. 

A situação das pontes e viadutos na cidade chamou atenção da gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) em novembro do ano passado, quando parte do viaduto na marginal Pinheiros, localizado em frente ao parque Villa-Lobos cedeu e foi criado um degrau de cerca de dois metros na estrutura. 

Dias antes do feriado do aniversário de São Paulo uma das pontes da marginal Tietê, que faz ligação com a rodovia Dutra, foi interditada às pressas após engenheiros contratados pela prefeitura apontarem risco de colapso durante vistoria.

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