Brasil receberá avião de Israel para combater incêndios na Amazônia

Para Bolsonaro, apoio de Netanyahu demonstra reconhecimento pelos esforços brasileiros

Fábio Pupo Talita Fernandes
Brasília

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, telefonou ao presidente Jair Bolsonaro neste domingo (25) e ofereceu ajuda no combate às queimadas na Amazônia

Segundo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), que publicou a informação no Twitter, o governo aceitou receber de Israel um avião com equipamentos para apagar incêndios. 

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Israel - 31.mar.2019 - Ronen Zvulun/Reuters

Eduardo afirmou ainda que conversou com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, informando que o avião pousará em local definido pelas Forças Armadas brasileiras. 

Depois do filho, Bolsonaro também publicou a informação no Twitter. Segundo o presidente, Netanyahu reconheceu os esforços do Brasil no combate aos focos de incêndio. "Aceitamos o envio, por parte de Israel, de aeronave com apoio especializado para colaborar conosco nessa operação", afirmou.

 

Como publicou a Folha na última sexta-feira (23), Bolsonaro tem procurado gestos de aproximação com os EUA e Israel para tentar mostrar que não está isolado no cenário internacional em meio à pressão dos europeus sobre sua política ambiental.

O presidente francês, Emmanuel Macron, liderou esse movimento de críticas na semana passada, ao chamar ao dizer que o presidente brasileiro mentiu, ameaçando o futuro do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, publicou no Twitter que havia falado com Bolsonaro e ofereceu ajuda para combater os incêndios. "Estamos prontos para dar assistência", escreveu o mandatário americano.

Até o momento, o governo não soube informar de que forma o governo dos EUA pode contribuir para conter as queimadas na floresta amazônica. 

A ligação de Netanyahu foi recebida neste domingo durante uma reunião de Bolsonaro, no Palácio da Alvorada, com o filho Eduardo, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; e o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Filipe Martins. 

O apoio de Israel ao Brasil foi defendido na semana passada pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Ramos, que escreveu nas redes sociais que o Brasil não precisava de discursos, mas sim de ajudas práticas. Ele lembrou a ajuda israelense durante a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, no início do ano. 

"A Amazônia brasileira é de responsabilidade do Brasil e do seu povo!! Não precisamos de discursos, de cunho intervencionista e sim de atitudes práticas de países que querem ajudar!! O recente exemplo de Israel em Brumadinho, diz muito mais do que palavras sem efeito prático!!", escreveu.

O governo Bolsonaro tem dito que a questão da Amazônia é um tema de soberania nacional e respondido às críticas dos europeus dizendo que não precisa do dinheiro de países como Alemanha e Noruega, que recentemente suspenderam repasses de verbas para o Brasil pelo aumento do desmatamento.

Na semana passada, o presidente sugeriu que a Noruega envie para o reflorestamento da Alemanha o montante que não será mais enviado para o Fundo Amazônia.

O país nórdico anunciou suspensão do repasse de cerca de R$ 133 milhões. Segundo ele, o Brasil está quebrando o acordo para redução do desmatamento.

A Noruega seguiu a decisão da Alemanha que, no sábado (10), também informou que suspenderá parte do financiamento de proteção ambiental para o Brasil. No mesmo tom adotado contra a Noruega, Bolsonaro sugeriu que a Alemanha refloreste seu próprio país. Pelo aumento no desmatamento, a Alemanha anunciou ainda que vai suspender mais de R$ 150 milhões.

As discussões sobre o apoio de Israel e EUA ocorrem logo após Macron ter levado a questão da Amazônia à reunião de cúpula do G7, fórum do qual o Brasil não faz parte.

O discurso dele foi endossado por líderes como a premiê alemã, Angela Merkel, e o o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

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