Descrição de chapéu Coronavírus

Há um ano, primeira morte por Covid no Brasil ocorria em mundo sem máscaras

Pandemia foi marcada por evolução de conhecimento e revisões de dados; até data do 1º óbito mudou

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São Paulo

Há um ano ocorria a primeira morte oficialmente registrada por Covid-19 no Brasil: a paulistana Rosana Urbano, 57 anos, no Hospital Municipal Doutor Carmino Cariccio (zona leste), em um mundo em que as máscaras ainda não eram tidas como arma para a população contra a doença.

A informação do óbito, porém, só foi confirmada oficialmente no fim de junho, em um retrato do caminho tortuoso dos primeiros meses de pandemia, no Brasil e no mundo. Hoje são mais de 273 mil mortos e 11,2 milhões de casos confirmados.

De início, o primeiro óbito oficial era datado de 16 de março — Manoel Freitas Pereira Filho, 62, diabético e hipertenso, internado no Hospital Sancta Maggiore Paraíso (zona sul de São Paulo).

Naquele momento, o país tinha pouco mais de 300 casos, segundo dados históricos do consórcio de veículos de imprensa que seria formado por Folha, UOL, O Globo, Estadão, Extra e G1 três meses depois. No mundo, eram pouco mais de 185 mil infectados e 7.000 mortes até então —menos mortes do que o Brasil, sozinho, acumula desde a última segunda-feira (8).

Mesmo a data das primeiras infecções no país viraram alvo de dúvidas. Enquanto o Sars-CoV-2 já circulava por diversos países e era objeto de atenção de autoridades de saúde desde janeiro, oficialmente, o primeiro caso brasileiro data de 25 de fevereiro: um homem, atendido no Hospital Israelita Albert Einstein, que tinha voltado da Itália —país que enfrentava uma situação crítica da doença. O paciente continua anônimo até hoje.

Pesquisa posterior da Fiocruz com base em dados de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave, causada pela Covid e por outras doenças respiratórias) apontou, contudo, que o vírus já circulava em pessoas no país no início de fevereiro, no período de Carnaval.

A circulação no país teria começado, então, quando o vírus ainda não tinha nem mesmo um nome oficial. O Sars-CoV-2 só foi batizado oficialmente pela OMS (Organização Mundial da Saúde) de Covid-19 no dia 11 de fevereiro de 2020. Antes disso, "novo coronavírus" era o termo mais usual para se falar dele. Outra opção era o nome provisório, e nada amigável 2019-nCoV.

Esses percalços parecem mais técnicos, mas mesmo os primeiros passos no enfrentamento público da doença não foram tão firmes em algumas áreas, com novas informações surgindo e sendo atualizadas em grande velocidade —considerando que a comunidade científica se virou em peso para a doença.

Algumas orientações pouco mudaram, como a necessidade de distanciamento social, de evitar saídas de casa desnecessárias e uma boa higiene de mãos. Já outras sofreram drásticas alterações.

Imagens de equipes paramentadas limpando ruas foram comuns no início da pandemia. A limpeza de compras também virou um costume nos meses iniciais da Covid. Mas, com o tempo, o chamado "teatro da higiene" perdeu espaço, considerando que estudos apontam baixíssimo risco de contaminação por superfícies. Apesar disso, ainda hoje é possível encontrar prefeituras e população desinfetando ruas para tentar lidar com a Covid.

O exemplo mais marcante é o de uso de máscara, item atualmente obrigatório ao se sair de casa. Inicialmente, as indicações de autoridades de saúde, inclusive da própria OMS (Organização Mundial da Saúde), era que somente pessoas sintomáticas deveriam fazer o uso da máscara.

A regra, em parte, dizia respeito à uma corrida pelo equipamento, e escassez das mesmas, que ocorreu após a eclosão da pandemia. Havia preocupação de desabastecimento de profissionais de saúde linha de frent, o que, de fato, chegou a ocorrer de forma crítica no Brasil e em outros países, como nos EUA.

Jerome Adams, ex-porta-voz do governo federal americano para questões de saúde pública, chegou a pedir à população americana, em fevereiro de 2020, que parasse de comprar máscaras, pelo receio da escassez do item para profissionais de saúde.

Mas o status das máscaras começou a mudar relativamente rápido com o espalhamento da doença. George Gao, diretor-geral do Centro para Controle e Prevenção de Doenças da China, alertou, em entrevista à revista Science que poderia ser um erro não incentivar o uso de máscara por todos. Pouco depois, foi a vez do CDC dos EUA afirmar que estava revendo a orientação por causa da possibilidade de pessoas sem sintomas espalhar a doença. Já a OMS demorou um pouco mais para rever a posição.

A República Tcheca foi um dos primeiros países a implementar uma política de uso de máscaras. Nos primeiros dias abril, o Ministério da Saúde, então sob comando de Luiz Henrique Mandetta, passou a incentivar que a população usasse a proteção facial, mas em uma versão caseira, de pano, o que ajudaria a evitar desabastecimento de EPIs.

Em maio, o item já era obrigatório em São Paulo. Em julho, já havia lei nacional sancionada para uso obrigatório de máscara.

O debate, porém, persiste. Especialistas de saúde têm afirmado que as máscaras PFF2, com elevado nível de filtração de partículas, podem ser a melhor opção para aumentar a proteção de pessoas que fazem parte do grupo risco e para utilizar em momentos de maior exposição, como transporte coletivo e outros ambientes fechados com mais gente, o caso de supermercados e igrejas.

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