Contra Real, City de Guardiola pode ter última chance na Champions

Após banimento da Uefa, ingleses encaram time de Zidane nas oitavas de final

São Paulo

Em dezembro de 2019, quando a Uefa sorteou as oitavas de final da Champions League, o Manchester City já tinha a consciência do tamanho do desafio que teria pela frente. Afinal, enfrentaria o Real Madrid, campeão de 4 das últimas 6 edições do torneio.

O duelo com os espanhóis ganhou ainda mais importância, porque uma queda contra o time do técnico Zinedine Zidane, 47, poderá afastar o clube inglês do sonho europeu por um longo inverno.

No último dia 14, o City foi banido das duas próximas temporadas de qualquer competição da Uefa por desrespeitar as regras do fair play financeiro da entidade.

Menos de duas semanas depois, inicia novo capítulo da sua via-crúcis internacional nesta quarta-feira (26), às 17h (de Brasília), no Santiago Bernabéu, com transmissão do Esporte Interativo no Facebook.

Manchester City treina na véspera de duelo contra o Real Madrid, pela Champions League
Manchester City treina na véspera de duelo contra o Real Madrid, pela Champions League - Jason Cairnduff/Reuters

Comprado em 2008 pelo Abu Dhabi United Group, o clube de Manchester persegue há algum tempo a glória na Champions League, objetivo fundamental para a sua consolidação como uma força não só na Premier League (que venceu quatro vezes desde então), mas no futebol do continente.

Desde a contratação do treinador Pep Guardiola, 49, em 2016, o time não superou a fase de quartas de final –Monaco, Liverpool e Tottenham foram os responsáveis pelas eliminações.

O espanhol, que desde o início de sua carreira não fica mais que quatro temporadas em uma mesma equipe, já está em seu quarto ano em Manchester e tem contrato até junho de 2021.

Segundo ele, pelo menos, o banimento europeu imposto ao clube e o fato de que não poderá disputar a Champions League nos próximos dois anos não mudarão seu plano de seguir no City após o fim do vínculo.

"A menos que me mandem embora, o que pode acontecer, eu não sairei", afirmou o técnico após a vitória sobre o West Ham, pelo Campeonato Inglês, no último dia 19.

"Eu disse que amo esse clube, gosto de estar aqui, por que deveria sair? Sou otimista. Conversamos com os jogadores e, nos próximos três meses, focaremos apenas o que temos que fazer. No fim, veremos qual será a sentença. Mas, pessoalmente, não importa o que aconteça, eu estarei aqui na próxima temporada", completou.

O catalão confia que a diretoria do Manchester City conseguirá reverter a pena da Uefa na CAS (Corte Arbitral do Esporte) e que sua equipe disputará a próxima edição da Champions.

Se considerado somente o desempenho esportivo, os ingleses estariam próximos de garantir uma classificação ao torneio europeu em 2020/2021. Com 57 pontos, na segunda colocação da Premier League, o clube tem 16 de vantagem sobre o rival Manchester United, quinto colocado e primeiro fora da zona de classificação à Champions.

Por outro lado, isso é o que resta ao time de Pep Guardiola na Inglaterra. A 22 pontos do líder Liverpool, que não perde pela liga há 44 jogos, a briga pelo título da Premier ficou praticamente impossível.

Além da Champions e do Campeonato Inglês, a equipe disputa também a Copa da Inglaterra, conquistada pelo clube na temporada passada. Título muito aquém das pretensões de grandeza do City no cenário internacional.

Caso não consiga reverter a punição no CAS, o Manchester City poderá assistir também ao fim de ciclo de alguns dos seus principais jogadores. Nos contratos desses atletas da elite, há cláusulas e gatilhos de participações em torneios europeus, gols nessas competições e, claro, a premiação por títulos.

O volante brasileiro Fernandinho, uma das referências de Guardiola no time, já tem 34 anos e está há sete no clube. Seu contrato, renovado no mês passado por uma temporada, se encerrará na metade de 2021.

"A cobrança entre jogadores em relação à Champions League tem sido muito grande. Acho que nunca teve uma cobrança tão grande como está sendo agora", revelou Fernandinho, em entrevista recente ao Esporte Interativo.

Desde 2011 em Manchester, o atacante argentino Sergio Agüero, 31, maior artilheiro da história do City com 252 gols, também tem contrato até 2021 com o clube.

Quem de fato deixará o time após dez anos de casa é o meia espanhol David Silva, 34, que anunciou ainda no início da temporada que esta seria sua última com a camisa do City. Tetracampeão inglês com o clube, Silva é hoje, ao lado de Agüero, o grande símbolo da década vitoriosa da equipe de Manchester.

David Silva e Sergio Agüero, dois dos principais nomes do City, treinam ao lado do argentino Otamendi
David Silva e Sergio Agüero, dois dos principais nomes do City, treinam ao lado do argentino Otamendi - Jon Super/AFP

No duelo que pode marcar o fim de ciclo para muitos de seus emblemas, o clube inglês tem pela frente justamente a principal força europeia dos últimos anos, o Real Madrid, que sob o comando de Zinedine Zidane foi tricampeão consecutivo de 2016 a 2018.

Depois de experiências frustradas com Julen Lopetegui e Santiago Solari na temporada passada, o clube espanhol voltou a recorrer aos serviços do francês. No Espanhol, o time briga pelo título com o Barcelona, que lidera com dois pontos de vantagem após o tropeço da equipe de Madri no fim de semana.

Em busca de seu quarto troféu de Champions com o Real, Zidane prevê um confronto ainda mais duro diante dos ingleses em razão da punição imposta a eles pela Uefa.

"Por tudo o que aconteceu, a motivação deles será imensa. É um rival que será muito, muito difícil, um grande time", afirmou o treinador.

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